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Brasil

Brasileiros gastaram R$ 49,3 bilhões com material escolar em 2024

Gastos impactam orçamento de 85% das famílias, com aumento de 43,7% nos últimos quatro anos

Publicado em 07/01/2025 9:29 - Semana On

Divulgação Roverna Rosa - Abr

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Os gastos com material escolar alcançaram a impressionante marca de R$ 49,3 bilhões em 2024, um crescimento de 43,7% em quatro anos, segundo estudo do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. Para 85% das famílias brasileiras com filhos em idade escolar, a volta às aulas representa um impacto significativo no orçamento, reforçando desigualdades econômicas e regionais.

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Entre as 1.461 pessoas entrevistadas em dezembro de 2024, 90% dos responsáveis com filhos em escolas públicas e 96% daqueles em instituições privadas afirmaram que irão adquirir materiais escolares para 2025. Uniformes, livros didáticos e itens da lista escolar lideram as compras mais frequentes.

“É um gasto que vem crescendo e aumentando também o seu peso no orçamento das famílias com filhos”, afirma João Paulo Cunha, diretor de Pesquisa do Instituto Locomotiva. Ele destaca que o impacto atinge tanto famílias de escolas privadas quanto públicas, desmistificando a ideia de gratuidade total na rede pública.

Classe C em foco: o peso desproporcional

Embora o gasto maior concentre-se na classe B (R$ 20,3 bilhões), a classe C carrega um fardo desproporcional: 95% das famílias afirmam que essas despesas impactam suas finanças. Essa classe também lidera no parcelamento das compras, com 39% planejando dividir os valores em várias prestações, enquanto a média nacional é de 35%.

Os dados refletem desigualdades sociais e regionais, já que 46% dos gastos totais estão no Sudeste, enquanto a Região Norte, mais vulnerável, responde por apenas 5%.

“Cada família vai ter um arranjo diferente para conseguir esse tipo de gasto. Alguns recorrem ao crédito, outros a economias, mas todos sentem o impacto no orçamento doméstico”, reforça Cunha.

Os bastidores da alta nos preços

De acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE), os custos elevados têm raízes em fatores econômicos como inflação, aumento nos custos de produção e alta do dólar. Muitos itens escolares, como mochilas e estojos, são importados, tornando o impacto do câmbio ainda mais evidente.

Sidnei Bergamaschi, presidente executivo da ABFIAE, destaca que eventos como o aumento do frete marítimo no pós-pandemia também contribuíram para a escalada dos preços. “O frete marítimo internacional chegou a ser cinco vezes mais caro. Tudo isso termina impactando o consumidor”, observa Bergamaschi.

Além disso, a carga tributária sobre materiais escolares agrava a situação. Em alguns produtos, os impostos podem representar até 50% do preço final. A ABFIAE defende a redução de tributos e a ampliação de programas como o Programa Material Escolar, já implementado no Distrito Federal e em cidades como São Paulo e Foz do Iguaçu.

Perspectivas: soluções para um problema estrutural

Diante desse cenário, a busca por soluções ganha força. Iniciativas públicas para subsidiar a compra de materiais escolares são vistas como fundamentais, permitindo maior acesso e alívio financeiro para as famílias. Paralelamente, a reforma tributária é apontada como uma oportunidade para reduzir os encargos sobre esses itens essenciais.

A educação, pilar fundamental para o desenvolvimento do país, segue comprometida por desigualdades estruturais e pela falta de políticas abrangentes que aliviem o peso econômico sobre as famílias. Enquanto isso, o início de cada ano letivo permanece como um desafio orçamentário que ultrapassa os muros escolares, ecoando desigualdades e necessidades que demandam atenção urgente.

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