Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Brasil

Brasil enfrenta pior seca registrada em 74 anos, superando as de 1998 e 2015/2016

Humanidade sofre "epidemia de calor extremo", alerta ONU

Publicado em 05/09/2024 10:56 - Semana On, DW – Edição Semana On

Divulgação Fernando Frazão - Abr

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O Brasil atravessa a pior seca já registrada desde o início da série histórica, em 1950, de acordo com o índice que mede a quantidade de chuvas e a evapotranspiração das plantas. A situação atual é ainda mais grave do que as estiagens de 1998 e de 2015/2016, conforme apontam dados divulgados pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) na quarta-feira (4).

A seca deste ano já afeta 5 milhões de quilômetros quadrados, o que representa 58% do território brasileiro – 500 mil quilômetros quadrados a mais que em 2015. Embora os registros do Cemaden se limitem a 1950, algumas secas históricas, como a do final da década de 1870, que causou a morte de centenas de milhares de pessoas, não foram incluídas nas comparações.

Os dados analisados até abril de 2024 indicam baixos níveis de precipitação e um estresse crescente na vegetação, um fator que também aumenta o risco de incêndios. O cenário aponta para um ciclo de anos cada vez mais secos, segundo especialistas do instituto.

Índice de seca

O Cemaden utiliza o Índice de Precipitação Padronizado de Evapotranspiração (SPEI), que avalia a quantidade de chuva e a perda de água por evaporação e transpiração das plantas. De acordo com Ana Paula Cunha, pesquisadora do Cemaden e especialista em secas, valores entre 0 e -1 indicam condições abaixo da média. Quando o índice cai abaixo de -1, a seca é considerada mais severa.

Desde outubro de 2023, o Brasil está em uma situação de seca intensa, atingindo -1,94 em março deste ano, o pior valor já registrado. Cunha alerta que os dados posteriores a abril de 2024 devem continuar em queda, coincidentemente com o início do período de estiagem.

Municípios em estado de alerta

O boletim de monitoramento de agosto, publicado na terça-feira (3) pelo Cemaden, aponta que 3.978 municípios brasileiros enfrentam algum nível de seca, sendo que 201 estão em condição extrema, a mais grave registrada até o momento. O estado de São Paulo lidera com 82 municípios em situação crítica, seguido por Minas Gerais (52) e Mato Grosso (24).

A previsão é de que esse número aumente para 4.583 municípios ainda neste mês. O instituto destaca que o índice integrado de secas, que leva em consideração a precipitação, a umidade do solo e o estado da vegetação, indica a tendência de piora da situação, especialmente na região central e Norte do país, devido ao atraso nas chuvas.

Nas últimas 24 horas, o Serviço Geológico do Brasil relatou uma queda de 25 cm no nível do rio Negro, em Manaus, e do rio Solimões, em Manacapuru (AM), indicando um agravamento da crise hídrica na região.

Humanidade sofre “epidemia de calor extremo”, alerta ONU

A humanidade está sofrendo com uma “epidemia de calor extremo”, alertou nesta quinta-feira (25/07) o Secretário-Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres.

“Bilhões de pessoas estão enfrentando uma epidemia de calor extremo, murchando sob ondas de calor cada vez mais mortais, com temperaturas ultrapassando os 50ºC em todo o mundo”, disse. “Isso é a meio caminho da fervura.”

Guterres destacou que a segunda-feira foi o dia mais quente já registrado, superando o recorde estabelecido apenas um dia antes, e pediu ações para limitar o impacto das ondas de calor, que estão sendo exacerbadas pela mudança climática, e conter o aquecimento global.

Calor mata mais que enchentes

Embora muitas vezes menos visível que outros efeitos devastadores da mudança climática, como tempestades ou inundações, o calor intenso é mais mortal: ceifou cerca de 489 mil vidas a cada ano entre 2000 e 2019 – bem menos que as 16 mil vítimas de ciclones, segundo o relatório “Chamado à Ação contra o calor extremo”, lançado pela ONU nesta quinta-feira.

Guterres instou a comunidade internacional a adotar medidas para reduzir as mortes relacionadas ao calor, a começar pelos cuidados dos mais vulneráveis: pobres, idosos, jovens e doentes.

“O calor paralisante está em toda a parte, mas não afeta todos igualmente”, explicou Guterres. “O calor extremo amplifica a desigualdade, inflama a insegurança alimentar e empurra as pessoas ainda mais para a pobreza.”

Sistemas de alerta de calor podem salvar vidas

A ONU também pediu melhores avisos de ondas de calor, mais “resfriamento passivo”, melhor design urbano, mais proteção para trabalhadores ao ar livre e maiores esforços para combater as mudanças climáticas causadas pelo homem, que exacerba os extremos climáticos, e limitar o aquecimento global a 1,5ºC – algo que cientistas alertam que não ocorrerá se a humanidade não reduzir a queima de combustíveis fósseis e não detiver o desmatamento.

Segundo Guterres, cálculos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostram que a adoção de medidas de mitigação do calor podem “proteger 3,5 bilhões de pessoas até 2050”, reduzir as emissões e economizar “1 trilhão de dólares (R$ 5,64 trilhões) por ano aos consumidores”, disse Guterres, citando uma estimativa.

O documento lançado pela ONU nesta quinta afirma, com base em estimativas da Organização Mundial da Saúde e da Organização Meteorológica Mundial, que sistemas melhores de alerta de calor em 57 países poderiam salvar 98.314 vidas por ano.

Domingo, segunda e terça-feira passadas foram os dias mais quentes já registrados

De acordo com o Copernicus, o serviço climático da União Europeia, os dias 21, 22 e 23 de julho deste ano foram os três mais quentes já registrados pelo órgão, superando a marca anterior, de 2023. O dia 22 foi o recordista absoluto, com uma temperatura média mundial de 17,16ºC.

Temperaturas muito acima de 40ºC estão se tornando mais comuns. E 2023, ano mais quente já registrado, caminha para ser ultrapassado por 2024.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *