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Brasil
Os dados mostram que as regiões mais afetadas são Centro-Oeste e Norte
Publicado em 21/10/2024 8:56 - Semana On
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Dois meses após incêndios florestais devastarem várias regiões do Brasil, uma pesquisa do Datafolha aponta que 42% da população considera que sua vida foi “muito afetada” pela fumaça e queimadas. O levantamento, realizado em outubro de 2024, revela a extensão do impacto dos incêndios florestais, intensificados pela maior estiagem em 75 anos, segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
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A pesquisa entrevistou 2.029 pessoas, em 113 municípios de todas as regiões do país. Quando questionados sobre o impacto das queimadas, 42% dos entrevistados atribuíram uma nota entre 9 e 10, numa escala em que 0 indica “nenhum impacto” e 10 representa “impacto máximo”. Outros 25% afirmaram ter sido afetados de forma significativa (com notas entre 7 e 8). Já 18% relataram impacto moderado (de 4 a 6), e 14% disseram que foram pouco ou nada afetados (0 a 3). Apenas 1% dos entrevistados não soube responder.
Impactos regionais mais intensos
Os dados mostram que as regiões mais afetadas são Centro-Oeste e Norte, onde 57% dos entrevistados indicaram grande impacto em suas vidas. O Sudeste aparece em segundo lugar, com 42% dos moradores relatando altos níveis de impacto, seguido pelo Nordeste (37%) e o Sul (36%).
O levantamento do Datafolha também destacou as consequências das queimadas para a saúde. Para 34% dos entrevistados, o impacto da fumaça na saúde foi severo, com índices de 9 a 10 na escala. Em contraste, 19% dos brasileiros disseram não ter percebido alterações significativas na saúde (0 a 3). Assim como no impacto geral, a saúde foi mais afetada nas regiões Centro-Oeste e Norte (43%), com o Sudeste registrando 35%, Nordeste 33%, e o Sul 23%.
Esses resultados refletem os efeitos das queimadas sobre a qualidade do ar, especialmente em áreas mais próximas às fontes dos incêndios, como florestas e pastagens, que queimam com maior intensidade durante a seca prolongada.
A gravidade das queimadas em 2024
Os números por trás das queimadas de 2024 são alarmantes. Em agosto, o sistema de monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou mais de 68 mil focos de incêndio em todo o Brasil. Em setembro, esse número subiu para mais de 83 mil focos. Os estados mais afetados foram Mato Grosso, Pará e Tocantins, que juntos perderam áreas imensas para o fogo: respectivamente, 55 mil, 46 mil e 26 mil quilômetros quadrados queimados nos primeiros nove meses de 2024. Em termos comparativos, a área devastada pelas queimadas no Brasil neste ano equivale ao tamanho do estado de Roraima.
Além disso, uma pesquisa anterior do Datafolha, realizada em setembro, já havia indicado que cerca de 40% da população de grandes centros urbanos como São Paulo e Belo Horizonte relatou problemas graves de saúde decorrentes das queimadas, o que se reflete nos altos índices de hospitalizações por doenças respiratórias durante o período.
O desafio do futuro
As queimadas no Brasil, que se intensificam a cada ano, são resultado de uma combinação de fatores naturais e ações humanas, como desmatamento e queimadas criminosas, que agravam ainda mais a situação. Com o país enfrentando a maior seca em mais de sete décadas, as perspectivas para o controle das queimadas se tornam ainda mais desafiadoras, exigindo uma ação coordenada entre governos, entidades ambientais e a população para conter a devastação e seus efeitos.
Os dados revelam a urgência de políticas públicas eficazes para enfrentar essa crise ambiental, que não apenas afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida da população, mas também coloca em risco ecossistemas inteiros e agrava o problema das mudanças climáticas.
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