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Viver Bem
A hipertensão é uma das principais causas de morte e invalidez no mundo
Publicado em 26/10/2024 10:15 - Semana On
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A pressão arterial, tradicionalmente considerada normal em 12/8 (120 por 80 mmHg), passou a ser classificada como elevada, de acordo com novas diretrizes anunciadas no Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres. Essa reclassificação busca prevenir e controlar melhor a hipertensão, que afeta 1 em cada 4 brasileiros e globalmente atinge 1,3 bilhão de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A mudança tem como objetivo reduzir os riscos de complicações cardiovasculares e mortalidade associadas à pressão alta.
Anteriormente, a pressão arterial 12/8 era considerada o padrão de normalidade. Com as novas diretrizes, valores entre 120/80 e 129/84 mmHg passam a ser vistos como uma pressão elevada, e a meta ideal passa a ser 12/7 (120 por 70 mmHg) ou menos. Segundo o cardiologista Carlos Alberto Machado, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), a hipertensão arterial ainda é definida como uma pressão igual ou superior a 14/9 (140/90 mmHg), mas a intenção é reduzir os níveis de pressão o máximo possível, especialmente em pacientes de alto risco.
“O diagnóstico de hipertensão continua o mesmo, mas a ênfase agora é no controle mais precoce e efetivo da pressão, especialmente em pacientes que apresentam risco cardiovascular elevado”, explica o médico, que é coautor das “Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório”.
Início mais rápido do tratamento medicamentoso
As novas diretrizes também trazem mudanças no tratamento. Enquanto antes os pacientes de baixo risco tinham até três meses para tentar controlar a pressão arterial com mudanças no estilo de vida, agora o tratamento medicamentoso deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico. O objetivo é atingir as metas de controle da pressão arterial em até seis meses, reduzindo o risco de complicações, como infarto e derrame.
A abordagem atualizada recomenda o uso de dois medicamentos de classes diferentes desde o início do tratamento para aumentar a eficácia e reduzir os efeitos colaterais. Em casos mais difíceis de controlar, pode-se recorrer à combinação de três medicamentos, o que tem se mostrado eficaz em 90% dos pacientes.
Abordagem personalizada para idosos
Para os idosos, especialmente aqueles com mais de 80 anos, o tratamento medicamentoso deve ser iniciado de forma mais gradual. O risco de quedas devido a possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, como a hipotensão (queda excessiva da pressão), é uma preocupação central. Por isso, a abordagem nesses casos é menos agressiva, buscando manter uma boa circulação sanguínea e priorizar a qualidade de vida.
Diagnóstico mais preciso com monitorização contínua
Uma única medição no consultório não é suficiente para diagnosticar hipertensão, segundo as novas diretrizes. Recomenda-se a monitorização ambulatorial (MAPA) ou residencial (MRPA), que oferece uma visão mais precisa da pressão ao longo do dia e da noite. Isso ajuda a identificar variações que podem não ser detectadas em uma única consulta.
“A medição da pressão no consultório funciona como uma ‘fotografia’, enquanto a monitorização contínua oferece um ‘filme’ do comportamento da pressão arterial, ajudando no diagnóstico mais preciso”, explica Carlos Alberto Machado.
Métodos de medicação
MRPA (Medida Residencial da Pressão Arterial)
Mede a pressão em casa, durante o dia, com o uso de aparelhos automáticos de medição(medidores digitais).
Dá uma ideia melhor da pressão no cotidiano, fora do ambiente do consultório, mas não inclui o período noturno.
Ajuda a entender a pressão ao longo do dia e a evitar leituras erradas causadas pelo efeito “jaleco branco”, ou seja, o estresse de estar no consultório médico.
MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial)
Monitora a pressão ao longo de 24 a 48 horas, incluindo durante a noite, com um aparelho de monitorização ambulatorial, que é portátil e permanece acoplado ao braço do paciente durante todo o período.
É mais completa, pois mostra o comportamento da pressão durante o sono, quando a pressão deve naturalmente cair.
Se a pressão não baixa à noite ou aumenta ao despertar, o risco de problemas cardiovasculares é maior.
Estratégias não farmacológicas continuam fundamentais
Além do uso de medicamentos, o controle da hipertensão também depende de mudanças no estilo de vida. Exercícios físicos e uma alimentação equilibrada são essenciais para manter a pressão arterial sob controle.
A prática regular de exercícios aeróbicos, como corrida, natação e ciclismo, combinados com atividades de resistência, como musculação, é recomendada. A intensidade moderada desses exercícios, realizada várias vezes por semana, é a ideal, permitindo que a pessoa consiga falar durante o esforço.
Alimentação e controle do sódio
Outro ponto crucial no controle da hipertensão é a alimentação. A redução do consumo de sódio, principal componente do sal de cozinha, continua sendo uma recomendação forte. O consumo máximo diário de sódio deve ser de 2g, o equivalente a 5g de sal de cozinha. Alimentos ricos em potássio, magnésio e fibras, como frutas, vegetais, cereais integrais e leguminosas, são recomendados por ajudarem a controlar a pressão.
“O potássio é especialmente importante porque ajuda a eliminar o excesso de sódio pelos rins, além de promover o relaxamento dos vasos sanguíneos”, afirma a nutróloga Marcella Garcez, da Associação Brasileira de Nutrologia.
Impacto global da hipertensão
A hipertensão é uma das principais causas de morte e invalidez no mundo. O aumento global no número de casos, que dobrou de 650 milhões para 1,3 bilhão entre 1990 e 2019, reflete a necessidade urgente de ações mais eficazes no diagnóstico e tratamento da doença. As novas diretrizes europeias visam justamente enfrentar essa epidemia silenciosa com uma abordagem mais agressiva e personalizada, que já está influenciando revisões nas diretrizes brasileiras, previstas para o início do próximo ano.
Essas mudanças, segundo especialistas, têm o potencial de salvar vidas ao garantir que mais pessoas alcancem um controle eficaz da pressão arterial e, com isso, reduzam os riscos de doenças cardíacas, derrames e outras complicações graves.
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