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Viver Bem

Anvisa proíbe “chips da beleza” após denúncias de complicações e mortes

Proibição preventiva é aplicada a todas as farmácias de manipulação, espaços onde os produtos eram fabricados

Publicado em 03/11/2024 10:05 - Semana On

Divulgação Reprodução ICL

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta semana, a proibição da manipulação, comercialização e propaganda dos chamados “chips da beleza” — implantes hormonais manipulados que se popularizaram como uma alternativa para fins estéticos, prometendo benefícios como emagrecimento e aumento da massa muscular. A decisão, de caráter preventivo, atinge diretamente as farmácias de manipulação, principais locais de fabricação do produto.

A medida da Anvisa surge após denúncias apresentadas por associações médicas, que relatam sérias complicações de saúde e, inclusive, casos de óbito associados ao uso desses implantes. De acordo com dados da plataforma Vigicom Hormônios, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pelo menos duas mortes já foram relacionadas ao uso dos chips hormonais. Além disso, 257 pessoas teriam sofrido complicações médicas, que variam de alterações cardiovasculares a problemas dermatológicos.

Preocupações e riscos

Os implantes hormonais, que combinam substâncias como gestrinona, testosterona, estradiol e oxandrolona, tornaram-se alvo de preocupação para entidades de saúde. Embora não sejam aprovados pela Anvisa para tratamento estético ou hormonal, os chips continuavam a ser comercializados em farmácias de manipulação sem a devida regulamentação. Esses produtos não passaram pelo processo formal de avaliação de segurança e eficácia exigido para medicamentos e tratamentos no Brasil.

Entre as complicações relatadas pelos usuários — em sua maioria, mulheres — estão aumento do colesterol e triglicerídeos, hipertensão arterial, arritmias cardíacas, aumento de acne, insônia e, em casos extremos, acidente vascular cerebral (AVC). “É alarmante que produtos com tamanho potencial de risco estejam sendo manipulados sem qualquer controle rigoroso”, comentou uma fonte médica ligada à SBEM.

Histórico e fiscalização

A Anvisa afirma que monitora os implantes hormonais desde 2021, ano em que proibiu a propaganda pública de produtos que contenham a gestrinona, um dos hormônios mais comuns nestes implantes. A medida buscava limitar a exposição do público a produtos que, sem respaldo científico, eram apresentados como soluções estéticas. Segundo a agência, a decisão atual reforça a posição de que qualquer substância hormonal manipulada precisa passar por avaliação de segurança e eficácia antes de ser disponibilizada para o público.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também já havia solicitado que a Anvisa intensificasse a fiscalização e considerasse a proibição da venda desses produtos. Em uma resolução recente, o CFM orientou médicos a não indicarem substâncias hormonais manipuladas para finalidades estéticas, destacando os riscos associados ao uso indiscriminado de hormônios.

Orientações aos usuários

A Anvisa ainda orienta que os usuários que experimentarem reações adversas, como sintomas cardiovasculares ou problemas dermatológicos, registrem a ocorrência na plataforma oficial da agência. O canal está disponível no site gov.br/anvisa e permite que pacientes relatem suas experiências, ajudando a compor um panorama mais preciso sobre o impacto desses produtos na saúde pública.

A decisão, embora comemorada por especialistas em endocrinologia e saúde pública, também levanta o debate sobre o acesso e o uso de substâncias hormonais sem comprovação científica para fins estéticos. O caso dos “chips da beleza” evidencia um conflito entre a busca pela estética e os limites da segurança, reforçando a necessidade de maior controle e orientação para a população sobre os riscos do uso inadequado de hormônios.

Acompanhamento necessário

A Anvisa ressalta que a proibição é preventiva e que as investigações seguem em andamento, com análises que podem levar a sanções adicionais caso o uso de implantes hormonais manipulados persista no mercado. A decisão marca um passo importante para a regulamentação de produtos que prometem soluções estéticas rápidas, mas podem trazer sérias implicações para a saúde dos usuários.


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