21/02/2024 - Edição 525

Viver Bem

A crise dos personal trainers

Publicado em 03/03/2016 12:00 -

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Com a taxa de desemprego beirando os 10%, personal trainers perdem alunos, reduzem preços e apelam para aulas coletivas.

Assim como outros profissionais liberais, os treinadores pessoais –segmento que viu seu público inflar nos últimos dez anos, na esteira do crescimento econômico e da crescente preocupação com a saúde e o corpo– começam a buscar alternativas para a queda na demanda.

"Não tenho como te dar um número, mas houve uma retração considerável na procura por personal e por outros atendimentos individualizados. É uma queixa da categoria que estamos tentando driblar coletivamente", diz Marcos Tadeu, diretor da Sociedade Brasileira de Personal Trainers.

Segundo Tadeu, treinadores têm sugerido que seus alunos migrem para academias mais baratas ou mesmo para a academia do prédio a fim de manter os serviços reduzindo os custos. "É mais importante ter acompanhamento do que equipamentos mais caros, então muita gente está saindo da academia e malhando num parque com o personal, por exemplo."

Outra alternativa tem sido as aulas coletivas para pequenos grupos. Em 2015, a treinadora Nancy Cardozo viu sua agenda de dez alunos por semana minguar para apenas quatro. "Alguns perderam o emprego, outros tiveram que reduzir gastos por conta da crise ou porque o parceiro ficou desempregado", explica.

Na hora, Cardozo recorreu à sua fila de espera, mas logo constatou que ela já não existia e teve de se adaptar. "Primeiro, eu reduzi o preço da minha hora/aula de R$ 150 para R$ 120. Em seguida, baixei novamente, dessa vez para R$ 100. Mais do que isso eu não estou disposta, desvaloriza a profissão", diz.

A solução de Cardozo foi montar pequenas turmas de até seis pessoas que ela atende na sala de ginástica de seu prédio, no Morumbi. As aulas duram meia hora e seguem o método High Intensive Tranining (HIT), que trabalha com séries vigorosas por um curto período de tempo. O preço: R$ 50 por aula para cada pessoa.

Hoje ela atende três turmas que se exercitam três vezes por semana cada e apenas uma aluna com atendimento individualizado.

"Para quem faz musculação tradicional, faz toda a diferença ter uma pessoa ali na sua cola, acompanhando cada movimento. Mas existem outros exercícios que podemos fazer em grupo sem nenhuma perda para o aluno", defende Cardozo.

Para Tadeu, a aula em pequenos grupos só traz benefícios. "É mais motivante para o aluno e o valor fica mais viável para os dois lados. Mas não dá para confundir um pequeno grupo de cinco em que o professor realmente tem condições de corrigir a postura de todo mundo com um aulão de academia, onde as pessoas costumam fazer tudo errado e até se lesionam."

Entre os exercícios que podem ser feitos em pequenos grupos sem prejuízos estão os treinamentos de alta intensidade, o pilates e a ioga.

A arquiteta Renata Lima, 42, fazia ioga com uma professora particular há cinco anos. Em janeiro, decidiu reduzir gastos propondo que as aulas incluíssem mais dois vizinhos. "Era melhor fazer sozinha porque os meus avanços ditavam o ritmo da aula, mas chegou a um ponto que era isso ou fazer numa academia de ioga com outras dez pessoas na sala", diz.

Para encontrar mais interessados, ela colocou avisos no elevador do prédio, em Pinheiros. "Um dos vizinhos é um rapaz que já fazia ioga em grupo, a outra uma moça que nunca tinha feito nada. Nossa turma é básico/intermediário/avançado num combo só", brinca. Os custos foram reduzidos de R$ 90 por aula para R$ 45 por pessoa.


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