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Tecnologia

Geração Beta: os filhos da Inteligência Artificial

Nova geração nasce imersa em IA e deve enfrentar mudanças climáticas, economia incerta e um mundo mais velho

Publicado em 23/03/2025 11:00 - Semana On

Divulgação Gov MS

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O ano de 2025 marca o nascimento da chamada Geração Beta, composta por indivíduos que virão ao mundo entre 2025 e 2039. Filhos diretos dos Millennials (1980-1994) e da Geração Z (1995-2009), esses jovens crescerão em uma sociedade altamente digitalizada, onde a inteligência artificial (IA) e a automação estarão profundamente integradas à vida cotidiana. Segundo um estudo da consultoria australiana McCrindle, essa geração representará 16% da população mundial até 2035 e deve viver para ver a virada do século.

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A vida dos Betas será moldada por tecnologias hoje emergentes, mas que estarão amplamente difundidas nos próximos anos: transporte autônomo, inteligência artificial generativa, realidades imersivas e biotecnologia avançada. No entanto, também enfrentarão desafios significativos, como sucessivas crises climáticas, mudanças demográficas profundas e um mundo cada vez mais desigual.

O impacto da inteligência artificial no desenvolvimento social

Se a Geração Z foi marcada pelo crescimento das redes sociais e os Alfa pelos mundos virtuais, como Minecraft e Roblox, os Betas podem ser os primeiros a interagir rotineiramente com personalidades e assistentes de IA com capacidades avançadas de comunicação. O impacto dessas relações virtuais no desenvolvimento social dessas crianças é uma questão ainda sem resposta clara.

A psicóloga Jean Twenge, autora do livro Generations: The Real Differences Between Gen Z, Millennials, Gen X, Boomers and Silents, alerta para o risco de os Betas viverem em uma realidade onde é comum se relacionar afetivamente com personagens gerados por IA. Em entrevista ao portal Axios, Twenge afirma que a influência da tecnologia sobre as relações interpessoais pode gerar impactos profundos no desenvolvimento emocional e na socialização dessa geração.

No entanto, o mesmo estudo da McCrindle destaca que os pais dos Betas – que cresceram conscientes dos impactos negativos do excesso de tecnologia – podem buscar um equilíbrio entre o digital e o mundo real, incentivando atividades ao ar livre e interações sociais presenciais.

Uma geração moldada pela crise climática e a incerteza econômica

A Geração Beta crescerá em um período de profundas transformações ambientais e econômicas. Eventos climáticos extremos se tornarão mais frequentes, e a rápida urbanização trará desafios relacionados a recursos naturais, infraestrutura e qualidade de vida.

A consultoria McCrindle prevê que esses jovens serão mais conscientes ambientalmente e economicamente do que seus antecessores, devido à crise climática e às dificuldades econômicas enfrentadas por seus pais. “A Geração Beta será moldada por pais que, de várias formas, viveram desafios econômicos e sociais”, explica a consultoria. “E isso cria uma resiliência, uma capacidade de responder a tempos incertos, mas com uma visão conservadora – um desejo de economizar, um desejo de reutilizar, um foco não só no crescimento e em mais acumulação.”

Essa mudança de mentalidade pode impactar diretamente o consumo e a economia global, reforçando um movimento de sustentabilidade e economia compartilhada, com maior valorização da reutilização de produtos e do consumo consciente.

O envelhecimento da população e a sustentabilidade demográfica

Outro desafio crítico que os Betas enfrentarão é a mudança demográfica mundial. A população global está envelhecendo rapidamente, as taxas de fertilidade estão em queda e a expectativa de vida continua aumentando. Até meados do século, muitos países não estarão mais discutindo superpopulação, mas sim sustentabilidade populacional – ou seja, como manter uma economia ativa em um mundo onde há mais aposentados do que trabalhadores ativos.

Países como Japão, Alemanha e Itália já lidam com esse fenômeno e podem servir como um termômetro para o futuro. Nações emergentes, como Brasil e China, também verão suas populações envelhecerem de forma acelerada, tornando urgente a necessidade de reformular modelos previdenciários e o próprio conceito de trabalho.

A ascensão da IA e da automação pode amenizar esse impacto, permitindo que um número menor de trabalhadores ativamente empregados sustente uma economia ainda produtiva. No entanto, também há o risco de uma crise do desemprego tecnológico, onde muitas profissões simplesmente deixem de existir, tornando necessário repensar os sistemas de proteção social e as formas de distribuição de renda.

As gerações e a fluidez do tempo

Embora a categorização das gerações seja um recurso sociológico útil para compreender tendências, há quem critique a ideia de dividir a sociedade estritamente em grupos etários. Como argumentam diversos especialistas, fatores como acesso à tecnologia, contexto social e nível educacional têm um peso tão relevante quanto a idade na formação de identidade e comportamento.

A grande questão que se impõe é: os Betas serão a primeira geração inteiramente imersa em um mundo de IA. Mas até que ponto essa transformação será libertadora ou aprisionadora? Se, por um lado, a tecnologia promete avanços sem precedentes na educação, saúde e qualidade de vida, por outro, a alienação digital e o distanciamento das interações humanas tradicionais são riscos reais.

O que é certo é que a Geração Beta crescerá em um mundo completamente diferente de seus antecessores. Mas, assim como todas as gerações anteriores, seu maior desafio será encontrar um equilíbrio entre tecnologia, humanidade e os desafios que moldarão o século XXI.

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