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Tecnologia

Crimes cibernéticos em queda?

Avanço ou mudança de estratégia dos criminosos?

Publicado em 19/03/2025 11:51 - Semana On

Divulgação Joédson Alves - Agência Brasil

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O Brasil registrou uma redução de 33% nas denúncias de crimes cibernéticos em 2024, conforme dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet. No total, foram contabilizadas 100.077 novas ocorrências, uma queda significativa em relação a 2023. Contudo, especialistas alertam: o número menor de registros não significa que a criminalidade virtual diminuiu.

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“Esse dado [de 2024] é o quarto maior da série histórica, ou seja, ainda é um número muito expressivo”, destacou Thiago Tavares, presidente da SaferNet. A mudança pode estar associada a novas estratégias dos criminosos, que passaram a operar em espaços fechados, como grupos privados em aplicativos de mensagens, tornando as denúncias mais difíceis. “Se você é membro de um grupo, dificilmente vai denunciá-lo, pois já se interessa pelo conteúdo que circula ali”, explicou Tavares.

Outra tendência preocupante é o uso das redes sociais como iscas para atrair vítimas para esses espaços fechados. Em vez de divulgar conteúdos ilegais diretamente, os criminosos utilizam plataformas populares para conduzir os usuários a ambientes onde materiais ilícitos são vendidos e compartilhados livremente.

Crimes de ódio na internet: uma trégua eleitoral?

O levantamento da SaferNet também revelou uma queda de 49% nas denúncias de crimes de ódio em 2024, incluindo racismo, intolerância religiosa, xenofobia, neonazismo, LGBTfobia e misoginia. Pela primeira vez desde 2018, um ano eleitoral registrou redução nesse tipo de crime em relação ao ano anterior.

A explicação pode estar na natureza das eleições municipais, que são mais fragmentadas e regionais. “Nas eleições gerais, que incluem disputa para a Presidência e o Congresso Nacional, há um aumento na disseminação de discursos de ódio. Já nas eleições locais, esses conteúdos ficam mais restritos a grupos fechados, como no WhatsApp”, pontuou Tavares.

Embora a redução seja um dado positivo, não há garantia de que a tendência se manterá. O Brasil já demonstrou, em pleitos anteriores, que momentos de polarização política costumam alimentar discursos extremistas e ataques virtuais.

O impacto da internet na saúde mental

O uso excessivo da internet e a exposição a conteúdos prejudiciais vêm impactando a saúde mental de muitos brasileiros. O Helpline, canal de ajuda da SaferNet, registrou um aumento de 79% no atendimento de pessoas com sofrimento psíquico relacionado ao ambiente digital.

Entre as principais queixas estão a exposição de imagens íntimas, problemas com dados pessoais, fraudes financeiras e ataques de violência online. Os atendimentos ligados a questões de saúde mental ocupam agora o terceiro lugar no ranking da SaferNet, ficando atrás apenas das denúncias sobre exposição indevida e roubo de dados.

A crescente vulnerabilidade emocional diante do mundo digital acende um alerta. O ambiente virtual pode ser tanto um espaço de conexão quanto um gatilho para transtornos psicológicos. “O que nós fazemos é acolher esse usuário e orientá-lo sobre onde buscar ajuda para aquela situação concreta”, esclareceu Tavares.

Fraudes no comércio eletrônico: um novo campo de batalha digital

Enquanto os crimes cibernéticos se sofisticam, o comércio eletrônico brasileiro segue crescendo a passos largos. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor deve movimentar R$ 224,7 bilhões em 2025, um aumento de 10% em relação ao ano passado. Porém, essa expansão vem acompanhada de desafios.

A estudante e professora Daniele Dias, de Brasília, é um exemplo dos consumidores que caíram em golpes no e-commerce. Após gastar mais de R$ 350 em roupas para dança, teve sua compra ignorada pela loja virtual. Após semanas de tentativas frustradas de contato, precisou recorrer ao Procon, onde conseguiu a devolução do dinheiro.

Casos como o de Daniele são comuns. Segundo Igor Marchetti, advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o descumprimento de oferta é um dos problemas mais recorrentes no comércio eletrônico. “No ano passado, um terço das demandas foram relacionadas a não entrega de produtos. Isso gera enorme frustração nos consumidores”, destacou.

Além disso, há um aumento preocupante nos chamados “vícios de produtos”, quando itens adquiridos online apresentam defeitos ou não correspondem à descrição original. O professor de direito Nauê Bernardo, do Centro Universitário de Brasília, alerta sobre outro problema: falsos marketplaces que se passam por lojas legítimas e aplicam golpes.

Como se proteger de armadilhas no comércio eletrônico

Diante do aumento das fraudes, especialistas sugerem algumas medidas para evitar problemas em compras online:

Segurança

Escolha sites confiáveis: Procons divulgam anualmente listas de empresas não recomendadas.
Pesquise a reputação da empresa: Avaliações na internet são um bom termômetro, mas desconfie de elogios excessivos.
Cuidado com ofertas irreais: Se o preço estiver muito abaixo do mercado, há grande chance de golpe.

Preços

Evite compras no fim de semana: Os preços costumam ser mais altos nesse período.
Use navegador anônimo: Isso pode evitar que sites ajustem preços com base no seu histórico de navegação.
Deixe o produto no carrinho por alguns dias: Algumas lojas oferecem cupons de desconto para incentivar a finalização da compra.

Problemas comuns e como agir

Se não receber o produto, denuncie no Procon ou no consumidor.gov.br.
Se identificar um golpe, notifique a operadora do cartão para tentar cancelar a compra.
Se o problema persistir, procure o Juizado Especial Cível. Para compras de até 20 salários mínimos, não é necessária a presença de advogado.

Desafios digitais e a busca por direitos

A era digital trouxe incontáveis facilidades, mas também impôs novos riscos e desafios. A redução de denúncias de crimes cibernéticos e de ódio não significa que o problema está resolvido. Na verdade, as ameaças evoluíram e se tornaram mais difíceis de detectar.

Ao mesmo tempo, o crescimento do comércio eletrônico trouxe benefícios para o consumidor, mas também facilitou fraudes. Como destacou Nauê Bernardo, há uma ausência de proteção digital eficaz no Brasil: “Associando isso ao autêntico faroeste digital que nós temos em relação aos nossos dados pessoais, há um cenário muito próprio para esse tipo de fraude”.

Para enfrentar esses desafios, é fundamental que consumidores estejam informados sobre seus direitos e saibam como agir diante de problemas. Além disso, especialistas defendem a inclusão de educação digital nas escolas e campanhas informativas para públicos vulneráveis, como idosos e pessoas com menor acesso à internet.

A luta por um ambiente digital mais seguro passa pela fiscalização eficiente, pela responsabilização de criminosos virtuais e pelo empoderamento do consumidor. Em um cenário onde os criminosos se adaptam rapidamente, a informação continua sendo a melhor ferramenta de defesa.

Denúncias

Denúncias sobre crimes cibernéticos envolvendo, por exemplo, casos de abuso, exploração sexual infantil e crimes de ódio na internet podem ser feitas por meio da Central Nacional de Denúncias da Safernet Brasil.

Para denunciar, basta copiar e colar no formulário o link da página, grupo, comunidade, canal ou qualquer outro conteúdo que se suspeita que seja criminoso. A SaferNet informa que a central permite o total anonimato dos denunciantes.

“Se você estiver navegando na internet, em algum grupo de Telegram, de WhatsApp, na web aberta, numa rede social ou qualquer outro site, e você identificar algum conteúdo com imagem de abuso sexual infantil ou imagem neonazista promovendo a incitação à violência contra a pessoa por sua cor, etnia, religião, gênero, ou orientação sexual, não ignore. Denuncie. Isso pode ser feito anonimamente através do endereço www.denunciar.org.br. Basta copiar e colar o link da página ou do grupo e clicar em denunciar”, finalizou Tavares.

PARA NÃO ESQUECER


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