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Tecnologia

Crimes digitais superam furtos e roubos tradicionais

Mais de 56 milhões de brasileiros já foram vítimas, aponta Datafolha

Publicado em 15/08/2025 10:05 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Os crimes digitais ultrapassaram, em volume e impacto, os crimes patrimoniais tradicionais no Brasil. É o que revela uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado em Manaus. Os números escancaram uma mudança de paradigma na criminalidade brasileira: o perigo, cada vez mais, está na tela do celular.

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Segundo o levantamento, 33% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam ter sido vítimas de golpes digitais no último ano. Isso equivale a cerca de 56 milhões de pessoas — número superior à população inteira do estado de São Paulo. Em comparação, os crimes patrimoniais com interação física — como furtos, roubos e assaltos — afetaram 22% da população, ou cerca de 37 milhões de brasileiros.

A disparidade se amplia ainda mais quando entram em cena as tentativas de golpe: 36% dos entrevistados relataram ter recebido contatos suspeitos, como telefonemas, mensagens ou chamadas de vídeo, mesmo que não tenham sido enganados. Isso representa 61 milhões de brasileiros abordados por criminosos digitais em um período de apenas 12 meses.

Além da escala, chama atenção a sofisticação crescente das fraudes virtuais. Os golpistas conseguem, por exemplo, emular números de instituições bancárias para enganar as vítimas. Um dos modos de operação mais comuns envolve a clonagem de números de atendimento ao cliente, o que confere credibilidade à abordagem criminosa.

Esses crimes deixaram de ser ações isoladas para se tornar parte de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas: há quem roube o celular nas ruas, quem compre esses aparelhos no mercado ilegal e quem atue diretamente nos esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. Os grupos contam com especialistas em segurança digital e em métodos para driblar os sistemas de autenticação das vítimas.

O desafio para o poder público é proporcional à complexidade do problema. As polícias militares, por exemplo, treinadas historicamente para o policiamento ostensivo, enfrentam dificuldades para atuar em um ambiente de crime altamente tecnológico. A velocidade com que o crime digital se adapta é muito maior que o ritmo de transformação das estruturas de segurança pública.

Outro fator que alimenta esse cenário é a massificação do acesso à internet móvel no país. De acordo com a pesquisa, 85% da população brasileira possui ao menos um celular conectado à internet. Outros estudos citados indicam que há, em média, 1,2 aparelhos por habitante no país — o que amplia significativamente a superfície de ataque para os criminosos.

Em resumo, os dados expõem uma nova era da criminalidade, em que o maior risco pode não estar mais na rua, mas no bolso — dentro do próprio smartphone.

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