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Saúde
Impacto econômico anual ultrapassa R$ 10 bilhões e reforça urgência de políticas públicas para alimentação saudável
Publicado em 25/11/2024 3:14 - Semana On
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Um levantamento inédito da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) revela que, no Brasil, uma em cada dez mortes pode ser atribuída ao consumo de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, macarrão instantâneo e bolachas recheadas. O estudo, divulgado no último dia 21, aponta que esses produtos são responsáveis por 57 mil óbitos anuais, o equivalente a seis mortes por hora. Além disso, os custos econômicos relacionados a essas mortes chegam a R$ 10,4 bilhões ao ano.
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De acordo com o pesquisador Eduardo Nilson, da Fiocruz Brasília e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP), os números são conservadores. “São valores subestimados, focados apenas nas doenças com evidências mais robustas. Com dados de outras comorbidades, o custo seria bem maior”, explica Nilson.
O estudo, solicitado pela ACT Promoção da Saúde, também destaca que o impacto econômico equivale ao dobro do orçamento anual do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) ou 300 vezes o orçamento do programa Cozinhas Solidárias.
Principais custos e dados alarmantes
Os custos incluem R$ 933,5 milhões gastos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) com tratamentos hospitalares, ambulatoriais e medicamentos relacionados a obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão. Além disso, a perda de produtividade devido à morte precoce de pessoas em idade produtiva representa uma perda de R$ 9,2 bilhões.
O impacto também varia entre gêneros: os custos com a morte de homens somam R$ 6,6 bilhões, ante R$ 2,6 bilhões entre mulheres. Segundo Nilson, a diferença reflete um menor cuidado masculino com a saúde, enquanto as mulheres buscam mais diagnósticos e tratamentos.
Regionalmente, sete estados superam a média nacional de mortes atribuídas aos ultraprocessados, com destaque para o Rio Grande do Sul (13%), Santa Catarina (12,5%) e São Paulo (12,3%). Segundo os pesquisadores, fatores como maior renda e a presença de desertos alimentares — áreas com acesso limitado a alimentos saudáveis — ajudam a explicar esses dados.
Reforma tributária e políticas públicas
Para Marília Albiero, coordenadora de Inovação e Estratégia da ACT Promoção da Saúde, a reforma tributária em curso no Brasil é uma oportunidade de reduzir o consumo de ultraprocessados por meio de políticas como o Imposto Seletivo. Essa tributação, prevista apenas para refrigerantes no texto atual, poderia ser estendida a outros ultraprocessados, enquanto alimentos in natura deveriam ter impostos zerados.
“Tributar reduz o consumo dos ultraprocessados, impactando nos gastos do SUS e promovendo financiamento para iniciativas como o combate à fome e melhorias na biodiversidade”, argumenta Albiero. Ela critica, porém, a pressão de setores varejistas e agrícolas que impedem medidas mais abrangentes: “O Brasil não pode combater a fome com ultraprocessados que geram novos problemas de saúde.”
Urgência de ações
Dados do IBGE de 2017-2018 apontam que quase 20% das calorias consumidas pelos brasileiros vêm de ultraprocessados. Entre crianças menores de 5 anos, essa parcela é ainda maior, chegando a 25%, segundo pesquisa da UFRJ. Para Nilson, esses números reforçam a necessidade de medidas como rotulagem nutricional, regulação de marketing e tributação para reduzir o impacto na saúde pública.
“O consumo de ultraprocessados gera uma carga epidemiológica e econômica alarmante. São necessárias políticas públicas integradas para proteger a população, especialmente as crianças, desse tipo de alimentação”, conclui o pesquisador.
O estudo da Fiocruz lança um alerta: a alimentação dos brasileiros está sendo moldada por produtos que não apenas prejudicam a saúde individual, mas comprometem os recursos econômicos e sociais do país.
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