22/02/2024 - Edição 525

Saúde

Saúde amplia para 6 mil número de primeiras vagas no novo Mais Médicos

Médicos enviados pelo programa para terras indígenas contam suas histórias

Publicado em 30/03/2023 3:11 - RBA, Alessandra Monterastelli (Outra Saúde), Paula Laboissière (Agência Brasil) - Edição Semana On

Divulgação EBC/TV Brasil

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A ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou que o número de vagas abertas ainda no primeiro edital do Programa Mais Médicos será ampliado em mil postos. Com isso, serão ofertadas imediatamente 6 mil vagas para profissionais atuarem na atenção primária à saúde da população em todo o Brasil. A ministra anunciou a expansão em debate na 24ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.

“Nós pactuamos na Comissão Tripartite o Mais Médicos com todas as inovações que pudemos associar pela avaliação e experiência. Infelizmente, nós tínhamos brasileiros fora dessa cobertura no país, o que ocasionou retrocessos importantes nesse programa. E com o relançamento, nós vamos abrir seis mil vagas. Anunciamos (na semana passada) cinco mil, mas vai ser possível, neste momento, ampliar para seis mil vagas”, afirmou.

O programa foi relançado no último dia 20 sob a meta de expandir de 13 mil para 28 mil o número de profissionais em atendimento pelo país, com investimento de R$ 712 milhões. Atualmente, são 18 mil vagas – 13 mil profissionais estão atuando e 5 mil postos estão desocupados. A meta do governo, – agora ampliada em mais mil vagas –, era repor esses postos com um edital. E, além disso, criar mais 10 mil novas vagas ainda neste ano.

Mais Médicos e a atenção primária

Esses postos serão oferecidos em formato de contrapartida dos municípios. Um modelo que garante às prefeituras menor custo, viabilizações de contratações, maior agilidade na reposição do profissional e permanências nas localidades. Ao todo, 16 mil vagas no Mais Médicos devem ser abertas ao longo de 2023.

Durante a Marcha, Nísia defendeu o Movimento Nacional pela Vacinação e destacou que o governo federal pretende fazer investimentos importantes na atenção primária à saúde e no cuidado integral – onde atuam os profissionais do Mais Médicos, principalmente em áreas de extrema pobreza – para reduzir as hospitalizações de longo prazo.

O governo federal avaliou que a Atenção Básica carece hoje de 100 mil médicos especialistas em saúde da família e que hoje a maioria desses profissionais no sistema público são recém-formados.

Para isso, o ministério da Saúde está contando com o retorno do programa Mais Médicos, que irá oferecer pós-graduação em medicina da família e comunidade e mestrado profissional.

Quem atuar quatro anos no programa poderá fazer a prova de título da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade para obter o certificado de especialista sem necessidade de fazer residência médica.

Segundo a Secretária Nacional de Atenção Primária à Saúde, o objetivo é garantir uma qualificação mais robusta dos profissionais atuantes na área.

“Estou concretizando um sonho”, diz clínico que integrará Mais Médicos

Em 2007, Rosivanio de Lima Pereira Kaxinawá, 34 anos, deixou a aldeia indígena onde vivia, no Acre, para cursar a Escola Latino-Americana de Medicina, em Cuba. Com especialização em medicina da família, ele integra atualmente uma equipe de 117 profissionais de saúde enviados a 29 distritos sanitários especiais indígenas, incluindo o Território Yanomami, que enfrenta situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional.

“Sei da realidade do meu povo, do sofrimento que é ir para a cidade e pegar uma ficha de saúde às 3h da manhã para ser atendido. Hoje, podemos levar atendimento para dentro da comunidade, para que o indígena não saia da sua aldeia. Já é um grande fato. Podemos contribuir e melhorar nesse sentido”, acrescentou.

O cubano naturalizado brasileiro Osmel Gonçalves Corona, 34 anos, é especialista em clínica geral, formado pela Universidade de Ciências Médicas de Havana. Enviado pelo Ministério da Saúde ao Distrito Sanitário Especial Indígena Litoral Sul, ele vai atender uma área que inclui aldeias ao longo dos estados do Paraná, Rio de Janeiro e de São Paulo. O profissional trabalha com povos indígenas desde a chegada ao país, em 2017.

“Estou concretizando um sonho. A gente sempre quer levar um atendimento de qualidade, ajudar as pessoas que precisam, que estão em um lugar onde é muito difícil fixar um profissional e a gente ficar lá para ajudar, para mostrar que tem capacidade para ajudar com os problemas de saúde deles. Muitas dessas comunidades estão desassistidas, sem profissionais há muito tempo.”

“Nunca pensei em trabalhar com povos indígenas. No meu país, temos uma formação diferente, não temos essa população indígena. Está sendo uma experiência muito bonita”, disse. “Na minha chegada ao Brasil, fui trabalhar no distrito sanitário especial indígena de Tocantins, em 2017. Estive lá por dois anos. Depois, trabalhei dois anos em outro distrito. Agora, estou indo para o Distrito Especial Indígena Litoral sul”, concluiu.

Entenda

O envio dos 117 profissionais para distritos indígenas de todo o país acontece no âmbito do programa Mais Médicos pelo Brasil, relançado pelo governo federal na última segunda-feira (20). Na semana passada, a pasta realizou um evento de recepção aos novos profissionais, que foram apresentados às secretarias de atenção primária à saúde e de saúde indígena. Atualmente, os 34 distritos do país contam com 227 profissionais em atuação.

Rebatizado de Mais Médicos para o Brasil, o programa, criado em 2013 e marcado pela contratação de médicos cubanos, passa a incluir outras áreas de saúde, como dentistas, enfermeiros e assistentes sociais, e promete priorizar profissionais brasileiros.

Do total de novas vagas para este ano, 5 mil serão abertas por meio de edital já neste mês de março. As outras 10 mil serão oferecidas em formato que prevê contrapartida de municípios, o que, de acordo com o governo federal, garante às prefeituras menor custo, maior agilidade na reposição do profissional e condições de permanência nessas localidades. O investimento é de R$ 712 milhões por parte da União apenas em 2023.

Emergência yanomami

Há dois meses, o ministério atua em terras yanomami em razão da situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional por desassistência na região. As ações incluem a instalação de um Centro de Operações de Emergência local e nacional, o envio de agentes de controle de endemias e de voluntários da Força Nacional do Sistema Único de Saúde e melhorias na infraestrutura dos polo base e da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Boa Vista.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 9,4 mil atendimentos aos indígenas já foram realizados nesse período. Atualmente, a Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) tem 30 crianças com desnutrição grave em acompanhamento e 36 com desnutrição moderada.

De acordo com a pasta, mais de 30,4 mil habitantes vivem no Território Indígena Yanomami.


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