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Saúde
Pesquisadores testam spray nasal para o tratamento da doença
Publicado em 13/10/2024 9:50 - ICL Notícias – Edição Semana On
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Novas pesquisas sugerem que a análise de microRNA no sangue pode se tornar uma ferramenta eficaz para identificar o Alzheimer em seu estágio inicial. Segundo os autores dos estudos, o diagnóstico precoce é crucial para impedir a progressão da doença e aumentar a eficácia dos tratamentos disponíveis. No entanto, as pesquisas ainda estão em fase preliminar.
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Atualmente, o diagnóstico de Alzheimer segue um processo que começa com a confirmação de demência por meio de sinais clínicos, como problemas de memória e linguagem, de acordo com Claudia Suemoto, professora da Universidade de São Paulo (USP). A partir daí, são realizados exames para descartar causas reversíveis da perda cognitiva, como exames de neuroimagem e sangue. Somente após essa exclusão, testes de biomarcadores são realizados para investigar o Alzheimer.
Entre os principais biomarcadores da doença estão as proteínas beta-amiloide e tau, associadas à neurodegeneração no cérebro. Contudo, esses testes ainda são caros e restritos a poucos laboratórios no Brasil, dificultando o acesso da população em geral, aponta Suemoto.
Novos estudos, conduzidos por pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha, investigam uma alternativa promissora: os microRNAs plasmáticos (miRNAs). Essas moléculas, que regulam a expressão genética, estão ligadas ao desenvolvimento da neurodegeneração e podem ser detectadas no sangue anos antes das proteínas beta-amiloide e tau.
A pesquisa utilizou dados de mais de 800 pacientes do Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative, um estudo global sobre a doença. A análise identificou nove miRNAs associados à presença de beta-amiloide, dois à tau e oito relacionados à neurodegeneração. Esses achados foram publicados na revista científica Alzheimer’s & Dementia.
Em uma segunda fase, amostras de plasma de mais de 800 indivíduos – entre saudáveis, com comprometimento cognitivo leve e com demência – foram analisadas. Os resultados mostraram que a combinação dos testes de miRNA com avaliações neuropsicológicas aumentou a precisão no diagnóstico e ajudou a identificar corretamente o estágio de evolução da neurodegeneração.
Ivan Okamoto, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein, pondera que, apesar dos avanços, ainda é necessário validar essas metodologias, principalmente os exames de sangue, no contexto brasileiro. “A maioria das pesquisas é feita na Europa e nos Estados Unidos, e é fundamental garantir que esses resultados sejam aplicáveis à nossa população”, alerta.
Além disso, os pesquisadores destacam que, mais importante que o diagnóstico, é a prevenção da doença. Segundo Suemoto, eliminar 14 fatores de risco pode reduzir pela metade o risco de Alzheimer. Entre esses fatores estão a educação, depressão, obesidade, tabagismo, hipertensão, diabetes, isolamento social e poluição do ar. Em 2024, a perda visual e o colesterol LDL elevado também foram incluídos pela Lancet Commission como novos fatores de risco.
Esses estudos abrem novas perspectivas para o diagnóstico e tratamento do Alzheimer, oferecendo esperança de métodos mais acessíveis e eficazes no combate à doença.
Pesquisadores testam spray nasal para o tratamento da doença
Pesquisadores da Universidade do Texas publicaram no início deste mês os resultados experimentais de um estudo que utilizou spray nasal para o tratamento do Alzheimer. Segundo os autores, o medicamento foi desenvolvido para a eliminação de proteínas tóxicas dos neurônios de pacientes que sofrem com a doença. A pesquisa foi publicada na revista Science Translational Medicine.
De acordo com os cientistas, o spray ainda está em fase de testes e foi criado para reconhecer e destruir as proteínas tau. Durante o estudo, o medicamento foi borrifado no nariz de camundongos idosos com doenças cerebrais associadas à substância.
Para a aplicação, o medicamento foi envolvido em minúsculas bolhas e aplicado diretamente no nariz de roedores. Com o método, a medicação conseguiu contornar as barreiras hematoencefálicas e atingiram o local, no cérebro, onde estavam a proteína.
Os pesquisadores informaram que o medicamento conseguiu eliminar emaranhados da proteína e foi capaz de interromper a liberação das chamadas “sementes de tau”. Esta, de acordo com a pesquisa, pode viajar pelos neurônios para criar novos acúmulos em outras partes do cérebro.
Segundo os pesquisadores, os resultados demonstraram que uma única aplicação foi capaz de retirar a tau do cérebro dos animais doentes. O estudo mostrou ainda que, após duas semanas, os camundongos já registravam evolução nas funções cognitivas.
Pesquisadores investigam efeitos colaterais
Em entrevista ao Science Alert, o neurocientista Sagar Gaikand afirmou que as descobertas são promissoras, mas ainda é necessário fazer testes com o spray em humanos. O estudo ainda investiga potenciais efeitos colaterais do medicamento.
Por enquanto, os testes foram realizados apenas em cadáveres de pessoas que tinham Alzheimer e demência. Mas, segundo os resultados, o spray também foi capaz de desfazer os nós da proteína tau e impedir que novas cepas se espalhassem em outras partes do cérebro.
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