19/07/2024 - Edição 550

Saúde

Dengue: OMS vê situação ‘alarmante’ no Brasil e recomenda uso de repelente

Saiba quais remédios são contraindicados em caso de suspeita da doença

Publicado em 09/02/2024 10:31 - Jamil Chade (UOL), Semana On, Aana Gandra (Agência Brasil) - Edição Semana On

Divulgação Gov MS

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que a situação da dengue no Brasil é “alarmante” e que, em 2024, o país foi responsável por mais de 50% de todos os novos casos da doença no mundo.

A agência internacional recomenda que as pessoas que planejam passar o Carnaval nos próximos dias usem repelentes para evitar a picada do mosquito, vetor da doença. A outra opção é o uso de roupas com mangas largas.

“A tendência no Brasil é alarmante, está crescendo e o governo declarou uma emergência”, afirmou Raman Velayudhan, chefe da unidade da OMS que lida com Doenças Negligenciadas.

“Encorajamos as pessoas envolvidas no Carnaval a usar repelentes e se proteger. Aqueles que possam se cobrir com mangas largas, ainda melhor”, disse.

Em 2023, o Brasil já havia sido o grande responsável pelo número elevado de casos no mundo. No mundo, foram registrados 5,5 milhões de casos, com 5 mil mortes. 4,5 milhões ocorreram nas Américas, um dos maiores já registrados. 3 milhões de casos ocorreram apenas no Brasil, ainda que a fatalidade tenha sido de apenas 0,4%.

Numa entrevista coletiva nesta manhã, em Genebra, a entidade detalhou a situação do país e indicou que os números são “preocupantes”, em toda a região.

Nas primeiras quatro semanas do ano, a OMS estima que 500 mil casos da dengue foram registrados no mundo. 262 mil deles apenas no Brasil, o líder, e 373 mil nas Américas.

Raman Velayudhan aponta que 4 bilhões de pessoas no mundo vivem em regiões com a presença da dengue. Mas alerta que a expansão geográfica do mosquito é uma realidade e que novas regiões começam a ser afetadas. As mudanças climáticas estão entre as principais causas. Hoje, 130 países são afetados, incluindo no Mediterrâneo.

A esperança da OMS é de que a temporada de dengue na América do Sul esteja atingindo seu pico. Mas admite que a tendência de 2023 continua em 2024.

Novas vacinas em 2024

A OMS destacou o fato de que o governo brasileiro decidiu vacinar 2,5 milhões de crianças entre dez e 14 anos, em 512 cidades com mais de 100 mil pessoas. Segundo a entidade, a empresa que produz o imunizante – Takeda – prometeu ampliar sua produção. 3,2 milhões de doses estão sendo destinadas para o Brasil.

A recomendação da OMS é para que a vacinação ocorra entre as crianças de seis a 16 anos de idade, em regiões de alta transmissão. Mas a esperança da agências é de que duas novas vacinas possam avançar em sua certificação até o final do ano. Uma delas seria do Instituto Butantã, enquanto a segunda é de uma empresa asiática que, neste momento, realiza testes na Índia.

Existe, porém, uma séria dificuldade na produção da vacina. O primeiro imunizante a ser produzido foi da empresa francesa Sanofi. Mas, segundo o especialista da OMS, sua eficiência “limitada” de garantir proteção levou a empresa a não aumentar sua produção.

Velayudhan afirma que a entidade aguarda um contato da entidade brasileira para receber os resultados finais dos testes realizados com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã. “Temos entendido que os resultados são positivos”, disse.

“Esperamos uma ou duas novas vacinas até o final do ano”, afirmou.

Segundo ele, o desafio nos últimos 50 anos tem sido o fato de que existem quatro padrões diferentes de dengue e que cada uma das vacinas seria destinada para uma delas. “É como se precisássemos de uma chave para abrir quatro cadeados diferentes. Esse é o desafio”, lamentou.

OMS elogia esforço brasileiro, mas pede mais

A OMS, porém, elogiou o fato de o Brasil ter o sistema mais sólido de monitoramento da doença e é “modelo” para muitos países. “Existem muitas iniciativas vindo do Brasil, inclusive no controle do vetor”, disse. Segundo o especialista, a própria OMS usa os dados coletados no país como forma de lidar com a doença no mundo.

“De uma forma geral, o Brasil tem ido bem. Mas precisamos mais. Essa é uma doença difícil”, completou.

Saiba quais remédios são contraindicados em caso de suspeita de dengue

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) alertou para os remédios contraindicados em caso de suspeita da doença. Segundo o Ministério da Saúde, do início deste ano até a última segunda-feira (5), a doença provocou 36 mortes no país.

O presidente da SBI, Alberto Chebabo, citou o ácido acetilsalicílico, ou AAS, conhecido popularmente como aspirina, entre os não recomendáveis, por se tratar de medicação que age sobre plaquetas. “Como já tem uma queda de plaquetas na dengue, a gente não recomenda o uso de AAS”, disse o médico. Corticoides ambém são contraindicados na fase inicial da dengue.

Segundo Chebabo, como a dengue é uma doença viral, para a qual não existe antiviral, os sintomas é são tratados. O tratamento básico inclui analgésico, antitérmico e, eventualmente, medicação para vômito. Os principais sintomas relacionados são febre, vômito, dor de cabeça, dor no corpo e aparecimento de lesões avermelhadas na pele.

O infectologista advertiu que, se tiver qualquer um dos sintomas, a pessoa não deve se medicar sozinha, e sim ir a um posto médico para ser examinada. “A recomendação é procurar o médico logo no início, para ser avaliada, fazer exames clínicos, hemograma, para ver inclusive a gravidade [do quadro], receber orientação sobre os sinais de alarme, para que a pessoa possa voltar caso tais sinais apareçam na evolução da doença”.

Os casos devem ser encaminhados às unidades de pronto atendimento (UPAs) e às clínicas de família.

Sintomas graves

Entre os sinais de alarme, Chebabo destacou vômito incoercível, que não para, não melhora e prejudica a hidratação; dor abdominal de forte intensidade; tonteira; desidratação; cansaço; sonolência e alteração de comportamento, além de sinais de sangramento. “Qualquer sangramento ativo também deve levar à busca de atendimento médico”, alertou. No entanto, a maior preocupação dever ser com a hidratação e com sinais e sintomas de que a pessoa está evoluindo para uma forma grave da doença.

Quanto ao carnaval, o infectologista disse os festejos não agravam o problema da dengue, porque não se muda a forma de transmissão, que é o mosquito Aedes aegypti. “Talvez impacte mais a covid do que a dengue, mas é mais uma questão, porque, no carnaval, há doenças associadas, que acabam aumentando a demanda dos serviços de saúde. Esta é uma preocupação”.

Entre os problemas relacionados ao carnaval, Chebabo destacou traumas, doenças respiratórias e desidratação, que podem sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde.

Dicas simples podem livrar sua casa dos focos da dengue e se prevenir contra doença

Com aumento de casos da dengue em todo Brasil, algumas medidas simples podem livrar sua casa dos focos da doença e assim evitar a contaminação da sua família.

A principal forma de se prevenir contra dengue é reduzir a infestação do mosquito Aedes aegypti, que é o responsável por transmitir o vírus. Eliminar o criadouro é fácil e pode ser feito em pouco tempo, adotando ações simples do cotidiano.

Evitar água parada em pneus, latas e garrafas vazias sempre é importante, assim como cuidar as plantas e vasos, potes e outros objetivos que acumulam água. Realizar a limpeza regular da caixa d’água e sempre mantê-la fechada, com tampa adequada também entra nesta lista. O cuidado com a sua residência, terreno e lote vai fazer a diferença no combate à doença.

Outro ponto citado por especialistas é a verificação das calhas, retirando por exemplo folhas, galhos e tudo que possa impedir a água de correr por elas. Colocar lixo em sacos plásticos e manter a lixeira fechada, assim como eliminar entulhos do seu quintal. O pote de água para seu animal de estimação também deve ser trocado com frequência.

Ações simples como eliminar copinhos plásticos, tampas de refrigerante e sacos abertos que possam acumular água ajudam no combate à dengue. Piscinas que não estiverem em uso podem ser cobertas para evitar a proliferação dos mosquitos. Tampar os ralos é mais uma medida recomendada.

Se tiver ocorrendo obras na residência sempre é bom estar atento a equipamentos como lonas, carrinhos de mão, betoneiras para não acumularem água. Na lista ainda aparece as limpezas da bandeja externa da geladeira e da bandeja coletora de água do ar-condicionado.

Outras medidas

Para sua proteção individual os repelentes também são recomendados, pois podem evitar as picadas dos mosquitos. A composição do produto indica o tempo de proteção e necessidade da reaplicação. Caso for aplicar outros itens como protetor solar ou hidratante, a dica é usar o repelente por último. Se for para crianças, ficar atento se o produto é de uso pediátrico.

Sobre os inseticidas em spray ou de tomada os especialistas alertam que ajudam a matar os mosquitos adultos, principalmente em ambientes fechados, por isso a eficácia é limitada. Já o uso de mosqueteiros e telas nas janelas dos quartos ajudam bastante, para que os mosquitos não entrem nas dependências.


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