22/04/2024 - Edição 540

Saúde

Covid-19: governo amplia vacina bivalente para todos acima de 18 anos

Governo Bolsonaro perdeu 40 milhões de doses de vacinas

Publicado em 25/04/2023 10:17 - Agência Brasil, Gabriel Brito (Outra Saúde) – Edição Semana On

Divulgação Fabio Rodrigues Pozzebom - Abr

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O Ministério da Saúde anunciou a ampliação da campanha de vacinação contra covid-19 com a dose de reforço bivalente para toda população acima de 18 anos de idade. Cerca de 97 milhões de brasileiros poderão ser vacinados.

Pode tomar a dose bivalente quem recebeu, pelo menos, duas doses de vacinas monovalentes (Coronavac, Astrazeneca ou Pfizer) no esquema primário ou reforço. A dose mais recente deve ter sido tomada há quatro meses. Quem está com dose em atraso, pode procurar também as unidades de saúde.

O ministério ressalta que as vacinas têm segurança comprovada, são eficazes e evitam complicações decorrentes da Covid-19. A ampliação, segundo a pasta, tem “o objetivo de reforçar a proteção contra a doença e ampliar a cobertura vacinal em todo país”.

A campanha de imunização com a vacina bivalente foi iniciada em fevereiro, voltada para idosos de 60 anos ou mais, pessoas que vivem em instituições de longa permanência, pessoas imunocomprometidas, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, gestantes e puérperas, profissionais de saúde, pessoas com deficiência permanente, presos e adolescentes em medidas socioeducativas e funcionários de penitenciárias.

Até o dia 20 deste mês, mais de 10 milhões de pessoas já tinham tomado o reforço bivalente, sendo 8,1 milhões idosos, conforme dados divulgados pelo ministério.

Governo Bolsonaro perdeu 40 milhões de doses de vacinas

Matéria do G1 revelou mais uma faceta da gestão bolsonarista da saúde: 40 milhões de doses de variadas vacinas aplicadas na infância foram incineradas pelo governo. Entre as vacinas descartadas, destacam-se a pentavalente, com 3.884.309 frascos que continham uma dose cada, e a dupla viral, com mais de um milhão de frascos que continham dez doses cada, totalizando 10 milhões de doses. Além disso, a vacina contra a hepatite B perdeu 5 milhões de doses.

O custo total com a perda das vacinas foi de R$170 milhões. A pasta agora trabalha em um plano chamado de “Estoque Crítico”, com o objetivo de evitar ao máximo perdas por expiração de validade, além de começar a distribuir medicamentos que estão perto de perder a validade. A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, aponta que as perdas só serão evitadas com a adesão da população às vacinas e afirma que o movimento antivacina afetou a imunização a doenças no país.

As sequelas sociais continuam

Pesquisa do IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria, antigo Ibope) aferiu que um terço dos brasileiros ainda desconfia das vacinas contra covid. De acordo com um estudo do Ipec, um terço dos pais brasileiros acreditam que as vacinas contra a covid-19 não protegem seus filhos de formas graves da doença. Apesar disso, a maioria (59%) dos pais teme a infecção pela doença em crianças e adolescentes com até 14 anos de idade.

O estudo mostra como a propagação de notícias falsas afeta a tomada de decisão dos pais quando se trata de vacinar seus filhos e os perigos da desinformação sobre as vacinas. O estudo envolveu 2.372 pais ou responsáveis de crianças com idades até 14 anos e fez parte de uma campanha para combater notícias falsas sobre a saúde infantil e fornecer informações confiáveis ​​à população. A pesquisa também mostra que os pais têm um alto nível de desconhecimento sobre como as vacinas podem prevenir doenças como meningite, pneumonia, poliomielite, dengue e hepatite.

Crianças em maior risco

Enquanto os pais e mães doutrinados pela extrema-direita seguem a negar vacina aos próprios filhos, faixa etária mais afetada pela propaganda anticiência, o número de crianças internadas com síndromes virais aumenta. Relatório da Unicef mostra que o Brasil é o penúltimo colocado entre os países sul-americanos no que tange à cobertura vacinal infantil.

Cerca de 25% dos bebês de até um ano estão sem imunização, fase fundamental na prevenção de doenças como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, entre outras doenças virais e bacterianas que a ciência há anos consegue curar. Na América Latina, a cobertura da terceira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche entre menores de um ano caiu 18 pontos percentuais, colocando a região abaixo da média global.

Venezuela e Brasil possuem as piores taxas de vacinação infantil, enquanto Costa Rica, República Dominicana, Cuba, Chile e São Vicente e Granadinas têm os melhores resultados. A Unicef aponta a pandemia, problemas estruturais e falta de investimento nos cuidados primários como causas para a situação.


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