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Saúde

Confira o plano de vacinação contra covid-19 em 2023

Uma a cada 3 crianças atendidas na atenção básica tem vacina atrasada

Publicado em 31/01/2023 7:44 - UOL, Carlos Madeiro (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Marcelo Camargo- Abr

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O Ministério da Saúde apresentou um plano de vacinação contra a covid-19. Na primeira etapa, que começará em 27 de fevereiro, as pessoas vacinadas com pelo menos duas doses receberão o reforço do imunizante bivalente da Pfizer.

A vacina bivalente é uma atualização que protege contra a cepa original do coronavírus e contra as subvariantes ômicron. Além de reforçar a vacinação, a meta do Ministério da Saúde é imunizar 90% da população-alvo.

Os grupos serão vacinados na seguinte ordem:

– Fase 1: 70 anos ou mais, pessoas que vivem em instituições de longa permanência (ILP), imunocomprometidas, comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas;

– Fase 2: 60 a 69 anos;

– Fase 3: Gestantes e puérperas;

– Fase 4: Profissionais da saúde.

Para pessoas com 12 anos ou mais, que tomaram as três doses de vacina, o plano do Ministério da Saúde prevê uma dose de reforço monovalente. Nos demais casos, haverá campanha para incentivar o ciclo completo de vacinação.

“Encontramos um estoque insuficiente da vacina bivalente mas, logo nas primeiras semanas, conseguimos garantir o estoque de 49 milhões de doses necessárias para vacinar os grupos prioritários, que são pessoas com maior risco de morte”, afirmou Éder Gatti, diretor do Departamento de Imunização e Doenças Imunopreveníveis.

No caso da vacinação infantil contra covid, o Ministério da Saúde diz que encontrou um estoque zerado das vacinas Pfizer Baby (para bebês de 6 meses a 4 anos), Pfizer pediátrica (para crianças de 5 a 11 anos) e CoronaVac (para crianças de 3 a 4 anos).

Em fevereiro, a pasta promete regularizar e distribuir o estoque das vacinas contra covid-19 para crianças. Há previsão para a entrega de:

– 8,5 milhões de doses da Pfizer Baby

– 9,2 milhões de doses da Pfizer pediátrica

– 2,6 milhões de doses da CoronaVac (todo o estoque disponível do Instituto Butantan)

“Obviamente precisamos de mais doses para vacinar nossas crianças, estamos em intensas tratativas com a Pfizer e o Butantan”, informou Gatti.

Baixa cobertura vacinal e risco de epidemias

O Ministério da Saúde diz que encontrou um cenário “muito preocupante” de baixa cobertura vacinal e risco de desabastecimento de imunizantes. A gestão de Jair Bolsonaro (PL) foi criticada pelo “comportamento negacionista”.

“Para deixar bem resumido o cenário atual: estamos diante de um cenário de baixas coberturas vacinais [porque] nossa população foi exposta a um discurso negacionista, um comportamento negacionista por parte das autoridades, que levou a queda de confiança da população. Há risco de epidemias, risco de reintrodução da pólio e da livre circulação do sarampo”, afirmou Éder Gatti, diretor do Departamento de Imunização e Doenças Imunopreviníveis.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o governo Bolsonaro deixou um estoque de 370 mil doses da AstraZeneca vencer.

Uma a cada 3 crianças atendidas na atenção básica tem vacina atrasada

Entre janeiro e novembro de 2022, 33,1% de bebês e crianças (até 11 anos) atendidos em consultas na atenção básica pelo país estavam sem a vacinação em dia.

Os dados foram retirados pela coluna do relatório de produção do Sisab (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica), do Ministério da Saúde.

O percentual de 2022 é o maior dos últimos cinco anos, período em que o país viu as taxas de cobertura vacinal do calendário nacional despencarem.

– 2018 – 29,6%

– 2019 – 30,2%

– 2020 – 30,8%

– 2021 – 25,8%

– 2022* – 33,1%

* Dados até novembro/2022

A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) afirma que a hesitação vacinal tem muitos fatores, que vão desde a dificuldade de acesso até a falta de informações dos pais das crianças.

“Por mais que a gente fale do risco altíssimo de uma doença como paralisia infantil retornar, os pais de hoje não viram essas doenças; então é pouco provável que consigam enxergar esses riscos. E o Ministério da Saúde não faz uma comunicação adequada há muito tempo. Não adianta marcar campanha, avisar na véspera e não comunicar o porquê dela”, diz Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm.

De referência à queda

O Brasil possui, desde 1973, o PNI (Programa Nacional de Imunizações). O modelo do país se tornou uma referência internacional em vacinação. O SUS aplica hoje de forma gratuita mais de 30 imunizantes para proteger contra diversas doenças:

– 17 vacinas para crianças

– 7 para adolescentes

– 5 para adultos e idosos

– 3 para gestantes

Os bons índices de cobertura vacinal vêm caindo desde 2016, e o país amarga quedas consecutivas.

Os dados de cobertura vacinal em 2022 ainda não foram fechados.


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