22/04/2024 - Edição 540

Saúde

Brasil ultrapassa meio milhão de casos prováveis de dengue

Por que idosos não foram priorizados em vacinação contra a doença?

Publicado em 14/02/2024 11:05 - Paula Laboissière (Agência Brasil), Ana Luiza Cardoso (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Pixabay

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O Brasil já registra 512.353 casos prováveis de dengue desde o início de 2024. Foram contabilizados ainda 75 óbitos pela doença, enquanto 340 mortes estão sendo investigadas.

O coeficiente de incidência da dengue no país, neste momento, é 252,3 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Os dados constam no painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde.

Entre os casos prováveis, 54,9% são em mulheres e 45,1% em homens. A faixa etária dos 30 aos 39 anos segue respondendo pelo maior número de casos, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos e de 50 a 59 anos.

Já no ranking dos estados, Minas Gerais lidera em número absoluto de casos prováveis (171.769). Em seguida aparecem São Paulo (83.651), Distrito Federal (64.403) e Paraná (55.532).

Quando se considera o coeficiente de incidência, o Distrito Federal aparece em primeiro lugar (2.286,2 casos por 100 mil habitantes), seguido por Minas Gerais (836,3), Acre (582,2) e Paraná (485,3).

Vacinação

Neste momento, somente o Distrito Federal iniciou a vacinação de crianças e adolescentes com idade entre 10 e 11 anos contra a dengue. No primeiro dia da campanha, 3.633 doses foram aplicadas em todos os 15 pontos disponíveis.

Goiás já recebeu as doses distribuídas pelo Ministério da Saúde e deve iniciar a imunização dessa mesma faixa etária na próxima quinta-feira (15) em 51 municípios selecionados pela pasta.

Por que idosos não foram priorizados em vacinação contra a dengue?

Grupo com o maior número de hospitalizações no Brasil, os idosos não são prioridade na vacinação contra a dengue no SUS devido à falta de dados sobre eficácia da vacina Qdenga em pessoas com mais de 60 anos e menos de 4 anos.

O que aconteceu

A vacina será aplicada, inicialmente, em crianças e adolescentes com idades entre 10 e 14 anos. Segundo o Ministério da Saúde, essa faixa etária concentra o maior número de hospitalizações depois de pessoas idosas.

Para definir a priorização, a pasta também considerou a capacidade limitada de produção do laboratório. O esquema vacinal será composto por duas doses com intervalo de três meses entre elas.

A primeira remessa com cerca de 757 mil doses chegou ao Brasil no dia 20 de janeiro. O lote faz parte de um total de 1,32 milhão de doses fornecidas pela farmacêutica. Além desse número, o Ministério da Saúde adquiriu 5,2 milhões de doses para 2024. Para 2025, são 9 milhões.

A vacina Qdenga não está indicada na bula para imunização de idosos. Isso porque os dados apresentados para a Anvisa pelo laboratório não incluíram estudos com adultos acima de 60 anos, informou a agência.

A aplicação da vacina em pessoas com idade maior de 60 anos só pode ser feita com indicação profissional, quando o médico assume a responsabilidade.

A Takeda confirmou que, até o momento, os dados disponíveis limitam-se à população com até 60 anos. No Brasil, a vacina foi aprovada pela Anvisa, em março de 2023, para prevenção da dengue causada pelos quatro sorotipos do vírus, para indivíduos de 4 a 60 anos, independentemente da exposição anterior à dengue.

A farmacêutica também testou a vacina contra a dengue em crianças com idade entre 1 ano e meio e 4 anos. Porém, para esse público não foi “evidenciado claro benefício clínico que justificasse sua indicação”, segundo a Takeda. Também “não houve qualquer problema de segurança ou evento grave relacionado, durante os estudo”, complementa o laboratório.

Idosos, assim como toda comunidade, devem se prevenir da dengue evitando acúmulo de água parada em vasos de plantas, pneus e caixas d’água, além do uso de repelentes, recomenda a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

O que disseram

“Importante ressaltar que cada agência regulatória analisa os dados independentemente e a decisão e definição da indicação cabe apenas ao órgão competente de cada país. A empresa respeita e acata o que foi definido pela agência regulatória no Brasil” – Takeda Pharma, em nota.

“Os idosos seriam prioridade, mas maiores de 60 não foram incluídos no estudo [da vacina Qdenga]. Não tem dado de segurança e eficácia” – Isabella Ballalai, pediatra e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações.

“Caso haja alguma pessoa picada pelo mosquito da dengue ou com suspeita de ter sido infectada, é fundamental identificar o foco do mosquito e eliminá-lo imediatamente” – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *