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Saúde
País reduz 85% do déficit de vacina DTPa em crianças e deixa lista suja
Publicado em 31/07/2024 2:49 - Bruno de Freitas Moura (Agência Brasil), Carlos Madeiro (UOL) – Edição Semana On
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O ano de 2023 marcou um avanço do Brasil na imunização infantil e fez o país deixar o ranking das 20 nações com mais crianças não vacinadas. A constatação faz parte de um estudo global divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A pesquisa revela que o número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1 caiu de 710 mil em 2021 para 103 mil em 2023. Em relação à DTP3, a queda entre os mesmos anos foi de 846 mil para 257 mil. A DTP é conhecida como a vacina pentavalente, que protege contra a difteria, o tétano e a coqueluche.
Com a redução na quantidade de crianças não vacinadas, o Brasil, que em 2021 era o sétimo no grupo dos países com mais crianças não imunizadas, deixou a lista negativa. O Brasil apresentou avanços constantes em 14 dos 16 imunizantes pesquisados.
A chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Luciana Phebo, destacou que o comportamento da imunização infantil no país é uma retomada após anos de queda na cobertura de vacinação. Ela ressalta a importância de o país seguir em busca de avanços, inclusive levando a vacinação para fora de unidades de saúde, exclusivamente.
“É fundamental continuar avançando ainda mais rápido para encontrar e imunizar cada menina e menino que ainda não recebeu as vacinas. Esses esforços devem ultrapassar os muros das unidades básicas de saúde e alcançar outros espaços em que crianças e famílias – muitas em situação de vulnerabilidade – estão, incluindo escolas, Cras [Centro de Referência de Assistência Social] e outros espaços e equipamentos públicos”, assinala.
No mundo
O resultado de avanço do Brasil está na contramão do cenário global, no qual houve aumento no número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1, passando de 13,9 milhões em 2022 para 14,5 milhões em 2023.
O número de crianças que receberam três doses da DTP em 2023 estagnou em 84% (108 milhões). A DTP é considerada um indicador chave para a cobertura de imunização global.
Em 2023 havia no mundo 2,7 milhões de crianças não vacinadas ou com imunização incompleta, em comparação com os níveis pré-pandemia de 2019.
Ao todo, o levantamento do Unicef e da OMS traz dados de 185 países.
Efeito da não vacinação
Uma forma prática de entender a importância da vacinação é por meio da observação de certas doenças, como o sarampo, que apresentou surtos nos últimos cinco anos.
A cobertura vacinal contra o sarampo estagnou, deixando cerca de 35 milhões de crianças sem proteção ou com proteção parcial. Em 2023, apenas 83% das crianças em todo o mundo receberam a primeira dose do imunizante. Esse patamar fica abaixo da cobertura de 95% necessária para prevenir surtos, mortes desnecessárias e alcançar as metas de eliminação do sarampo.
Nos últimos cinco anos, surtos de sarampo atingiram 103 países – onde vivem aproximadamente três quartos dos bebês do mundo. A baixa cobertura vacinal nessas regiões (80% ou menos) foi um fator importante. Por outro lado, 91 países com forte cobertura vacinal não experimentaram surtos.
HPV em meninas
Um dado positivo, porém, insuficiente no levantamento, é a vacinação de meninas contra o papilomavírus humano (HPV), causador do câncer do colo do útero. A proporção de adolescentes imunizados saltou de 20% em 2022 para 27% em 2023.
No entanto, esse nível de cobertura está bem abaixo da meta de 90% para eliminar esse tipo de câncer como um problema de saúde pública. Em países de alta renda, o nível é de 56%, e nos de baixa e média, 23%.
A vacina contra o HPV é disponibilizada no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
País reduz 85% do déficit de vacina DTPa em crianças e deixa lista suja
O relatório publicado no último dia 15 pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e OMS (Organização Mundial da Saúde) com dados sobre imunização infantil no mundo mostra que o número de crianças sem ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (a DTP) caiu 85% em dois anos: de 687 mil em 2021 para 103 mil em 2023.
No Brasil, a vacina, também conhecida por tríplice bacteriana, é administrada pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) como a vacina pentavalente — que ainda protege contra a influenza tipo B e a hepatite B.
A vacina DTP, diz o relatório, é um “indicador chave para a cobertura de imunização global”. No mundo, o número de crianças que não receberam uma dose aumentou de 13,9 milhões, em 2022, para 14,5 milhões em 2023, na contramão do desempenho positivo do Brasil.
O relatório mostra que os avanços nas taxas fizeram o país sair da “lista suja”, que é o ranking dos 20 países com mais crianças não imunizadas do mundo. Em 2021, o Brasil ocupava o 7º lugar, e em 2023 não faz mais parte dela.
Segundo o documento, o Brasil apresentou avanços em 14 dos 16 imunizantes pesquisados em 2023. Segundo o Ministério da Saúde, eles tiveram, em média, uma alta de pouco mais de 7 pontos percentuais. A que mais cresceu em cobertura, diz, foi o reforço da tríplice bacteriana, passando de 67,4% para 76,7%.
“Agora, é fundamental continuar avançando, ainda mais rápido, para encontrar e imunizar meninas e meninos que ainda não receberam as vacinas. Esses esforços devem ultrapassar os muros das unidades básicas de saúde e alcançar outros espaços em que estão crianças e famílias, muitas em situação de vulnerabilidade, incluindo escolas, CRAS e outros espaços e equipamentos públicos”, diz Luciana Phebo, chefe de Saúde do Unicef no Brasil ao site da entidade.
Apesar do bom resultado, ainda há um caminho a percorrer. O relatório aponta que, em 2013, 10 das 13 vacinas do calendário nacional de imunização alcançaram uma cobertura de 90% ou mais. Em 2023, só 4 das 15 vacinas alcançaram uma cobertura de 90% ou mais.
Uma preocupação da Unicef é como as taxas de vacinação estão estagnadas no mundo: a cobertura global de imunização infantil estagnou em 2023, deixando 2,7 milhões de crianças a mais não vacinadas ou com imunização incompleta, em comparação com os níveis pré-pandemia de 2019.
Entidade comemora, mas quer melhora
A pediatra Flávia Bravo, primeira-secretária e presidente da Comissão de Informação e Orientação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), afirma que a mudança de curva é uma boa notícia, mesmo que o país ainda esteja longe da meta em alguns casos. “Esse dado é ótimo e motivo de otimismo, mas não é jogo ganho.”
“Como não atingimos as metas de cobertura ainda, só vamos relaxar quando conseguirmos as metas e, a partir daí, fazer a manutenção. O brasileiro gosta de vacina, mas tem de ter acesso, tem de confiar”, afirma Flávio Bravo.
Não é só negacionismo vacinal
Ela afirma que o aumento vem em um momento importante, já que, na pandemia, ganhou força no Brasil um negacionismo vacinal contra a covid-19. “Se você tem informações falsas e desinformações circulando, por diversos motivos, gera hesitação em um primeiro momento.”
“A questão da vacina contra covid desencadeou uma descrença para as demais. Foi um momento em que se fez campanha para desacreditar, e isso se estendeu a todos os imunizantes. Antes, que mãe queria saber onde era feita a vacina ou se ela tinha DNA? Ninguém tinha interesse, ia vacinar e só. Colocaram medo nas pessoas”, sustenta Bravo.
Contudo, a pediatra diz que a queda não deve ser atribuída somente ao negacionismo e afirma que é preciso pensar estratégias diferentes porque “o Brasil é diverso”. “Uma dificuldade de uma cidade grande não é a mesma de uma cidade ribeirinha. Temos aqui as causas mais variadas.”
“Não é só fakes news, mas o acesso aos locais, os horários de funcionamento das unidades. A falta do medo da doença também é um fator. Precisamos dar consciência às pessoas, melhorar a comunicação. A gente não tem tanto negacionismo no país. Podemos ter os evitantes, aquelas pessoas que não sabem da segurança e da importância da vacina”, diz Flávio Bravo.
Ações do governo
Em 2023 o governo lançou o Movimento Nacional pela Vacinação, para “retomar a confiança da população na ciência, no Sistema Único de Saúde (SUS) e nas vacinas”.
“Nós adotamos uma estratégia de planejamento local, vendo as dificuldades de cada região, conversando com gestores locais, mobilizando a sociedade de imunologia, de pediatria. Só é possível avançar na vacinação quando nós temos a sociedade integrada também nesse esforço ao lado do governo, e foi isso que aconteceu com múltiplas estratégias”, afirmou a mnistra Nísia Trindade.
A pasta diz que aumentou o investimento para apoiar estados e municípios.
“De forma inédita, R$ 150 milhões foram repassados por ano aos estados e municípios, em apoio às ações de imunização com foco no microplanejamento, ou seja, nas ações de comunicação regionalizadas. Para 2024, o mesmo valor está sendo destinado aos estados e municípios”, diz o Ministério da Saúde.
Também no ano passado foi lançado o programa Saúde com Ciência, “em defesa da vacinação e voltada ao enfrentamento da desinformação.” Vários órgãos participam da ação.
“A proposta faz parte da estratégia para recuperar as altas coberturas vacinais do Brasil diante de um cenário de retrocesso. A propagação de fake news é um dos fatores que impacta na adesão da população às campanhas de imunização”, sustenta o Ministério da Saúde.
Cinco pontos importantes sobre a importância da vacinação, segundo o Ministério da Saúde:
1- Proteção individual contra doenças – Vacinas são uma das formas mais eficazes de proteção contra doenças infecciosas graves. Manter a Caderneta da Criança atualizada garante que a pessoa esteja protegida contra elas.
2- Proteção da comunidade – Quando a maioria da população está vacinada, a propagação de doenças é reduzida, protegendo aqueles que não podem ser vacinados, como bebês, pessoas com sistemas imunológicos comprometidos e alérgicos a componentes da vacina.
3- Prevenção de surtos e epidemias – A manutenção de altas e homogêneas coberturas vacinais é essencial para evitar surtos e epidemias de doenças preveníveis por vacinas. Isso é especialmente importante em uma era de mais possibilidade de viagens internacionais frequentes, onde doenças podem se espalhar rapidamente.
4- Redução de custos de saúde – Prevenir doenças por meio da vacinação é muito mais econômico do que tratar infecções. Custos associados a hospitalizações, tratamentos médicos, perda de produtividade e complicações a longo prazo podem ser evitados com um programa de vacinação eficaz.
5- Cumprimento de requisitos legais para viagens – Alguns países exigem determinadas vacinas para permitir a entrada em seu território. O Certificado Internacional de Vacinação, emitido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é o documento brasileiro utilizado para comprovar a vacinação.
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