23/04/2024 - Edição 540

Saúde

Anvisa alerta sobre repelentes adequados contra o mosquito da dengue

Repelente caseiro funciona?

Publicado em 17/02/2024 11:19 - Fabíola Sinimbú (Agência Brasil), UOL – Edição Semana On

Divulgação Agência Brasil - Rafa Neddermeyer

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou orientações à população sobre os tipos de repelentes adequados para evitar o Aedes aegypti, que transmite a dengue, zika e chikungunya. De acordo com as instruções, apenas os produtos de aplicação na pele e os de uso no ambiente possuem eficiência comprovada.

“Não existem produtos de uso oral, como comprimidos e vitaminas, com indicação aprovada para repelir o mosquito”, alerta nota divulgada pela agência.

No caso dos produtos para pele, a orientação é que o repelente seja aplicado diretamente nas áreas expostas do corpo, com exceção dos casos em que o rótulo traga instruções para o uso diretamente na roupa.

De acordo com a Anvisa, as orientações descritas no produto também tratam sobre o uso em crianças, já que os cosméticos repelentes com o ingrediente DEET não devem ser aplicado em menores de dois anos e a presença dele não poderá ser maior que 10%, em produtos adequados para crianças de dois a 12 anos.

Assim como os cosméticos repelentes, os sanitizadores, que são inseticidas para matar o mosquito adulto ou repelentes para afastar o inseto do ambiente, precisam ter a aprovação da Anvisa tanto para a substância ativa, quanto para os componentes complementares, como solubilizantes e conservantes. De acordo com a instituição, não há comprovação de eficácia para produtos de princípio ativo natural, como citronela, andiroba e cravo da índia, por exemplo. “As velas, os odorizantes de ambientes e incensos que indicam propriedades repelentes de insetos não estão aprovados” destaca a agência.

O registro junto ao órgão garante a eficiência do produto para enfrentar o mosquito da dengue e, para facilitar a consulta se determinado repelente está ou não regular, a Anvisa mantém no seu site duas listas: uma de cosméticos para aplicação na pele e outra de saneantes para uso no ambiente.

Repelente caseiro funciona contra mosquito da dengue?

Os repelentes caseiros não são as melhores opções para se proteger do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue e de outras doenças, como zika e chikungunya.

“Não existe nenhum repelente caseiro que tenha evidência científica robusta que sustente a sua eficácia”, afirma Luana Araújo, médica infectologista.

Os repelentes comerciais, disponíveis em mercados e farmácias, ainda são as melhores escolhas para se proteger do mosquito da dengue. A médica enfatiza a importância de consultar um profissional de saúde para orientação, especialmente para grupos como gestantes e crianças, que requerem atenção especial.

Os repelentes comerciaisque funcionam contra o Aedes aegypti são aqueles que contêm substâncias como DEET, IR3535 e icaridina, amplamente reconhecidas por sua eficácia. É o que destaca Raquel Stucchi, médica infectologista e professora da Unicamp.

Além do repelente

O uso dos repelentes é apenas uma das muitas medidas de prevenção contra a dengue. “Qualquer estratégia com relação à dengue não anula a outra”, destaca Luana Araújo.

A eliminação dos criadouros do mosquito, por meio da limpeza e remoção de recipientes que acumulam água parada, é crucial no combate à proliferação do Aedes aegypti.

A hidratação e o controle dos sintomas, como febre e dor, são importantes para o tratamento das pessoas infectadas pelo vírus. É crucial evitar o uso de medicamentos como o ácido acetilsalicílico (AAS), devido aos riscos de complicações.

Picos de casos da dengue

O Brasil deve superar em fevereiro os registros diários com maior número de casos prováveis de dengue do ano passado com dois meses de antecedência. Infectologistas afirmam que o número de casos até o final de fevereiro será maior do que o pico registrado em abril de 2023.

A média de aumento de casos registrados é de 250% em comparação ao ano passado. “Provavelmente, teremos o ano com o maior número de casos da história do país”, afirma Júlio Croda, infectologista da Fundação Oswaldo Cruz e professor da Faculdade de Medicina de Mato Grosso do Sul.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, fez um pronunciamento nesta terça-feira (6). Ela afirmou que a vacinação contra a dengue será feita de forma progressiva e que o combate à doença é “total prioridade” do governo.


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