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Poder
Presidente do PL aposta no desgaste do governo com a CPMI do INSS
Publicado em 06/03/2026 9:12 - Semana On
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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem demonstrado a aliados uma combinação de confiança e cautela diante da corrida presidencial. O dirigente avalia que os levantamentos eleitorais recentes indicam um cenário mais favorável do que o esperado para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), embora reconheça que a disputa de 2026 tende a ser acirrada.
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Nos cálculos iniciais de Valdemar, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro apareceria nesta fase da pré-campanha entre quatro e cinco pontos percentuais atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O quadro atual, com empate técnico em alguns cenários, é visto dentro do partido como um sinal positivo. Entre aliados, a leitura é que o aumento da rejeição ao presidente estaria contribuindo para o avanço do senador nas intenções de voto.
Aposta no desgaste do governo
Dentro da estratégia política do PL, um dos principais vetores de desgaste do governo seria o avanço da CPMI que investiga irregularidades relacionadas ao INSS. O partido também pretende explorar politicamente suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Valdemar tem orientado a bancada a reforçar na campanha o argumento de que “roubar R$ 6,3 bilhões dos aposentados não pode ser esquecido” — referência ao valor estimado de descontos irregulares aplicados por entidades a aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.
Nesse contexto, deputados e senadores do PL têm atuado para prorrogar a comissão parlamentar de inquérito, cujo prazo atual termina em 28 de março. A proposta é estender os trabalhos por mais 60 dias, mantendo o tema em evidência até o final de maio — período considerado estratégico para a disputa eleitoral.
Projeção de virada em abril
Segundo relatos de interlocutores, Valdemar — conhecido no partido pelo hábito de acompanhar pesquisas de forma constante — acredita que abril pode marcar um ponto de inflexão na corrida presidencial. A projeção considera o calendário eleitoral e, em especial, o encerramento da janela partidária em 5 de abril, prazo em que políticos precisam definir suas filiações para concorrer em outubro.
Na avaliação do dirigente, a partir desse momento a disputa passaria a ganhar contornos definitivos. “É quando a campanha começa de verdade”, tem dito a aliados, descrevendo o período como o início de uma “guerra” eleitoral.
Estratégia: moderação e disputa do centro
Internamente, Valdemar avalia que o país permanece dividido entre dois blocos eleitorais de tamanho semelhante: um eleitorado que rejeita Lula e outro que rejeita o bolsonarismo. Nesse cenário, o resultado seria decidido por uma parcela menor do eleitorado — o chamado voto de centro.
É justamente nesse ponto que o dirigente acredita que o perfil de Flávio Bolsonaro pode representar uma vantagem competitiva. Nos bastidores, ele tem descrito o senador como mais ponderado do que o pai, defendendo que o candidato evite posições radicais e discursos voltados apenas à base mais fiel do bolsonarismo.
A orientação inclui evitar atritos com minorias, reduzir confrontos com jornalistas e buscar maior sintonia com pautas relacionadas ao eleitorado feminino. A aposta é que uma postura mais moderada ajude a ampliar o alcance da candidatura.
A expectativa no PL é de uma disputa apertada, com diferença semelhante à registrada em 2022, quando cerca de dois milhões de votos separaram os candidatos no segundo turno.
Pressão por unidade na direita
A estratégia também pressupõe a reunificação do campo bolsonarista. Valdemar considera improvável que a direita chegue dividida à eleição e acredita que as exigências da campanha levarão os diferentes atores do grupo a convergir.
Entre os pontos de tensão está o silêncio político da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirma estar dedicada aos cuidados com o marido. Entre aliados do partido, contudo, a avaliação é de que a postura também reflete frustração por não ter sido escolhida como sucessora política direta de Jair Bolsonaro.
Mesmo assim, o dirigente projeta Michelle atuando ativamente no segundo turno — possivelmente como senadora eleita pelo Distrito Federal — e percorrendo principalmente o Nordeste, região vista como o maior desafio eleitoral do partido.
Outros aliados teriam papéis específicos na estratégia regional. O deputado Nikolas Ferreira, por exemplo, seria peça-chave em Minas Gerais, considerado um dos estados decisivos na disputa nacional.
Risco de crises na campanha
Apesar do otimismo, o comando do PL demonstra preocupação com possíveis episódios capazes de afetar negativamente a campanha. Interlocutores citam, como exemplo, o impacto político do episódio envolvendo Carla Zambelli na eleição de 2022, quando a deputada sacou uma arma e perseguiu um homem nas ruas de São Paulo dias antes da votação.
Também há cautela em relação ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, cuja atuação internacional — especialmente nos Estados Unidos — é vista por alguns aliados como potencial fonte de desgaste caso volte ao centro do debate político.
Na avaliação de dirigentes do partido, em uma disputa apertada qualquer episódio inesperado pode ter impacto decisivo. Por isso, a orientação central da campanha tem sido sintetizada em um conceito repetido por Valdemar: combinar bolsonarismo com pragmatismo eleitoral.
Governo minimiza pesquisas e prepara reação
No Palácio do Planalto, auxiliares de Lula reconhecem que o ambiente político permanece polarizado, mas relativizam os efeitos das pesquisas divulgadas até agora. A avaliação é de que a oposição, representada neste momento por Flávio Bolsonaro, “ainda está jogando sozinha”.
Segundo integrantes do governo, parte do desgaste recente decorre de fatores externos, como a exploração política da investigação no INSS e episódios simbólicos amplificados nas redes sociais.
A estratégia governista prevê uma intensificação da comunicação a partir de abril, quando o próprio Lula já indicou que passará a assumir postura mais claramente eleitoral. Entre as iniciativas previstas estão campanhas publicitárias ligadas a programas sociais e energéticos, como o “Gás para Todos” e o “Luz do Povo”, que prevê tarifa zero de energia elétrica para consumidores de baixa renda com consumo mensal de até 80 kWh.
Pesquisas apontam disputa apertada
Levantamento divulgado pelo instituto Real Time Big Data reforça o cenário competitivo. No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, porém, a diferença cairia para apenas um ponto percentual — dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
O dado mais sensível para o governo, segundo analistas políticos, é a avaliação da gestão federal. Na pesquisa, 51% dos entrevistados desaprovam o desempenho de Lula, enquanto 44% aprovam.
Nesse contexto, a eleição tende a assumir caráter plebiscitário sobre o atual governo. Para o Planalto, o desafio central será transformar programas sociais e medidas econômicas em melhora perceptível na popularidade presidencial.
A corrida de 2026, portanto, começa a ganhar contornos semelhantes aos de 2022: uma disputa marcada pela polarização e pela força das rejeições — um terreno em que cada erro estratégico pode custar caro.
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