Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

União Brasil e PP abandonam governo para disputar espólio de Bolsonaro

Ambos deram 1 de cada 5 votos que o governo obteve na Câmara

Publicado em 05/09/2025 8:50 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A Federação formada por União Brasil (UB) e Progressistas (PP) anunciou nesta semana sua saída oficial do governo Lula. O rompimento ocorre no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de acusados de arquitetar a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 — data que pode marcar o início do fim da carreira política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para analistas, o movimento dos partidos visa, justamente, ocupar o vácuo eleitoral deixado por Bolsonaro e herdar seu capital político.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

Com 109 deputados e 14 senadores, a federação União-PP representa a maior força parlamentar da Câmara. Desde o início do mandato de Lula, foi responsável por mais de 38 mil votos a favor do governo, o equivalente a 20,2% de todos os votos governistas — mais que o próprio PT (19,4%). Ainda assim, União Brasil e PP foram os aliados mais infiéis entre os partidos com ministérios: votaram com o governo em apenas 66,3% e 73,7% das vezes, respectivamente, segundo levantamento do UOL com dados da Câmara.

A decisão do desembarque escancara a fragilidade da base governista, que, apesar da fidelidade ideológica dos partidos de esquerda, não tem força numérica suficiente para garantir vitórias consistentes no Legislativo. A Federação Brasil Esperança (PT, PCdoB e PV), por exemplo, soma apenas 81 deputados — e mesmo com uma taxa de fidelidade superior a 96%, não assegura a maioria necessária em votações decisivas.

Disputa por um espólio político

Segundo o cientista político João Feres Júnior, professor titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj, o movimento dos partidos reflete uma tentativa de reposicionamento estratégico frente à polarização entre PL e PT.

“A saída deles do governo é em busca de uma revitalização por meio do voto e aí eles colam no bolsonarismo. Afinal, Bolsonaro é capaz de mobilizar uma quantidade imensa de votos e eleger desconhecidos, como fez em 2018 e 2022. Por outro lado, acho que não vai ter espaço para todo mundo nessa competição”, afirmou Feres à Agência Brasil.

O cálculo é pragmático. Mesmo enfraquecido juridicamente e politicamente, Bolsonaro segue como o principal cabo eleitoral da direita. Sua possível inelegibilidade e o desgaste crescente criam um cenário de incerteza, mas também de oportunidades para lideranças que buscam preencher esse espaço.

Michelle Fernandez, cientista política da Universidade de Brasília (UnB), aponta que a movimentação da federação também se alinha à preparação para as eleições de 2026.

“Alguns partidos cobraram dos seus parlamentares que se desvinculassem do governo para que pudessem estar na composição da oposição no processo eleitoral do ano que vem”, disse Fernandez.

Pressão por cargos e narrativa de coerência

Ao oficializar a saída, a federação divulgou nota classificando a decisão como um “gesto de clareza e de coerência”. No entanto, também houve pressão explícita para que os ministros filiados às legendas deixem seus cargos. Estão na mira o ministro do Turismo, Celso Sabino (União), e o do Esporte, André Fufuca (PP).

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), respondeu publicamente, cobrando comprometimento daqueles que optarem por permanecer.

“Precisam trabalhar conosco para aprovação das pautas do governo no Congresso Nacional. Isso vale para quem tem mandato e para quem não tem mandato, inclusive para aqueles que indicam pessoas para posições no governo”, publicou em rede social.

A anistia como trunfo

A disputa pelo legado de Bolsonaro também se reflete no apoio crescente, dentro da direita, ao projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Para Feres, trata-se de uma tentativa de reabilitar Bolsonaro politicamente, e com isso manter coeso o campo conservador.

“É uma tentativa de reavivar o Bolsonaro porque ele organiza esse campo da direita. Se eles conseguirem a anistia, imaginam que o ex-presidente põe ordem na direita e a competição fratricida pelos votos diminui. Sem Bolsonaro, a coisa fica mais complicada”, avaliou.

Entre os defensores mais visíveis da anistia está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado por setores da direita como possível presidenciável em 2026. Michelle Fernandez interpreta esse gesto como parte de uma estratégia de consolidação da própria imagem:

“O Tarcísio ainda precisa do Bolsonaro para conseguir decolar politicamente como possível candidato nas eleições do ano que vem, se é que ele vai se candidatar à Presidência da República.”

Feres, no entanto, vê limitações: “O Tarcísio não vai ser candidato de consenso, eles não vão produzir um candidato de consenso.”

Base frágil e polarização intacta

O desembarque da federação União-PP evidencia uma realidade incômoda para o Palácio do Planalto: a sustentação do governo Lula depende, em larga medida, de alianças frágeis e instáveis. A fidelidade programática dos partidos de esquerda não compensa o peso numérico dos partidos do centrão, cuja lealdade é historicamente volátil e negociável.

Enquanto isso, a direita segue dividida, mas energizada pela disputa pelo espólio de Bolsonaro. A busca por seu eleitorado — cerca de 58 milhões de votos em 2022 — é o novo eixo gravitacional do xadrez político brasileiro. E, com a aproximação do julgamento definitivo de Bolsonaro, essa disputa tende a se intensificar.

PEQUENOS REIS


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *