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Poder

Trump impõe tarifas de 25% sobre o aço e Brasil não descarta retaliação

Medida ameaça exportações brasileiras, mas extrema direita nacional mantém postura submissa à Trump

Publicado em 10/02/2025 10:43 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O anúncio de Donald Trump de que pretende retomar uma política de tarifas protecionistas sobre o aço e o alumínio importados traz à tona uma série de questões cruciais que vão além do impacto econômico direto. As tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio foram vistas inicialmente como um movimento estratégico para fortalecer a indústria americana, mas, na prática, revelam também uma política de poder que, ao longo dos anos, contou com a conivência de líderes internacionais, incluindo a extrema direita brasileira. Agora, com o Brasil sendo um dos países mais afetados, as consequências dessa aliança política submissa começam a se tornar evidentes.

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A decisão de Trump de reimpor tarifas sobre produtos siderúrgicos representa um golpe severo ao Brasil, cujo setor de aço depende fortemente das exportações para os Estados Unidos. Em 2024, o Brasil exportou US$ 5,7 bilhões em produtos de ferro e aço para os EUA, o que correspondeu a quase metade de toda a sua produção destinada ao mercado externo. No setor de alumínio, os números também são significativos, com vendas de US$ 267,1 milhões. Com tarifas punitivas de 25% e 10%, essas exportações poderão enfrentar reduções drásticas, colocando em risco empregos, cadeias produtivas e a própria estabilidade de uma indústria estratégica.

Mas o impacto não se restringe ao Brasil. México, Canadá e Coreia do Sul também estão na mira das tarifas. Para Trump, o protecionismo é uma moeda de troca política, especialmente em estados americanos dependentes da indústria siderúrgica. No entanto, especialistas econômicos alertam que, a longo prazo, essa política pode se voltar contra a própria economia americana, encarecendo insumos e prejudicando setores que dependem do aço importado.

Submissão Sem Retorno

Durante o primeiro mandato de Trump, o governo de Jair Bolsonaro aceitou sem resistência as tarifas impostas ao aço brasileiro, sob a justificativa de que o apoio incondicional ao presidente americano garantiria benefícios futuros. Bolsonaro acreditava que esse alinhamento automático fortaleceria o Brasil como parceiro preferencial dos EUA, mas a estratégia se revelou equivocada. A reeleição de Trump, que não se concretizou em 2020, era a aposta do bolsonarismo para consolidar essa aliança. Quando as barreiras tarifárias foram impostas no final do governo Trump, o Brasil simplesmente as aceitou, demonstrando uma postura de subserviência que pouco ajudou a indústria nacional.

Agora, com Trump de volta ao poder, a extrema direita brasileira se vê em um dilema. Por um lado, precisa justificar aos seus eleitores o apoio a um presidente que adota políticas abertamente protecionistas contra o Brasil. Por outro, busca desesperadamente se manter relevante no cenário internacional, alimentando teorias da conspiração e reforçando uma retórica nacionalista que se choca com a realidade de sua submissão.

A retórica bolsonarista, que prega o patriotismo e a defesa dos interesses nacionais, entra em contradição quando confrontada com os fatos. Parlamentares como Carlos Jordy e Helio Lopes, que frequentemente denunciam políticas intervencionistas no Brasil, agora precisam explicar por que apoiam medidas de Trump que claramente prejudicam a economia brasileira.

Reciprocidade tarifária ou retórica eleitoral?

O discurso de Trump sobre “reciprocidade” nas tarifas comerciais é, na verdade, uma ferramenta política. O presidente americano justifica a imposição de tarifas sob o argumento de que os Estados Unidos não estão sendo tratados de forma “justa” por outros países. O Brasil, por exemplo, possui uma tarifa média de importação de 6,7%, enquanto a tarifa média dos EUA é de 2,2%. Essa disparidade, segundo Trump, legitima a aplicação de barreiras comerciais.

No entanto, especialistas apontam que a análise superficial dessas médias esconde uma realidade muito mais complexa. Embora os Estados Unidos tenham tarifas mais baixas na média geral, em setores estratégicos para o Brasil, como o agronegócio e o aço, as barreiras americanas são consideráveis e, em muitos casos, inviabilizam o comércio. Isso demonstra que a retórica de Trump é mais voltada para mobilizar sua base política do que para resolver efetivamente os desequilíbrios comerciais.

Serenidade e Pragmatismo na Resposta

Diante desse cenário, o governo Lula adota uma estratégia diferente da de seu antecessor. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu uma postura de “serenidade e pragmatismo”, evitando responder a Trump com escaladas retóricas ou confrontos diretos. O Itamaraty está trabalhando no mapeamento dos setores que podem ser mais afetados pelas tarifas e já elabora uma lista de produtos americanos que poderão ser alvo de retaliação.

A ideia central da diplomacia brasileira é evitar cair nas armadilhas políticas de Trump, que utiliza crises internacionais para fortalecer sua imagem doméstica. Ao contrário de Bolsonaro, que buscava o alinhamento automático com os EUA, o governo Lula aposta na construção de alianças estratégicas por meio de fóruns multilaterais, como o G20, os BRICS e a COP30, que será sediada no Brasil.

A Submissão da Extrema Direita

A postura subserviente da extrema direita brasileira em relação a Trump não é apenas uma questão econômica, mas também política. Desde o retorno de Trump ao poder, figuras bolsonaristas têm buscado justificar sua lealdade ao ex-presidente americano por meio de teorias da conspiração. Uma das mais recentes foi propagada por Michael Benz, ex-funcionário do governo Trump e disseminador de fake news, que alegou sem provas que a USAID teria interferido nas eleições brasileiras para prejudicar Bolsonaro.

Essas teorias foram rapidamente absorvidas por políticos como Julia Zanatta, Helio Lopes e os filhos de Bolsonaro, que as divulgaram nas redes sociais como se fossem fatos comprovados. Elon Musk também desempenhou um papel importante na amplificação dessas narrativas, utilizando suas plataformas digitais para influenciar o debate público.

No entanto, como mostram os fatos, Trump vê o Brasil apenas como um aliado conveniente e descartável. Durante a posse de seu segundo mandato, a comitiva bolsonarista foi tratada com desdém, um sinal claro de que o apoio incondicional a Trump não será recompensado.

Um caminho para a independência

A nova guerra comercial iniciada por Trump expõe os erros de uma política externa baseada no alinhamento automático e na submissão ideológica. O Brasil, com seu peso econômico e político, não pode se dar ao luxo de ser visto como um “cucaracha” à mercê dos caprichos de líderes estrangeiros. A estratégia adotada pelo governo Lula, que privilegia o diálogo multilateral e a defesa firme dos interesses nacionais, é um passo na direção certa.

Se o bolsonarismo continuará preso ao papel de subserviente de Trump, caberá ao Brasil institucional — com sua diplomacia e seus setores produtivos — buscar alternativas para minimizar os danos causados pelas tarifas e construir uma política externa independente. A lição desse episódio é clara: nenhum país, especialmente um com a relevância do Brasil, deve colocar seus interesses nas mãos de líderes estrangeiros que não veem além de seus próprios projetos de poder.

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