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Poder
Avaliação positiva do americano ao presidente brasileiro foi sinal de distanciamento estratégico do “aliado” ideológico
Publicado em 27/05/2026 2:51 - Semana On
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez elogios ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante uma conversa reservada com o senador Flávio Bolsonaro na Casa Branca, segundo informações divulgadas pela colunista Mariana Sanches no UOL News. O encontro ocorreu em meio aos esforços da comitiva ligada ao bolsonarismo para transformar a visita em ativo político e eleitoral.
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De acordo com a jornalista, a conversa ultrapassou os temas inicialmente divulgados, como as discussões relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho. Em determinado momento, Trump questionou Flávio Bolsonaro e os integrantes da delegação brasileira sobre a repercussão da reunião que havia mantido com Lula no início de maio, em Washington. O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos durou cerca de três horas.
Segundo o relato de Sanches, os brasileiros responderam que Lula havia classificado a reunião como positiva. Trump, então, concordou com a avaliação e afirmou que o encontro havia sido “bom”, apesar de não ter resultado em acordos formais ou assinaturas de compromissos bilaterais.
Ainda conforme a apuração apresentada pela colunista, Trump fez uma observação pessoal sobre Lula diante de um dos principais nomes do bolsonarismo. O presidente americano teria afirmado que o petista aparenta ser “muito velho”, mas que essa impressão muda quando ele começa a falar e agir. Para Trump, Lula demonstraria dinamismo e inteligência política.
A declaração chamou atenção porque contrasta com a expectativa de setores bolsonaristas de explorar a aproximação com Trump como um contraponto político ao governo brasileiro. Na avaliação apresentada no UOL News, o comentário do presidente americano enfraquece tentativas de transformar o encontro em um gesto explícito de alinhamento ideológico contra Lula.
A reunião também foi marcada por longos comentários de Trump sobre mudanças estruturais na Casa Branca. Segundo Mariana Sanches, o presidente americano dedicou mais de dez minutos da conversa para detalhar reformas em andamento no complexo presidencial.
Entre os temas abordados, Trump teria mencionado a decisão de cimentar o tradicional Rose Garden, espaço histórico da Casa Branca, sob a justificativa de que o local era pouco utilizado. O republicano também defendeu a construção de um novo salão de festas no complexo presidencial — projeto que enfrenta críticas até mesmo dentro de setores do Partido Republicano devido ao custo e ao simbolismo da obra.
Fontes ouvidas pela colunista afirmaram que Flávio Bolsonaro e sua equipe permaneceram aproximadamente uma hora e quarenta minutos no complexo da Casa Branca. Desse período, quase uma hora teria sido dedicada diretamente à conversa com Trump.
Durante a visita, o senador brasileiro levou camisas da seleção brasileira destinadas ao presidente americano e a integrantes da família Trump. Os presentes incluíam itens para Melania Trump, Ivanka Trump e Jared Kushner, além de assessores próximos do presidente, como Suzy Wiles e Stephen Miller.
Apesar disso, segundo a apuração apresentada no programa, as camisas não chegaram diretamente às mãos de Trump. O motivo teria sido uma norma de segurança do Salão Oval que impede a entrega direta de presentes ao presidente dos Estados Unidos.
A repercussão política do encontro também foi analisada pelo professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan. Para ele, o principal elemento do episódio não foi o conteúdo divulgado pela equipe de Flávio Bolsonaro, mas a ausência de manifestações públicas de Trump após a reunião.
Trevisan afirmou que o presidente americano compreende os impactos internos que um eventual gesto explícito de apoio poderia produzir na política dos Estados Unidos. Segundo o professor, qualquer demonstração pública de “carinho” a Flávio Bolsonaro poderia gerar repercussões dentro do próprio Partido Republicano e fortalecer disputas associadas ao secretário de Estado, Marco Rubio.
Na avaliação do analista, o silêncio de Trump cria uma zona de incerteza sobre o real significado político da visita. Até o momento, observou Trevisan, todas as informações sobre a reunião partiram exclusivamente da versão apresentada por Flávio Bolsonaro e sua equipe.
O professor também questionou a interpretação sobre o tempo efetivo do encontro no Salão Oval. Segundo ele, o período de uma hora e quarenta minutos mencionado pelo senador corresponde ao tempo total de permanência na Casa Branca, não necessariamente à duração integral de uma conversa privada com Trump.
Para Trevisan, a ausência de uma versão oficial do presidente americano abre espaço para disputas narrativas sobre o conteúdo das conversas e sobre o alcance político da visita. Na leitura do especialista, o silêncio de Trump pode ter sido deliberado justamente para impedir que o encontro se convertesse em um instrumento de exploração eleitoral no Brasil.
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