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Poder
Na Itália, avança o processo de extradição contra Carla Zambelli
Publicado em 13/02/2026 9:01 - Semana On
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou ontem (12) uma fotografia ao lado de dois aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que estão foragidos da Justiça brasileira: Alexandre Ramagem e Allan dos Santos. A imagem foi divulgada nas redes sociais de Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde 2025.
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Na legenda, o ex-parlamentar escreveu: “Não podemos retornar à nossa pátria, mas ao menos estamos livres!”. Ele acrescentou que os três enfrentam restrições pessoais e financeiras, como separação de familiares, bloqueio de contas e impedimentos profissionais.
Eduardo perdeu o mandato em dezembro de 2025 por excesso de faltas, após deixar o país e não retornar às atividades legislativas. A Mesa Diretora da Câmara aplicou a regra constitucional que prevê a perda do cargo ao parlamentar que se ausenta de mais de um terço das sessões deliberativas. Ele não é alvo de mandado de prisão nem foi denunciado por participação na tentativa de golpe investigada pelo Supremo Tribunal Federal.
Condenação de Ramagem
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A decisão incluiu crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe e integração de organização criminosa. Após o trânsito em julgado, Ramagem deixou o Brasil e passou a residir nos Estados Unidos. Há mandado de prisão em vigor contra ele, e o governo brasileiro formalizou pedido de extradição às autoridades norte-americanas. Seu mandato de deputado também foi cassado pela Câmara.
Allan dos Santos e o inquérito das fake news
Allan dos Santos está foragido desde 2021, quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito 4781, conhecido como “inquérito das fake news”. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa dedicada à disseminação de desinformação e ataques a ministros do STF.
Segundo a decisão que determinou a prisão, haveria risco de continuidade das condutas investigadas e indícios de atuação sistemática contra instituições democráticas. Allan já estava nos Estados Unidos quando a ordem foi expedida e não retornou ao Brasil. O mandado segue válido, e o pedido de extradição também foi encaminhado, sem cumprimento até o momento.
Extradição de Zambelli avança na Itália
Enquanto aliados de Bolsonaro permanecem nos Estados Unidos, a situação judicial da ex-deputada Carla Zambelli avança na Europa.
A Corte de Apelações de Roma concluiu na quinta-feira (12) a fase de audiências do processo de extradição da parlamentar. Ministério Público italiano e defesa apresentaram suas manifestações, e o tribunal deverá decidir nos próximos dias se Zambelli permanecerá na Itália ou será entregue às autoridades brasileiras.
O julgamento começou na quarta-feira (11), após quatro adiamentos para complementação de informações. Na terça-feira (10), o tribunal rejeitou pedido da defesa para substituição dos juízes responsáveis, após advogados alegarem suposta inclinação “pró-extradição” do colegiado.
A extradição foi solicitada pelo Ministério da Justiça do Brasil por determinação do STF. Se confirmada, Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina da Colmeia, no Distrito Federal. Desde julho de 2025, ela está detida no Complexo Penitenciário de Rebibbia, nos arredores de Roma.
Condenação por invasão ao CNJ
No primeiro semestre de 2025, Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo a decisão, ela tentou inserir documentos falsos, entre eles um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O caso veio à tona a partir das declarações do hacker Walter Delgatti, apontado como coautor.
Cidadã italiana por casamento, Zambelli deixou o Brasil após o trânsito em julgado da condenação. A pedido do governo brasileiro, a Interpol foi acionada, e a Justiça italiana decretou sua prisão. Ela permanece sob custódia até a decisão final sobre a extradição.
A sentença incluiu ainda a cassação de seu mandato. O trecho foi submetido ao plenário da Câmara dos Deputados em dezembro, mas não obteve os votos necessários para implementação. Posteriormente, o STF reiterou a determinação, e Zambelli renunciou ao cargo.
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