Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Poder
Congresso analisa na quinta-feira veto de Lula ao PL da Dosimetria
Publicado em 28/04/2026 8:55 - Congresso em Foco
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), apresentou requerimento de urgência para o projeto de lei 1009/2022, de autoria do ex-deputado Alexandre Frota. A proposta define crimes contra o Estado de Direito como hediondos e, por isso, insuscetíveis de anistia, graça ou indulto. O pedido foi protocolado uma semana antes da data marcada para a análise do veto ao PL da Dosimetria.
SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAM, FACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP
Além de vedar o uso de instrumentos de perdão presidencial, a classificação como crime hediondo impõe o cumprimento da pena em regime inicial fechado e estabelece regras mais rígidas para progressão, especialmente em casos de reincidência.
Entre os crimes contra o Estado de Direito estão dois pelos quais o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado em 2025: tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito. Esses mesmos tipos penais também foram atribuídos à maioria dos condenados na Ação Penal do Golpe e nos julgamentos de manifestantes envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
O projeto segue direção oposta à do PL da Dosimetria, que flexibiliza a progressão de pena para crimes comuns cometidos na data dos ataques às sedes dos Três Poderes e impede a soma de penas. Caso a proposta defendida pelo PT seja aprovada, no entanto, ela não terá efeito sobre processos em andamento ou sentenças já proferidas.
O texto também prevê o cumprimento imediato da pena após a sentença quando o crime for cometido por autoridade julgada em tribunal superior. “As autoridades constituídas juram defender a Constituição e consequentemente o Estado Democrático de Direito, portanto a pena para estas pessoas deve ser agravada”, afirmou o autor.
Segundo Pedro Uczai, “a iniciativa traduz uma reação legislativa firme contra o favorecimento de estupradores, feminicidas e pedófilos, bem como golpistas e traidores da pátria, com o objetivo de reafirmar o nosso compromisso com a segurança pública, a democracia e a soberania”. O líder sustenta que a derrubada do veto ao PL da Dosimetria beneficiaria criminosos comuns, inclusive em casos de assédio ou importunação sexual.
Próximos passos
A votação sobre a derrubada do veto ao PL da Dosimetria está prevista para a sessão conjunta do Congresso Nacional de quarta-feira (29). São necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado para que o veto seja rejeitado e o projeto passe a valer como lei.
Na Câmara dos Deputados, está prevista uma reunião do Colégio de Líderes nesta terça-feira (28) para definir a pauta da semana. A decisão final sobre a inclusão de requerimentos de urgência cabe ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), embora, na prática, o rito siga acordos firmados entre as lideranças partidárias.
Quando aprovados, os requerimentos de urgência permitem que projetos sejam analisados diretamente no Plenário, sem passar pelas comissões.
Congresso analisa veto de Lula ao PL da Dosimetria
Na próxima quinta-feira (30), o Congresso Nacional realizará a primeira sessão conjunta do ano com um único item na pauta: o veto presidencial 3/2026, referente ao chamado PL da Dosimetria. A discussão retoma o embate dos anos anteriores entre governo e oposição sobre o tratamento judicial dado aos condenados pelos ataques às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
A derrubada do veto é uma das prioridades da oposição na agenda legislativa de 2026. O projeto, embora não coloque o ex-presidente Jair Bolsonaro de volta na disputa eleitoral, reduz sua pena e o período em regime fechado, o que pode antecipar seu retorno à articulação política.
Do outro lado, o governo também trata a manutenção do veto como prioridade. O Executivo considera o projeto uma ameaça direta à democracia e uma afronta ao Poder Judiciário, defendendo a preservação das penas estabelecidas pelo STF.
Novo cenário
O debate ocorre após uma ampla mudança no equilíbrio de forças no Congresso. A sessão foi marcada para quase um mês depois da conclusão da janela partidária, período em que 128 deputados trocaram de partido, alterando o peso das bancadas nas negociações em um momento de maior pressão eleitoral sobre os parlamentares.
A discussão também ocorre com mudanças na articulação do governo. No Planalto, a função antes exercida pela ex-ministra Gleisi Hoffmann passa a ser conduzida por José Guimarães. Na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS) assume o lugar de Guimarães como líder do governo, enquanto Pedro Uczai (PT-SC) ocupa a posição anteriormente atribuída por Lindbergh Farias (PT-RJ) como líder do PT.
Histórico do projeto
O PL da Dosimetria surgiu na Câmara dos Deputados como uma proposta de anistia ampla aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, incluindo autoridades investigadas por participação ou omissão, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados na ação penal do golpe.
A proposta foi prioridade da oposição desde 2024, e ganhou força no Colégio de Líderes na medida que avançaram os processos contra Bolsonaro. Em setembro, após a condenação do ex-presidente, a Câmara aprovou a urgência do projeto, e Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi escolhido relator.
Diante da resistência do governo, do Judiciário e de parte do Legislativo, o relator apresentou um substitutivo que abandonou a anistia e reformulou o texto como um projeto de revisão da dosimetria penal.
Em vez do perdão, a proposta passou a alterar critérios de definição de penas para crimes contra o Estado de Direito, proibindo a cumulatividade de tipos penais e flexibilizando a progressão de regime para crimes comuns. Com isso, o tempo de prisão em regime fechado para Bolsonaro cairia de seis para dois anos.
O texto não agradou plenamente nem ao governo, contrário a qualquer flexibilização de penas para os condenados de 8 de janeiro, nem à oposição, que continuou defendendo anistia “ampla, geral e irrestrita”. Ainda assim, o bloco minoritário votou a favor e contou com apoio da maior parte dos partidos de centro.
A proposta gerou críticas de juristas, que apontaram risco de facilitar a progressão de regime para criminosos comuns, inclusive em crimes sexuais como assédio e importunação. Para evitar essa interpretação, o relator no Senado, Esperidião Amin (PP-SC), incorporou emenda do senador Sergio Moro (União-PR) para restringir explicitamente a aplicação aos réus de 8 de janeiro.
No Senado, o governo voltou a ser derrotado, e o projeto seguiu para sanção presidencial.
Veto presidencial
Após o envio ao Palácio do Planalto, o governo adiou a decisão até o dia 8 de janeiro de 2026, quando o presidente Lula anunciou o veto integral durante cerimônia em memória da resistência do Estado de Direito aos ataques de três anos antes.
No evento, Lula destacou o caráter antidemocrático dos ataques e afirmou que o veto reafirma princípios republicanos. “Não aceitamos nem ditadura civil nem militar, queremos democracia”, declarou.
O presidente também defendeu a legitimidade dos julgamentos. “Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF. Todos tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade e, ao final, condenados com base em provas robustas, não em ilegalidades ou em meras convicções”, afirmou.
Desafio em Plenário
Os placares da tramitação indicam um cenário difícil para o governo. Na Câmara, o projeto foi aprovado em dezembro por 291 votos a favor e 148 contrários, acima dos 257 necessários para derrubar um veto presidencial. No Senado, foram 48 votos favoráveis, 25 contrários e uma abstenção, também acima do mínimo de 41 votos.
Na prática, o governo precisaria reverter ao menos 35 votos na Câmara ou 8 no Senado para evitar a derrubada do veto, com base nesses resultados. Se não houver concordância entre as duas Casas, o veto é mantido.
Ipsos-Ipec: 56% são favoráveis à prisão domiciliar de Bolsonaro; 35% discordam
A maioria dos brasileiros é favorável à decisão da Justiça de conceder prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por motivos de saúde, segundo pesquisa da Ipsos em parceria com o Ipec. O levantamento aponta que 56% concordam com a medida (38% totalmente e 18% em parte), enquanto 35% discordam (26% totalmente e 9% em parte). Outros 3% se dizem indiferentes e 6% não souberam ou não responderam.
O estudo mostra que o posicionamento político segue como principal fator de divisão nas opiniões. Entre os eleitores de Bolsonaro no segundo turno de 2022, 69% concordam com a prisão domiciliar (54% totalmente e 15% em parte), com 25% de discordâncias (18% totalmente e 7% em parte). Já entre os eleitores de Lula (PT), embora 42% discordem da medida (33% totalmente e 9% em parte), há uma parcela relevante que concorda: 52% apoiam a decisão, sendo 30% totalmente e 22% em parte.
Recortes geográficos também indicam diferenças relevantes. A concordância é maior entre moradores do interior (58%) do que nas capitais (49%), além de ser mais elevada em cidades com até 50 mil habitantes (60%) frente aos municípios com mais de 500 mil habitantes (50%). A concordância também é mais elevada na região sul (61%).
A pesquisa também investigou a opinião sobre o cumprimento da pena após o período de 90 dias de prisão domiciliar. Nesse cenário, 49% defendem que Bolsonaro permaneça em casa, enquanto 42% avaliam que ele deveria retornar à prisão na Papudinha. Outros 9% não souberam ou não responderam.
Novamente, a polarização política aparece de forma acentuada: 82% dos eleitores de Bolsonaro defendem a manutenção da prisão domiciliar, ante 25% entre os eleitores de Lula. Por outro lado, 69% dos eleitores do atual presidente preferem o retorno à prisão, contra 12% dos bolsonaristas.
“O voto no segundo turno da eleição de 2022 continua sendo o principal preditor de opinião sobre temas ligados ao ex-presidente e ao atual presidente, mostrando que a polarização segue como marca registrada da política brasileira”, afirmou, em nota, a diretora-geral do Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari.
A manutenção da prisão domiciliar é mais defendida por pessoas com renda acima de cinco salários mínimos (60%), moradores da região sul (58%), evangélicos (58%) e idosos com 60 anos ou mais (54%), enquanto o retorno à prisão é mais citado no nordeste (50%) e entre os jovens (48%).
O levantamento foi realizado entre 8 e 12 de abril de 2026, com 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.
SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON
Deixe um comentário