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Poder
"Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles", diz Lula
Publicado em 23/04/2026 9:44 - Semana On
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O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou na quarta-feira (22) que a instituição retirou as credenciais de um agente de segurança dos Estados Unidos que atuava na sede em Brasília, como um ato de “reciprocidade” diplomática.
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A medida é uma resposta à decisão do governo americano de retirar, nesta terça-feira, as credenciais no país do adido de segurança do Brasil, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami como elo de ligação com as autoridades de imigração americanas, disse o chefe da PF em entrevista concedida à GloboNews.
As autoridades americanas libertaram, em 15 de abril, Alexandre Ramagem, após dois dias de detenção na Flórida. O ex-chefe de inteligência do ex-presidente Jair Bolsonaro é condenado pelo STF por incitar um golpe de Estado em 2022, após a eleição de Lula à presidência.
Credenciais suspensas
O chefe da PF explicou que Marcelo Ivo, representante brasileiro junto à agência de imigração americana ICE, teve suas credenciais suspensas em sua unidade de trabalho em Miami.
“Com pesar, retirei hoje as credenciais do oficial (de imigração) dos Estados Unidos que estava na Polícia Federal” até que “possamos esclarecer definitivamente o que aconteceu”, disse Rodrigues, invocando o “princípio da reciprocidade”.
Rodrigues disse que não recebeu notificação de uma “expulsão” e que foi ele quem decidiu que Ivo voltasse para o Brasil. Na segunda-feira passada, o Departamento de Estado dos EUA havia divulgado, no X, ter solicitado que um funcionário brasileiro deixasse os Estados Unidos por ter tentado “manipular” o sistema de imigração e “estender uma caças às bruxas políticas ao território americano”.
O diretor-geral da PF negou qualquer irregularidade por parte do agente brasileiro e disse que é “insano” acreditar que Ivo tenha tentado “enganar” os Estados Unidos.
Além disso, o diretor-geral da PF afirmou que não houve “nenhuma expulsão de nenhum funcionário brasileiro.
Rodrigues garantiu que Marcelo Ivo voltou ao Brasil “por sua própria decisão” devido ao episódio, para que a PF pudesse “esclarecer” se existe um processo formal do governo de Donald Trump contra o funcionário.
O chefe da PF declarou que entendeu que seria “mais prudente convocá-lo para que voltasse ao Brasil” depois que retiraram as credenciais, embora tenha esclarecido que o funcionário continua credenciado na agência dos Estados Unidos e que sua missão lá permanece em vigor.
Ramagem preso por infração de trânsito
Marcelo Ivo de Carvalho participou da prisão de Alexandre Ramagem (PL), ex-deputado e ex-chefe de Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de Bolsonaro, que fugiu em setembro de 2025 após receber uma pena de 16 anos de prisão pelo envolvimento na tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente. Em janeiro, o governo federal formalizou aos EUA o pedido de extradição de Ramagem.
Segundo o diretor da polícia, Ramagem foi preso na Flórida por uma infração de trânsito. “Quando o abordaram, solicitaram seus documentos e identificaram que ele estava com o visto cancelado pelo próprio ICE”, afirmou.
Os aliados de Ramagem atribuíram sua rápida libertação a intervenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles”, diz Lula sobre EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a ação da PF. Segundo Lula, a medida corresponde ao princípio da reciprocidade.
“Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula, em vídeo nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota publicada na rede X, que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada que o Brasil iria aplicar o princípio da reciprocidade “diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, como prevê acordo bilateral de cooperação na área policial.
“A medida tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”, diz a nota.
“O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança”, acrescenta, afirmando ainda sobre a adoção do mesmo tratamento ao agente norte-americano.
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