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Renan pressiona Banco Central e promete expor bastidores do caso no Senado
Publicado em 19/03/2026 1:26 - Semana On
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A recente movimentação da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro adiciona novos elementos ao já complexo tabuleiro de investigações envolvendo o caso Master. Na quarta-feira (18), o advogado José Luis Oliveira Lima — conhecido no meio jurídico como Juca — reuniu-se com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo. No encontro, segundo apuração, foi discutida a possibilidade de um acordo de colaboração premiada envolvendo o empresário.
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A escolha de Juca não é trivial. O criminalista acumula experiência em negociações desse tipo, tendo atuado, por exemplo, na delação do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato — acordo que implicou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua entrada na defesa de Vorcaro ocorre após a saída dos advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, sinalizando uma possível mudança de estratégia jurídica.
Nos bastidores, já havia indicativos de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantinha tratativas iniciais com a defesa do banqueiro sobre uma eventual colaboração. Reportagem da jornalista Natália Portinari revelou que essas conversas ainda estavam em estágio preliminar. No entanto, fontes ligadas ao caso avaliam que, neste momento, a Polícia Federal desponta como interlocutora mais provável para a formalização de um acordo.
Essa percepção decorre, em parte, do avanço das investigações. A PF reúne um volume expressivo de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos ao longo das três fases da operação Compliance Zero, material que vem sendo analisado e pode fortalecer o poder de barganha da corporação em negociações.
O pano de fundo institucional também influencia o cenário. A relação entre o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sofreu desgaste após a PGR não endossar a prisão de Vorcaro, episódio que evidenciou divergências internas sobre a condução do caso.
Estratégia ampliada e risco de conflito
A atuação de Juca ganha contornos ainda mais complexos ao se considerar sua dupla vinculação no caso. Além de defender Vorcaro, o advogado também representa João Carlos Falbo Mansur, ex-presidente do conselho de administração da Reag, gestora de fundos que figura entre as maiores do país e está sob investigação da Polícia Federal em frentes que incluem o próprio caso Master.
A Reag aparece nas apurações como possível intermediária em operações financeiras sob suspeita, envolvendo recursos que também transitariam pelo esquema investigado. Diante disso, especialistas em direito penal passaram a questionar a viabilidade ética e técnica da atuação simultânea do advogado, diante do potencial conflito de interesses.
Na prática, essa sobreposição impõe limites claros: torna-se juridicamente incompatível conduzir uma defesa tradicional para uma das partes enquanto se negocia colaboração premiada para outra, quando ambas são citadas nas mesmas investigações. Esse impasse levou investigadores e advogados a reavaliarem suas estratégias.
A hipótese que ganha força em Brasília é a de que Juca esteja conduzindo negociações coordenadas de múltiplos acordos de colaboração, buscando maximizar benefícios para seus clientes em um movimento conjunto. Nos bastidores, há a percepção de que as tratativas envolvendo Mansur estariam em estágio mais avançado.
A possibilidade de delações interligadas — envolvendo simultaneamente Vorcaro e a estrutura da Reag — já circula com um apelido sugestivo entre investigadores e operadores do direito na capital federal: “colaboração do Apocalipse”.
Renan pressiona Banco Central e promete expor bastidores do caso Master no Senado
O avanço das apurações sobre o caso Master ganhou um novo eixo de tensão institucional no Senado. De posse de documentos enviados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) sinalizou que pretende tornar públicas informações que, segundo ele, permitem escrutinar a atuação do Banco Central ao longo da trajetória da instituição financeira investigada.
O material, recebido pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), chegou acompanhado de exigências formais de confidencialidade. Ainda assim, Renan indicou que irá flexibilizar o sigilo, preservando apenas os dados protegidos por lei — como informações bancárias, fiscais e telemáticas. A iniciativa aponta para um embate direto sobre transparência em decisões regulatórias que, embora técnicas, têm impacto sistêmico.
Nos bastidores, a expectativa é que os documentos permitam reconstruir, com precisão cronológica, o papel desempenhado pelo Banco Central desde a estruturação até a liquidação do Master. Entre os pontos mais sensíveis estão registros de reuniões internas e eventuais divergências entre diretores, especialmente em decisões que ampliaram o escopo de atuação da instituição em segmentos de maior risco — como o crédito consignado.
O episódio também reposiciona o debate sobre governança e supervisão no sistema financeiro. A investigação administrativa conduzida já na gestão de Gabriel Galípolo resultou no afastamento de servidores, enquanto conexões entre ex-dirigentes do Banco Central e o setor privado — como a presença de Otávio Ribeiro Damaso e Roberto Campos Neto no Nubank — adicionam camadas de questionamento sobre portas giratórias e potenciais conflitos de interesse.
STF amplia prazo e PF aprofunda múltiplas frentes
No campo judicial, o caso segue em expansão. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prorrogação por 60 dias do inquérito que apura suspeitas de irregularidades em operações envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB). A decisão atende a pedido da Polícia Federal, que ainda processa um volume significativo de provas reunidas nas etapas iniciais da investigação.
A extensão do prazo reflete a complexidade do caso e a multiplicidade de linhas investigativas em curso. Além do núcleo que envolve transações com o BRB, a PF examina estruturas financeiras utilizadas para movimentação de recursos em benefício de pessoas ligadas ao controle do banco, bem como operações no mercado de capitais e estratégias de influência digital voltadas à defesa institucional.
A mudança anterior na relatoria — de Dias Toffoli para André Mendonça — já havia sinalizado a sensibilidade política e jurídica do caso, especialmente diante de menções a agentes públicos que, até o momento, não tiveram vínculo comprovado com os fatos investigados.
Com o cruzamento entre a ofensiva política no Senado e o aprofundamento técnico das investigações, o caso Master avança para uma fase em que a disputa não se limita à responsabilização individual, mas alcança o próprio modelo de supervisão e os mecanismos de accountability no sistema financeiro brasileiro.
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