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Poder
Ipec: 12% dos eleitores de Bolsonaro acham que ele atentou contra a democracia
Publicado em 17/12/2024 11:31 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL), Carlos Lins (Congresso em Foco) – Edição Semana On
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O senador e general da reserva Hamilton Mourão, ex vice-presidente de Jair Bolsonaro, se esforçou, durante entrevista ao jornal O Globo, para menosprezar a tentativa de golpe de Estado perpetrada por seu campo político, chamando-a de “conspiração Tabajara”. Sob esse ponto de vista, golpistas teriam saído impunes ao longo da História por serem incompetentes em alcançar o seu objetivo. Anistiar quem fracassa em derrubar a democracia é sempre um convite para que, na tentativa seguinte, o criminoso corrija seus erros e seja bem-sucedido.
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Tachar os militares, políticos e empresários (alô, financiadores do agro!) que participaram da intentona como burros ou intelectualmente limitados coloca-os em uma posição de inimputáveis. Portanto, o que fizeram vira uma grande bobagem que não merece atenção e não um crime que precisa ser denunciado e julgado.
O senador trata do planejamento do golpe como “conversas de WhatsApp”, ignorando que, hoje, revoltas populares, revoluções e golpes são fermentados em mensagens com dois tiques azuis. Os serviços de mensagens são mais efetivos para planejar a derrubada de governos do que tramoias marinadas a uísque no Clube Militar.
E tentando vender um padrão de golpe das antigas, o general da reserva Hamilton Mourão vaticina que “golpe é como você viu aí na Síria, na Venezuela, na Turquia, é tropa na rua, é tiro, é bomba”. Ele remete à imagem histórica de uma fila de tanques descendo de Minas Gerais até o Rio de Janeiro e tirando João Goulart do poder, como se os golpistas não tivessem se atualizado.
A conspiração bolsonarista quis criar situações em que militares interviriam em nome da restauração da paz. Tentaram organizar um levante após a derrota eleitoral, queimaram carros e ônibus em 12 de dezembro de 2022, plantaram uma bomba para explodir o aeroporto de Brasília na véspera de Natal, planejaram a morte de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes e realizaram o 8 de janeiro de 2023.
Ou seja, tentaram. Mas esbarraram na falta de apoio na cúpula das Forças Armadas, da comunidade internacional, de boa parte do empresariado, da sociedade civil, da imprensa.
Mourão se esforça, mas sabe que tudo aquilo não era boa coisa, tanto que faz questão de pedir para o incluírem fora dessa história de conspiração que ocorria na residência oficial do então presidente da República.
“Eu desconhecia toda e qualquer conversa neste sentido. Eu sabia que havia reuniões no Palácio da Alvorada depois do segundo turno, na época o presidente com os comandantes, o Braga Netto, mas desconheço os assuntos”, disse. Questionado diretamente se havia participado disso, respondeu: “Nenhuma vez fui chamado para reunião dessa natureza”.
O senador chega a chamar os conspiradores de “malucos”. O problema é que às vezes, a diferença entre um maluco e um tirano é quando os planos do segundo dão certo.
Bolsonaro teme rastro deixado pelo ‘faz-tudo’ de Braga Netto
Na definição de Nelson Rodrigues, a consciência humana é o medo do rapa. Às voltas com a torturante expectativa a de que o rapa da Polícia Federal pode laçá-lo qualquer momento, Bolsonaro revela em privado o medo que sente do rastro que o coronel do Exército Flávio Peregrino pode ter deixado nos equipamentos eletrônicos apreendidos pela PF.
Peregrino está a um passo de engrossar o rol dos 40 indiciados no inquérito sobre a trama golpista. Frequenta o enredo do golpe como assessor do general Braga Netto, preso no sábado, no Rio de Janeiro. Em ação simultânea à detenção do general, a PF fez batida de busca e apreensão na casa do coronel. Recolheu quatro notebooks, dois celulares e 36 pen-drives.
Com a rapidez de um raio, a PF obteve no próprio sábado do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorização para examinar o conteúdo armazenado na “nuvem” por Peregrino e Braga Netto, que também teve um par de celulares apreendidos. Daí o frisson que percorre a alma de Bolsonaro.
O capitão sabe onde o calo lhe aperta. Uma das marcas do enredo do golpe é a profusão de provas que os golpistas produziram contra si mesmos. Só uma tropa de suicidas didáticos deixaria tantas pistas pelo caminho —minutas de decreto, esboço de discurso, vídeos, áudios, mensagens, o diabo.
Bolsonaro já esboçou a intenção de tomar distância dos outros membros do alto-comando do golpe. Sua defesa já construiu a tese segundo a qual quem se beneficiaria de um eventual golpe não seria o capitão, mas os generais Braga Netto e Augusto Heleno, que assumiriam um comitê de gerenciamento da crise.
Informações novas podem transformar essa versão em algo ainda mais inverossímil. Seja como for, os integrantes daquilo que Bolsonaro chamava de “meu Exército” vão percebendo aos poucos que ninguém está mais só do que quando está mal acompanhada por Bolsonaro.

Ipec: 12% dos eleitores de Bolsonaro acham que ele tentou dar golpe
Uma fatia de 12% das pessoas que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022 acha que o ex-presidente participou do planejamento de uma tentativa de golpe de Estado. O dado é de pesquisa Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) divulgada nesta segunda-feira (16).
Na amostra geral da população, são 43% os que acham que Bolsonaro teve parte ativa no esquema investigado pela Polícia Federal (PF). Entre os que votaram em Lula, o número sobe para 70%.
Um total de 78% dos eleitores de Bolsonaro acha que o ex-presidente sofre perseguição política, enquanto 10% não sabem ou não responderam.
Para a realização da pesquisa, a Ipec entrevistou 2.000 pessoas em 131 cidades de forma presencial de 5 a 10 de dezembro de 2024. A margem de erro é de dois pontos percentuais para um nível de confiança de 95%.
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