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Como os novos escândalos em volvendo o senador assombram toda a direita
Publicado em 28/05/2026 9:08 - Semana On
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Pesquisa Meio/Ideia divulgada pelo Canal Meio mostra Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro e segundo turnos da disputa presidencial de 2026.
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Levantamento comparou intenções de voto do início do mês com dados desta semana e revelou queda de 3,9 pontos percentuais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após áudios com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
A pesquisa ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 23 e 27 de maio. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Canal Meio, e o registro no TSE é BR-02918/2026.
1º turno – estimulada*
Lula (PT) – 38,5%
Flávio Bolsonaro (PL) – 31,5%
Ronaldo Caiado (PSD) – 5,5%
Romeu Zema (Novo) – 2,4%
Renan Santos (Missão) – 2,1%
*Quando é dada uma lista com os nomes dos pré-candidatos.
Comparativo no 1º turno – Lula x Flávio Bolsonaro. A empresa realizou duas pesquisas no mês: entre 1 e 5 de maio, e depois entre 23 e 27 de maio.
Lula (PT): 40% na primeira pesquisa x 38,5% na segunda
Flávio Bolsonaro (PL): 36% na primeira pesquisa x 31,5% na segunda
2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro
Lula (PT) – 46,5%
Flávio Bolsonaro (PL) – 41,4%
Comparativo no 2º turno Lula x Flávio Bolsonaro. O levantamento também comparou os percentuais de 1 a 5 de maio com os de 23 a 27 de maio.
Lula (PT): 44,7% na primeira pesquisa x 46,5% na segunda
Flávio Bolsonaro (PL): 45,3% na primeira pesquisa x 41,4% na segunda
Rejeição – em quem o eleitor “não votaria de jeito nenhum”
Lula (PT) – 46,7%
Flávio Bolsonaro (PL) – 39,8%
Michelle Bolsonaro (PL) – 26%
Romeu Zema (Novo) – 18%
Ronaldo Caiado (PSD) – 16%
Lula lidera no agregador
O presidente Lula manteve a liderança contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas estimativas de intenção de voto para presidente no segundo turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Com os resultados das pesquisas nacionais divulgadas até a quarta-feira (27/5), a estimativa de intenção de votos no petista no segundo turno está agora em torno de 46%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 42%.


Como os novos escândalos do senador assombram a direita
Em 2019, durante o auge das investigações sobre o esquema das rachadinhas no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, uma frase dita por Fabrício Queiroz sintetizava o clima de tensão no entorno do senador. Em um áudio tornado público, o ex-assessor afirmou que o Ministério Público tinha “uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente”, numa referência às apurações sobre lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa.
Passados sete anos, o cenário político de Flávio Bolsonaro se tornou ainda mais complexo. Pré-candidato à Presidência da República, o senador chega ao período eleitoral pressionado por uma sucessão de suspeitas, investigações e desgastes acumulados ao longo de sua trajetória política. As relações controversas com empresários, os vínculos de aliados com esquemas criminosos e a proximidade de figuras investigadas pela Polícia Federal ampliam o cerco em torno do parlamentar.
Entre os episódios mais delicados está a destinação de uma emenda parlamentar de R$ 199 mil para uma ONG apontada como peça de um suposto esquema de desvio de recursos públicos associado aos irmãos Brazão, acusados de serem mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. Segundo investigações da Polícia Federal, a articulação para o envio da verba teria sido intermediada por um policial militar conhecido como “Peixe”, posteriormente condenado pelo homicídio da parlamentar do PSOL.
O caso elevou a pressão sobre Flávio Bolsonaro, que passou a ser cobrado por esclarecimentos sobre sua relação política com personagens ligados ao núcleo investigado pela execução de Marielle. Embora o senador não seja acusado de participação no crime, adversários e críticos apontam a necessidade de explicações sobre os vínculos estabelecidos com integrantes do grupo investigado.
Outra frente de desgaste político envolve a Operação Sem Refino, conduzida pela Polícia Federal para investigar um esquema bilionário de sonegação fiscal no setor de combustíveis envolvendo a empresa Refit. Nos bastidores da política fluminense, cresce a percepção de que o avanço das investigações pode atingir diretamente aliados estratégicos de Flávio Bolsonaro.
Na última semana, a operação teve como um dos alvos o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, aliado histórico do grupo bolsonarista. Relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal afirma que houve “leniência” e criação de um ambiente favorável à atuação da organização criminosa investigada, apontando uma conexão entre o crime organizado e agentes públicos influentes da política do estado.
Embora o documento não cite nominalmente Flávio Bolsonaro, a influência exercida pela família Bolsonaro no Rio de Janeiro tornou inevitável a associação política do senador ao ambiente descrito pela investigação. Nos bastidores do PL, aliados demonstram preocupação com a possibilidade de que o caso se aproxime ainda mais do núcleo bolsonarista, especialmente diante da proximidade entre Flávio, Cláudio Castro e o senador Ciro Nogueira, uma das principais figuras do Centrão durante o governo Jair Bolsonaro.
O desgaste também se agravou após revelações sobre a relação do senador com o banqueiro André Esteves Vorcaro. Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou a dirigentes do PL qualquer proximidade com o empresário. Posteriormente, mudou sua versão, afirmando que teria sido procurado pelo banqueiro, mas recusado encontros. Reportagens posteriores, no entanto, indicaram que o senador não apenas se reuniu com Vorcaro como teria solicitado recursos milionários para financiar um filme de caráter político sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio aprofundou a desconfiança interna dentro do próprio campo bolsonarista. Integrantes do PL passaram a questionar a credibilidade política do senador, avaliando que as sucessivas mudanças de versão fragilizam sua imagem inclusive entre aliados.
Apesar do acúmulo de controvérsias, nada indica, até o momento, que Flávio Bolsonaro pretenda recuar da disputa presidencial. Em circunstâncias convencionais, avaliam setores da direita, um candidato cercado por tantos desgastes dificilmente manteria apoio consistente dentro de seu grupo político. O cenário, contudo, é alterado pelo peso eleitoral da família Bolsonaro sobre a direita brasileira.
Mesmo diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o capital político do bolsonarismo continua fortemente concentrado no núcleo familiar. Para aliados do ex-presidente, preservar o controle da candidatura dentro do clã tornou-se prioridade estratégica, ainda que isso implique riscos eleitorais elevados.
Nesse contexto, nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado tentam construir espaço próprio no campo conservador, mas enfrentam limitações evidentes para romper completamente com o bolsonarismo. Além da dependência eleitoral do eleitorado identificado com Jair Bolsonaro, ambos carregam o peso de terem apoiado ou relativizado episódios controversos do antigo governo, incluindo denúncias de corrupção e os desdobramentos da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A consequência é uma direita politicamente condicionada ao destino do bolsonarismo. Com Jair Bolsonaro inelegível, um dos filhos investigado no exterior e Flávio Bolsonaro cercado por sucessivos escândalos, lideranças conservadoras convivem com um dilema: manter fidelidade ao clã e preservar a base eleitoral ou tentar uma ruptura que pode significar isolamento político e perda de apoio nas urnas.
Enquanto a eleição presidencial se aproxima, Flávio Bolsonaro terá de enfrentar não apenas adversários políticos, mas também o peso crescente das investigações, das suspeitas acumuladas e da desconfiança instalada até mesmo entre antigos aliados.
Uma direita agrilhoada
A permanência de Jair Bolsonaro como principal eixo organizador da direita brasileira, mesmo após condenações judiciais, isolamento político e restrições impostas pela Justiça, expõe uma fragilidade estrutural do campo conservador nacional. Longe de produzir uma reorganização interna, os últimos anos consolidaram uma dinâmica de dependência política em torno do ex-presidente e de sua família.
Mesmo afastado formalmente da disputa eleitoral, Bolsonaro segue exercendo influência decisiva sobre os rumos da sucessão presidencial de 2026. O fenômeno se sustenta menos pela capacidade de formular um novo projeto de país e mais pela incapacidade de lideranças conservadoras de construir uma alternativa viável fora da órbita bolsonarista.
Governadores como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Júnior passaram os últimos anos tentando equilibrar duas estratégias contraditórias: sinalizar moderação institucional enquanto preservavam vínculos eleitorais com a base radicalizada do ex-presidente. O resultado foi um movimento político sem ruptura efetiva, marcado por ambiguidades e hesitação diante dos episódios mais extremos do bolsonarismo.
Ao longo da última década, não faltaram oportunidades para o surgimento de uma direita conservadora desvinculada do personalismo da família Bolsonaro. A condução da pandemia, os ataques reiterados ao sistema eleitoral, a articulação golpista após as eleições de 2022, as campanhas contra ministros do Supremo Tribunal Federal e a defesa insistente de anistia para envolvidos nos atos antidemocráticos abriram sucessivas brechas para um distanciamento político mais claro. Esse rompimento, porém, nunca se concretizou de forma consistente.
O cálculo predominante entre setores da direita foi essencialmente eleitoral. A avaliação interna era de que qualquer enfrentamento direto ao bolsonarismo poderia resultar em perda imediata de apoio popular, especialmente entre eleitores fortemente mobilizados pelo antipetismo. Com isso, potenciais herdeiros políticos optaram por administrar a dependência em vez de enfrentá-la.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro emergiu como peça central da estratégia de sobrevivência política do grupo. Mesmo atingido por sucessivos desgastes e cercado por controvérsias, o senador preserva competitividade eleitoral justamente por carregar o sobrenome que concentra a fidelidade do eleitorado bolsonarista.
As pesquisas mais recentes indicam que o núcleo duro do ex-presidente permanece relativamente estável, garantindo ao grupo um piso eleitoral relevante. Ainda que insuficiente, neste momento, para assegurar vitória presidencial, esse contingente mantém a família Bolsonaro como força indispensável na reorganização da oposição nacional.
O impacto desse capital político vai além da disputa pelo Palácio do Planalto. A preservação da influência bolsonarista interessa diretamente ao PL e aos partidos associados ao campo conservador, sobretudo pelo potencial de formação de grandes bancadas parlamentares e pela capacidade de controle sobre recursos do sistema partidário.
A experiência de 2022 permanece como referência estratégica para esse setor. Apesar da derrota presidencial de Jair Bolsonaro, o PL saiu fortalecido no Congresso Nacional, ampliando sua presença institucional e consolidando poder político no Legislativo. A lógica predominante passou a ser a de que a manutenção da hegemonia bolsonarista pode continuar rendendo dividendos políticos mesmo em cenários de derrota eleitoral no Executivo.
A consequência dessa dinâmica é uma direita incapaz de redefinir sua identidade sem a tutela do ex-presidente. Lideranças que tentaram cultivar uma imagem de moderação acabaram aprisionadas pela própria hesitação. Apostaram na possibilidade de receber, no momento oportuno, uma transferência pacífica de capital político por parte de Bolsonaro, ignorando que o projeto do clã sempre esteve orientado prioritariamente para sua própria sobrevivência política e familiar.
A dependência se tornou ainda mais evidente diante da escolha de Flávio Bolsonaro como principal nome do grupo para a sucessão presidencial. O movimento demonstra que, mesmo em meio ao desgaste crescente e às sucessivas crises envolvendo integrantes da família, o bolsonarismo continua priorizando a preservação de seu controle interno sobre a direita brasileira.
No fundo, a crise atual do conservadorismo nacional revela uma contradição mais profunda: setores que se apresentavam como defensores da estabilidade institucional evitaram confrontar práticas e discursos que corroeram justamente essas instituições. Ao adiar sucessivamente esse rompimento, terminaram subordinando seu futuro político à capacidade de sobrevivência de um único grupo familiar.
O resultado é um campo conservador que chega a 2026 sem liderança consensual, sem renovação programática e ainda condicionado pelas decisões de um ex-presidente que, mesmo fora das urnas, continua determinando os limites políticos da direita brasileira.
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