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Poder

Maioria apoia prisão domiciliar de Bolsonaro, aponta Quaest

Tarcísio se apequena ao defender ex-presidente e desafiar o STF

Publicado em 25/08/2025 9:43 - Semana On

Divulgação STF

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A maioria da população brasileira considera justa a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. É o que revela a mais recente pesquisa da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados avaliam como adequada a medida imposta pelo STF após o descumprimento de restrições judiciais, enquanto 39% consideram a decisão injusta e 6% não souberam ou preferiram não responder.

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A prisão domiciliar foi decretada no dia 4 de agosto, após Bolsonaro aparecer em chamadas de vídeo projetadas em telões durante manifestações organizadas por apoiadores. A participação pública violaria medidas cautelares anteriores, como a proibição de uso de redes sociais e de comunicação com outros investigados. O episódio foi interpretado como um gesto deliberado de afronta ao Judiciário: 57% dos entrevistados entendem que o ex-presidente buscou provocar diretamente o ministro Alexandre de Moraes. Outros 30% acreditam que Bolsonaro apenas cometeu um erro por não compreender os limites da decisão judicial. Para 13%, o episódio permanece indefinido.

O levantamento, realizado em agosto, também indica que 84% dos brasileiros já tinham conhecimento da prisão domiciliar — um crescimento expressivo em relação a março deste ano, quando esse índice era de 73%. A curva ascendente revela que o caso está consolidado no debate público e na percepção coletiva de que há, sim, um processo legal em curso, e não uma perseguição pessoal, como insiste a retórica bolsonarista.

Opinião pública atenta ao julgamento no STF

A atenção da população ao processo em curso no Supremo Tribunal Federal também aumentou. O julgamento de Bolsonaro por sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado está previsto para começar em 2 de setembro. De acordo com a Quaest, 86% dos entrevistados dizem já estar cientes da tramitação do caso — um salto de 13 pontos percentuais em relação aos dados de março.

Além disso, a percepção de envolvimento do ex-presidente em um plano golpista também cresceu. Em dezembro de 2024, 47% dos entrevistados afirmavam que Bolsonaro participou da articulação de um golpe. Em março, esse número subiu para 49%. Agora, chegou a 52%. O movimento é lento, mas constante. Apenas 36% acreditam que ele não participou, enquanto 10% não têm opinião formada.

Esse derretimento gradual da imagem de Bolsonaro não é novidade, mas o atual estágio indica um processo de desgaste profundo, que atinge diretamente o centro da narrativa que o ex-presidente tenta sustentar: a de que seria alvo de uma perseguição política e judicial. A cada nova pesquisa, a retórica da vitimização parece perder tração frente a um eleitorado mais informado e mais atento ao curso institucional das investigações.

Desgaste político e erosão de capital simbólico

A perda de respaldo popular revela o esgotamento de um capital simbólico que foi fundamental para sustentar a figura de Bolsonaro como líder da direita brasileira. O ex-presidente, que insiste em posar como defensor das “quatro linhas da Constituição”, agora enfrenta um cenário em que a opinião pública o associa diretamente às tentativas de subversão da ordem democrática.

O cientista político Claudio Couto, da FGV, analisa que “a insistência na retórica da perseguição não se sustenta diante das evidências acumuladas e do fortalecimento institucional das investigações. Há um efeito de erosão simbólica, que é ainda mais nocivo do que a perda de apoio partidário” (fonte: FGV, entrevista ao jornal O Globo, 12/08/2025).

O próprio Supremo Tribunal Federal trata o caso com gravidade institucional. O ministro Alexandre de Moraes tem sustentado, em decisões anteriores, que há elementos robustos apontando para a existência de um plano de ruptura democrática articulado a partir do alto escalão do governo anterior. A decisão de mantê-lo em prisão domiciliar, portanto, não é apenas punitiva — é também uma medida de proteção ao andamento do processo.

O apoio é mais expressivo entre:

  • pessoas que se identificam como de esquerda, mas não lulistas (93%);
  • eleitores de Lula no segundo turno de 2022 (84%);
  • moradores do Nordeste (65%);
  • famílias com renda de até dois salários mínimos (62%);
  • católicos (62%);
  • jovens de 16 a 34 anos (59%);
  • mulheres (58%).

Já a percepção de injustiça é predominante entre:

  • bolsonaristas (87%);
  • eleitores de Bolsonaro no segundo turno de 2022 (83%);
  • evangélicos (57%).

Um julgamento, muitos recados

O julgamento marcado para setembro será, além de jurídico, profundamente político. Ainda que o STF mantenha sua função de tribunal constitucional, o simbolismo de ver um ex-presidente da República sentado no banco dos réus por tramar contra a democracia carrega um peso histórico inédito na Nova República.

A mensagem que se desenha é clara: os mecanismos institucionais não estão dispostos a relativizar ameaças golpistas. A opinião pública, ao menos neste momento, parece caminhar na mesma direção. Como lembrou o jurista Oscar Vilhena Vieira, professor da FGV Direito SP, “a democracia brasileira amadurece quando transforma rupturas em responsabilidade judicial, e líderes autoritários em réus” (Folha de S.Paulo, 07/08/2025).

Com mais de 80% dos brasileiros atentos ao desenrolar do caso, o julgamento de Jair Bolsonaro se consolida como um dos eventos políticos mais significativos desde o processo de redemocratização. A história, agora, é escrita sob os olhos da sociedade — e com dados cada vez mais consistentes sobre o que realmente aconteceu.

Tarcísio se apequena ao defender Bolsonaro e desafiar o STF

Tarcísio de Freitas (Republicanos) escolheu um momento crítico para reafirmar sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de marcar distância de um líder que se afunda em denúncias de tentativa de golpe e já cumpre prisão domiciliar por descumprir medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal, o governador de São Paulo decidiu dobrar a aposta. No último sábado (24), durante a abertura da Festa do Peão de Barretos, Tarcísio segurou um boneco de Bolsonaro, exaltou sua ligação com o ex-presidente e classificou sua situação como uma “grande injustiça”.

A fala não se restringiu a uma manifestação pessoal. Ao afirmar que “se a humilhação traz tristeza, o tempo vai trazer justiça”, o governador sugeriu, na prática, que a Justiça — mais especificamente, o STF — atua hoje de forma política e persecutória. A crítica, ainda que velada, coloca Tarcísio numa posição ambígua: a de governador do estado mais rico e influente do país que se recusa a reconhecer a legitimidade do sistema judicial responsável por zelar pela Constituição.

Essa escolha tem custo — político, institucional e histórico. A lealdade, quando cega, transforma-se em cumplicidade. E na atual conjuntura, defender Bolsonaro equivale a colar a própria biografia a um projeto de ruptura democrática cuja rejeição cresce de forma constante. Segundo a pesquisa Quaest divulgada na última semana, 52% dos brasileiros acreditam que Bolsonaro participou do plano de golpe; 55% consideram justa sua prisão domiciliar. O apoio popular à investigação e punição do ex-presidente não é trivial, tampouco isolado.

A conta da lealdade forçada

O dilema de Tarcísio é evidente: romper com Bolsonaro implicaria lidar com acusações de traição dentro do bolsonarismo, mas manter-se atrelado à figura do ex-presidente, num momento em que seu capital político e sua reputação desabam, carrega riscos maiores e duradouros. O clã Bolsonaro, por sua vez, não economiza nas alfinetadas. Carlos Bolsonaro já se referiu a Tarcísio como parte de um grupo de “ratos”; Eduardo Bolsonaro afirmou, em mensagem enviada ao pai, que “Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF”. O apoio que se cobra de Tarcísio não é de gratidão — é de servidão.

Diante desse quadro, ao insistir na defesa do padrinho político, Tarcísio não apenas se submete às exigências de um grupo em franca desintegração como se afasta do centro de gravidade da política institucional. Ao invés de liderar a transição para uma direita democrática e racional, opta por alimentar os delírios de uma base radicalizada que ainda vê no STF um inimigo e no golpe uma opção plausível.

Como escreveu o professor e jurista Oscar Vilhena Vieira: “A democracia não exige gratidão cega, mas exige coragem moral para romper com quem ameaça suas bases”. Ao seguir pelo caminho contrário, Tarcísio demonstra mais fidelidade a um homem do que à institucionalidade republicana.

O prato, a sujeira e o cálculo político

O dito popular diz que não se cospe no prato em que se comeu. Mas há pratos em que, por princípio, ninguém deveria se sentar à mesa. Bolsonaro contaminou esse banquete ao tentar subverter a ordem constitucional. Seus filhos atiçam a guerra interna do bolsonarismo com ataques a antigos aliados. A fidelidade exigida a Tarcísio se assemelha mais a um pacto de silêncio e de negação dos fatos do que a um gesto de reconhecimento político.

Ao perguntar “onde é que o Brasil vai parar?”, Tarcísio revela o desconforto de quem vê o país seguir em frente, enquanto seu grupo se apequena nas margens da legalidade. Seria mais honesto perguntar quando a Justiça irá deter os que atentaram contra a democracia — ainda que essa resposta possa incluir o nome do próprio mentor político.

O futuro de Tarcísio, até aqui visto como possível herdeiro do espólio bolsonarista com alguma respeitabilidade técnica, dependerá menos da fidelidade a Bolsonaro e mais da sua capacidade de demonstrar independência. Cada dia a mais ao lado do ex-presidente enredado em escândalos é um passo a menos no caminho para 2026.

E se há algo que a história recente já ensinou, é que os fiéis demais costumam cair juntos.

QUINTAL OU TRINCHEIRA?


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