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Poder
Flávio em 2º lugar isolado joga água fria em Tarcísio, centrão e Faria Lima
Publicado em 19/12/2025 5:13 - Semana On
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou de vez no jogo presidencial de 2026 como o nome mais competitivo da direita no primeiro turno contra Lula na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana.
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Nos seis cenários testados pela Quaest, Lula aparece com intenções de voto que variam de 34% a 41%, enquanto Flávio oscila entre 21% e 27%. Os governadores de oposição ficam bem atrás: Ratinho Júnior (13%), Tarcísio de Freitas (10%), Romeu Zema (6%) e Ronaldo Caiado (4%). Em eventuais segundos turnos, Lula venceria Flávio por 46% a 36% e também superaria Tarcísio e Ratinho Júnior por 45% a 35%.
Outra pesquisa, da AtlasIntel/Bloomberg, reforça o favoritismo de Lula em disputas contra nomes da direita, mas aponta desempenhos relativamente melhores de Tarcísio de Freitas e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nesse levantamento, Lula teria 49% contra 45% de Tarcísio; 50% contra 45% de Michelle; e 53% contra 41% de Flávio.
O dado central, porém, é político. Caso Flávio saia da disputa com a bênção explícita de Jair Bolsonaro, o nome indicado herdaria automaticamente o capital eleitoral do ex-presidente e saltaria para o segundo lugar. Isso evidencia que, mesmo preso, Bolsonaro segue com poder de barganha. Tem votos, tem base e, sobretudo, tem algo que o centrão não possui: capacidade de transferir apoio popular.
Esse peso fica ainda mais claro à luz de pesquisa Datafolha publicada neste mês, que aponta estabilidade na percepção da imagem de Jair Bolsonaro. A divisão entre os brasileiros que defendem sua punição e os que afirmam que ele não cometeu crime permanece praticamente inalterada, apesar do indiciamento, da denúncia, do julgamento, da condenação e até da confissão em vídeo envolvendo a violação da tornozeleira eletrônica. Segundo o Datafolha, 54% consideram justa a prisão do ex-presidente, enquanto 40% discordam — números que se repetem há mais de um ano, mesmo com a atualização do enunciado da pergunta.
Se a rejeição ao sobrenome Bolsonaro é elevada — 62% dizem que não votariam em Flávio “de jeito nenhum”, segundo a Quaest — o apoio também é robusto. Essa combinação ajuda a explicar por que o centrão precisa tanto de Jair Bolsonaro em 2026. Falta-lhe luz própria para alavancar candidaturas competitivas, algo que o líder da extrema direita ainda detém.
O desconforto é visível no mercado financeiro. Na Faria Lima, muitos executivos torcem o nariz para a possibilidade de uma candidatura de Flávio Bolsonaro e preferem Tarcísio de Freitas. Não por acaso, houve reação negativa quando Jair Bolsonaro sinalizou publicamente a pré-candidatura do filho mais velho.
A pesquisa Quaest, nesse sentido, funciona como um aviso. O preço para liberar a vaga e permitir que o centrão embarque em uma candidatura mais palatável — como a de Tarcísio, com a bênção do ex-presidente — não será baixo. Antes, será preciso aumentar o “faz-me-rir” exigido por Jair Bolsonaro. Flávio, por ora, cumpre o papel clássico do “bode na sala”. Mas, se o acordo não vier, é ele quem estará na urna eletrônica.
Enquanto isso, Tarcísio de Freitas tenta se posicionar. O governador de São Paulo afirmou nesta sexta-feira (19) que o objetivo da direita em 2026 é “derrotar o PT”, sob o argumento de que o partido “faz mal ao Brasil” e “gasta demais”. Segundo ele, a economia caminha para uma desaceleração que pode culminar em recessão, com impactos sobre empresas, empregos e renda.
Os dados, contudo, não corroboram essa leitura. O boletim Focus do Banco Central aponta crescimento de 1,8% em 2026, 1,83% em 2027 e 2% em 2028. Para 2025, a projeção é de alta de 2,25% do PIB. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor patamar desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.
Ainda assim, Tarcísio afirma que pretende articular lideranças da direita para “construir um projeto de Brasil” e sustenta que uma alternância de poder seria “saudável”. Embora admita ser um nome naturalmente cogitado para o Planalto, por governar o estado mais populoso do país, insiste que seu foco é a reeleição em São Paulo.
Mesmo após a indicação de Flávio Bolsonaro, parte da direita e do centrão segue defendendo o nome de Tarcísio, visto como mais moderado e com menor potencial de rejeição. A avaliação é que uma chapa encabeçada por um Bolsonaro enfrentaria resistências adicionais. Ainda assim, a expectativa de que Flávio desistisse da corrida perdeu força. Nos bastidores, caciques partidários já tratam sua candidatura como cada vez mais provável.
Na semana passada, o próprio Tarcísio reconheceu que Flávio Bolsonaro tem buscado se apresentar como alguém disposto a dialogar tanto com o Congresso quanto com o Judiciário — um gesto que, mais do que eleitoral, é parte de uma negociação maior em curso nos corredores de Brasília.
Lula venceria todos os candidatos de direita
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que o presidente Lula ganharia de todos os candidatos da direita no 1º turno e também em um eventual 2º turno nas eleições de 2026.
A pesquisa testou cinco cenários com Lula candidato. O presidente aparece à frente de Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Jr. (PSD), Ronaldo Caiado (União), e Romeu Zema (Novo).
A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou menos. Foram entrevistadas 18.154 pessoas por meio de questionários online em todo o país entre 10 e 15 de dezembro.
Cenário 1 (cenário ampliado):
Cenário 2 (cenário com Flávio):
Cenário 3 (cenário com Tarcísio):
Cenário 4 (cenário com Michelle):
Cenário 5 (cenário sem um Bolsonaro ou Tarcísio):
Cenário 6 (cenário com Haddad):
Segundo turno
Lula venceria Bolsonaro, Tarcísio, Michelle e Flávio. O presidente também ganharia de Caiado, Zema, Ratinho Jr. e Eduardo Leite.
Flávio Bolsonaro candidato
75,2% dos eleitores de Bolsonaro dizem concordar com a escolha de Flávio Bolsonaro como candidato. A pesquisa verificou se eleitores que votariam em Bolsonaro concordam com a indicação do nome do senador, filho do ex-presidente, para concorrer à presidência da República em 2026.
Na sua opinião, quem deveria ser escolhido como vice caso Flávio Bolsonaro seja candidato a presidente?
Na sua avaliação, qual dos possíveis candidatos de oposição tem mais chances de vencer Lula nas eleições presidenciais de 2026?
Cenário de 2022
Se as eleições presidenciais fossem acontecer neste próximo domingo e se os candidatos fossem os mesmos de 2022, inclusive Lula e Bolsonaro, em quem você votaria?
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