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Poder

Lula lidera todos os cenários e abre distância sobre adversários no 2º turno

Presidente diz que incomoda muita gente e fala em 4º mandato: 'Se preparem'

Publicado em 21/08/2025 1:03 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno e abriu distância sobre todos os potenciais adversários em eventuais segundos turnos na disputa presidencial de 2026. É o que aponta uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (21).

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Lula, na pesquisa da Quaest, liderou todos os possíveis cenários de primeiro turno, variando entre 34%, em um cenário contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (com 28%), e 35%, quando aparecem os nomes de Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

Na pesquisa espontânea, Lula aparece com 16%, Bolsonaro tem 9% e os demais candidatos chegam a 1%. Aparecem Michelle, Ratinho, Tarcísio e Ciro Gomes (PDT). Já 4% informaram que votarão em branco ou nulo, ou não irão votar. Os indecisos são 66%.

De acordo com o levantamento, 47% dos entrevistados têm mais medo da volta de Bolsonaro do que da reeleição de Lula. Houve um avanço neste percentual entre os eleitores que dizem não ter posicionamento político, passando de 36% para 46%, enquanto o índice dos que dizem temer o petista recuou de 31% para 25%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de agosto. Foram 12.150 entrevistas presenciais, feitas com brasileiros de 16 anos ou mais, que abrangem, além da avaliação nacional, amostra especial sobre a opinião dos eleitores de oito estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Pernambuco. A margem de erro é de 2 pontos percentuais na amostra nacional e em São Paulo e de 3 pontos percentuais nas estaduais.

Lula abre vantagem em todos os cenários de segundo turno

Segundo a pesquisa, em eventual segundo turno, Lula venceria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por 43% a 35%. Na pesquisa anterior, divulgada em julho, o petista aparecia empatado com Tarcísio, no limite da margem de erro.

Lula tem vantagem sobre os demais candidatos por diferenças entre 10 pontos (Ratinho Júnior, governador do Paraná) e 16 pontos percentuais (o senador Flávio Bolsonaro e os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás).

Em um cenário de disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e só poderia concorrer caso a medida fosse revertida, Lula teria vantagem de 12 pontos. O petista também tem vantagem contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), de 13 pontos, e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de 15 pontos.

Em todos os cenários, a Quaest entrevistou eleitores de oito estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Bahia. Nesses dois últimos estados, Lula tem seus melhores desempenhos, com votações acima de 60%.

Cenários de segundo turno

Lula x Jair Bolsonaro

Em um cenário de segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro, o petista aparece com 47%, enquanto o ex-presidente marca 35%. Indecisos são 3% e Branco/Nulo/Não vai votar marca 15%.

Lula x Tarcísio

Na pesquisa, Tarcísio aparece como o candidato mais competitivo da direita, após o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo assim, Lula venceria o governador de São Paulo por 43% a 35%.

Segundo a Quaest, em uma disputa contra Tarcísio, Lula só venceria na Bahia e em Pernambuco. Em São Paulo, perderia por 52% a 35%; no Paraná, por 46% a 32%; em Goiás, por 47% a 32%. Em Minas, teria 37%, empatando tecnicamente com o governador, que marca 39%; no Rio de Janeiro, o empate é numérico, em 35%. E no Rio Grande do Sul, haveria empate na margem de erro.

Lula x Michelle

Em um cenário contra Michelle Bolsonaro, Lula marca 47% e Michelle, 34%. Indecisos são 3% e Branco/Nulo/Não vai votar, 16%. Haveria empate em quatro estados: São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Lula venceria com folga, entretanto, em Pernambuco e na Bahia, e a ex-primeira-dama levaria boa vantagem no Paraná e em Goiás.

Lula x Ratinho Jr.

No cenário com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), Lula aparece com 44% e Ratinho, 34%. Indecisos são 4% e Branco/Nulo/Não vai votar, 18%. O governador paranaense tem 73% das intenções de voto em seu estado, contra 19% do petista. E venceria o presidente por 46% a 31% em Goiás.

Lula x Eduardo Leite

No cenário em que disputa com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), Lula marca 46% e o gaúcho, 30%. Indecisos são 4% e Branco/Nulo/Não vai votar, 20%. Leite teria vitória expressiva em seu estado (49% a 26%) e aparece à frente também no Paraná e em Goiás.

Lula x Eduardo Bolsonaro

Contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Lula marca 47% das intenções de voto e Eduardo, 32%. Indecisos são 3% e Branco/Nulo/Não vai votar, 18%. Eduardo Bolsonaro seria derrotado por Lula em Minas, Bahia e Pernambuco, venceria no Paraná e em Goiás e empataria tecnicamente em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

Lula x Zema

No cenário com o governador de Minas Gerais, Lula tem 46% das intenções de voto e Romeu Zema marca 32%. Indecisos são 4% e Branco/Nulo/Não vai votar, 18%. Zema tem o resultado mais modesto em seu estado entre os governadores pré-candidatos: 47% a 34%.

Lula x Caiado

Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), Lula marca 47% e Caiado, 31%. Indecisos são 4% e Branco/Nulo/Não vai votar, 18%. Caiado tem 72% das intenções de voto em seu estado.

Lula x Flávio Bolsonaro

Contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula marca 48% e Flávio, 32%. Indecisos são 3% e Branco/Nulo/Não vai votar, 17% Flávio só encosta em Lula no Rio de Janeiro, onde tem 39% das intenções de voto contra 38% do presidente.

Apoio à candidatura

A pesquisa mostra que 58% dos eleitores acha que Lula não deveria ser candidato à reeleição no ano que vem, mesmo índice da pesquisa de julho. Em relação à Bolsonaro, são 65% os que acham que o ex-presidente deveria desistir e apoiar outro candidato, opinião que tem concordância superior a 60% em todos os estados pesquisados.

Teto de pena para Bolsonaro pode chegar a 55 anos de prisão, aponta PF

A situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro se agravou antes mesmo do início de seu julgamento relacionado à tentativa de golpe de Estado. O relatório final da Polícia Federal, divulgado nesta semana, aponta indícios de descumprimento de medidas cautelares e risco de fuga do ex-mandatário, que teria cogitado solicitar asilo político na Argentina.

Diante das novas revelações, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro se manifeste.

A investigação indica que, somadas as penas máximas previstas para os cinco crimes imputados ao ex-presidente no inquérito sobre a tentativa de golpe, a condenação pode chegar a 43 anos de prisão. Com a inclusão das acusações no novo inquérito — que também envolve o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — esse teto sobe para até 55 anos, caso as penas sejam aplicadas em seu limite máximo.

Segundo a PF, o material apreendido no celular de Jair Bolsonaro confirma o envolvimento direto do ex-presidente nas articulações para obstruir investigações e viabilizar sua anistia. Entre os elementos estão áudios, mensagens e registros de conversas que apontam para uma estratégia centrada na autopreservação.

Em sua coluna no portal UOL, o jornalista Josias de Souza afirmou que “o objetivo jamais foi beneficiar os ‘pobres coitados’ do 8 de janeiro, como dizia Bolsonaro, mas sim ele próprio”.

De acordo com o colunista, o conteúdo extraído do celular do ex-presidente gerou apreensão entre aliados do PL. “Sabia-se que o telefone do Bolsonaro era sinônimo de nitroglicerina. Não deu outra”, escreveu.

Josias também destacou que o caso revela um processo de “degeneração” política. “O futuro dele ficou mais complicado do que já era. Antes mesmo da primeira condenação, ele já oferece material suficiente para novas acusações por parte da PF, da PGR e do Supremo.”

Mensagens da PF indicam envolvimento de Bolsonaro com tarifaço de Trump

Mensagens reveladas pela Polícia Federal reforçam a suspeita de que Jair e Eduardo tiveram papel direto na articulação que culminou com a imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.

As trocas de mensagens obtidas durante as investigações da PF indicam que o núcleo político do bolsonarismo não apenas tinha conhecimento das medidas, como atuou de forma coordenada para pressionar o Congresso e a opinião pública, utilizando o “tarifaço” como instrumento político.

O bolsonarismo vem tentando atribuir ao governo Lula a responsabilidade pelas tarifas impostas por Trump. Mas as mensagens revelam a atuação de Eduardo, em articulação com o pai e com o pastor Silas Malafaia, indicando que o grupo bolsonarista tinha interesse direto na aplicação das sanções como parte de uma estratégia maior”, disse o jornalista Leonardo Sakamoto, do UOL.

Entre os trechos analisados pela PF estão comunicações que mostram a tentativa de vincular o aumento das tarifas à necessidade de aprovar uma anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 — incluindo o próprio Bolsonaro. “Era pressão nas ruas e nas redes usando o tarifaço, tudo isso para aprovar a anistia no Congresso”, afirma Sakamoto.

O colunista também destaca a gravidade do conteúdo: “Há uma tentativa explícita de associar um ataque econômico estrangeiro aos interesses políticos do ex-presidente, num esforço coordenado para forçar o perdão legal a Bolsonaro e seus aliados, enquanto o Supremo Tribunal Federal já havia deixado claro que não cederia.”

Sakamoto conclui que a participação de figuras como Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia aponta para “uma conspiração internacional contra o Brasil”, e que tentativas de justificar as ações em nome da religião ou da liberdade de expressão não são suficientes para afastar as evidências reveladas até agora.

Silas Malafaia é acusado de articular coação contra o STF


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