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Poder
Genial/Quaest mostra que presidente recupera terreno político — e tem a oposição para agradecer
Publicado em 09/10/2025 11:09 - Semana On
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O presidente Lula (PT) mantém a liderança em todos os eventuais cenários de 1º e 2º turno simulados para a disputa presidencial de 2026. É o que aponta a pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (9). Lula passou a liderar em todos os cenários pesquisados em agosto.
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Na pesquisa, no segundo turno, Lula está nove pontos à frente de Ciro Gomes (PDT); 10, Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível; 12, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL); 13, Ratinho Júnior (PSD); 15, de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União) e Eduardo Bolsonaro (PL); e 23, Eduardo Leite (PSD).
A pesquisa mostra um aumento na vantagem de Lula sobre Tarcísio de Freitas no 2º turno. Se a eleição fosse hoje, Lula teria 45% e Tarcisio 33%. É a maior diferença registrada entre os dois desde maio, quando Lula tinha 41% das intenções de voto, contra 40% de Tarcísio. Em setembro, a vantagem de Lula sobre o governador de São Paulo era de oito pontos.
A pesquisa também mostra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) como o mais rejeitado como candidato à Presidência entre todos os nomes pesquisados.
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 2 e 5 de outubro e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Lula lidera cenários de 1º turno
No primeiro turno, a Quaest traçou oito eventuais cenários. Com Lula e Bolsonaro, o atual presidente aparece com 35%; Jair Bolsonaro (PL), 26%; Ratinho Júnior (PSD), 10%; Ciro Gomes (PDT), 9%; Romeu Zema (Novo), 3%; Ronaldo Caiado (União Brasil), 3%; Indecisos são 4% e Branco/Nulo/Não vai votar, 10%.
Com Michelle Bolsonaro (PL) representando a extrema direita, Lula marca 36% e Michelle aparece com 21%. Ciro Gomes (PDT) soma 10%; Ratinho Júnior (PSD), 10%; Romeu Zema (Novo), 4%; Ronaldo Caiado (União Brasil), 3%; Indecisos, 4%; Branco/Nulo/Não vai votar, 12%.
Com Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato, Lula (PT) marca 39% e Tarcísio aparece com 18%; Ciro Gomes (PDT) marca 12%; Ronaldo Caiado (União Brasil), 4%; Romeu Zema (Novo), 4%; Indecisos, 5%; Branco/Nulo/Não vai votar, 18%.
Com Eduardo Bolsonaro (PL), Lula pontua 35% e Eduardo Bolsonaro (PL) aparece com 15%; Ratinho Júnior (PSD) marca 12%; Ciro Gomes (PDT), 11%; Romeu Zema (Novo), 5%; Ronaldo Caiado (União Brasil), 4%; Indecisos são 4% e Branco/Nulo/Não vai votar, 14%.
Nas simulações sem Ciro Gomes, e com a direita menos fragmentada, Lula chegaria a 41% e Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados: Tarcisio (19%) ou Eduardo (17%). Com Eduardo e Ratinho, Lula continua no patamar dos 40% e os outros dois adversários (Eduardo e Ratinho Jr) aparecem tecnicamente empatados: 20% e 17%.
Segundo turno
No segundo turno, Lula tem entre 41% e 47%. Ciro Gomes (PDT) aparece com 32%. A disputa Lula x Ciro é a que apresenta a menor distância numérica: 9 pontos. Lula venceria com 41% a 32%. O candidato menos competitivo da oposição é Eduardo Leite (PSD), com 22%. Bolsonaro teria 36% e Tarcísio 33%.
Em um confronto entre Lula e Bolsonaro, que está inelegível, o atual presidente levaria vantagem novamente sobre o ex-presidente: 46% a 36%. Em maio, eles estavam numericamente empatados.
Contra o governador de São Paulo, Lula teria 45% e Tarcisio 33%. A distância, que era de 8 pontos no mês passado, se transformou em uma distância de 12 pontos este mês.
A distância de Lula para Ratinho Jr também aumentou. Em julho, Lula aparecia com 44% e Ratinho 34%. Neste mês, Lula mantém os 44%, mas Ratinho oscila para 31%. Contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, Lula oscila positivamente (de 45% para 47%), mas Zema não sai dos 32% desde agosto.
Contra Ronaldo Caiado, Lula se mantém nos 46% desde o mês passado, Caiado tem 31% desde agosto. No segundo turno, Michelle Bolsonaro oscilou positivamente de 32% para 34% no último mês, enquanto Lula variou de 47% para 46%. Contra Eduardo Bolsonaro, Lula aparece com uma das maiores vantagens: 46% a 31%.
Rejeição
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é o mais rejeitado como eventual candidato entre nove nomes que pesquisados como candidatos à Presidência da República em 2026. Entre os eleitores, 68% dizem que conhece e não votaria no deputado federal, mesmo resultado do levantamento anterior, realizado em setembro.
Jair Bolsonaro (PL) aparece na sequência, com 63% de rejeição (eram 64%), tecnicamente empatado com Michelle Bolsonaro (PL), que tem 61% (mesmo número de setembro) e com Ciro Gomes (PDT), rejeitado por 60%, mesmo número apresentado na pesquisa anterior.
Já o presidente Lula (PT) tem rejeição de 51%, oscilação de um ponto para baixo em relação a setembro.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), tem rejeição de 40%; o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de 34%; e o de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de 32%.
Lula recupera terreno político — e tem a oposição para agradecer
Os dados mais recentes da pesquisa Genial/Quaest mostram uma reversão significativa no humor do eleitorado: a diferença entre os que desaprovam e os que aprovam o governo federal, que chegou a 17 pontos em fevereiro, agora é de apenas 1 ponto percentual. A melhora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas ocorre não apenas por mérito próprio, mas, em boa parte, pelo desempenho errático dos seus adversários.
Entre os fatores decisivos para a guinada está a rejeição popular à agenda imposta pela aliança centrão-bolsonarista, especialmente a tentativa de aprovar uma anistia ampla a investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A articulação fracassada da PEC da Anistia mobilizou uma reação pública contrária e expôs o desgaste político de figuras como Arthur Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PI), enquanto Lula aproveitou o vácuo para capitalizar medidas de apelo direto à população.
Uma dessas medidas é a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, cuja aprovação é defendida por 79% dos brasileiros, segundo a mesma pesquisa Quaest. A medida funciona como antídoto à impopularidade enfrentada pelo presidente nos primeiros meses do terceiro mandato. O alívio no bolso, ainda que modesto, soma-se à percepção de melhora no poder de compra nas feiras e supermercados, criando um ambiente econômico menos hostil.
Nesse novo cenário, Lula também experimenta avanço entre eleitores tradicionalmente refratários ao PT: entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação do governo subiu oito pontos percentuais.
O componente simbólico da política externa também entra em cena. O endurecimento da relação entre o Brasil e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, em função da investigação sobre interferência internacional nas eleições de 2022, reforçou a imagem de Lula como contraponto aos abusos do bolsonarismo — movimento que, apesar da inelegibilidade de seu principal líder, continua ditando o tom da oposição.
Enquanto isso, a insistência de setores da direita em reviver pautas extremadas enfraquece potenciais alternativas eleitorais. O caso mais emblemático é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que até maio figurava como principal presidenciável do campo conservador. Na ocasião, ele empatava com Lula em um eventual segundo turno. Agora, segundo a Quaest, perde por 12 pontos.
A guinada retórica de Tarcísio ao adotar integralmente o discurso bolsonarista — inclusive ao chamar o ministro Alexandre de Moraes de “tirano” e questionar a condenação de Bolsonaro — não apenas isolou o governador no debate institucional como desgastou sua imagem junto ao eleitorado mais moderado. O efeito foi o oposto do pretendido: a aproximação com o bolsonarismo, longe de fortalecer, fragilizou sua candidatura. Como ironizou o colunista Josias de Souza, a “kriptonita bolsonarista” esvaziou os superpoderes do nome mais promissor do centrão.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, outro nome testado para 2026, enfrenta os mesmos obstáculos: 63% dos eleitores dizem que não votariam nela de jeito nenhum, índice que a torna pouco viável eleitoralmente, apesar da tentativa de alguns setores da direita de apresentá-la como opção mais “leve”.
A crise de identidade da oposição, entre a fidelidade ao bolsonarismo e a busca por alternativas viáveis, deixa Lula praticamente sem concorrentes com tração popular no momento. E enquanto a oposição insiste em um discurso que já não mobiliza como antes, o presidente vai ocupando espaço — muitas vezes sem precisar fazer muito.
Nesse contexto, o Planalto avança não apenas por seus acertos, mas pela inoperância estratégica de seus adversários. Como aponta a cientista política Carla Rahal Benedetti, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “a oposição ainda está ancorada em 2022, enquanto o governo tenta pautar 2026”.
Se os números das pesquisas refletem tendências duradouras ou apenas um momento de respiro político, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa é certa: Lula encontrou no desgoverno da oposição um impulso inesperado para reorganizar sua base, ampliar seu alcance e tentar consolidar sua imagem como estadista diante do desgaste dos rivais.
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