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Poder

Lula lidera 1º turno para 2026 e empata com Bolsonaro e Tarcísio no 2º

Pesquisa Datafolha mostra que, apesar da queda na popularidade, presidente ainda lidera o cenário político

Publicado em 14/06/2025 11:55 - Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert - Abr

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Pesquisa do DataFolha divulgada ontem (13), aponta que – apesar da queda na popularidade de seu governo – o presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto no primeiro turno das eleições de 2026. Em cenários com vários candidatos, ele aparece com até 38% das intenções, mantendo-se à frente dos principais adversários.

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No segundo turno, porém, o petista aparece tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O atual mandatário continua sendo o principal nome da esquerda, enquanto a direita aparece fragmentada entre diferentes nomes.

Nos cenários de segundo turno, Lula e Bolsonaro aparecem com 44% e 45%, respectivamente, mostrando um empate técnico. Contra Tarcísio, o presidente também empata, com 43% a 42%. Michelle reduziu a diferença de 12 para apenas 4 pontos em relação ao petista, que venceria por 46% a 42%. Lula mantém vantagem sobre Flávio e Eduardo Bolsonaro, ambos com 38%.

Sem Lula na disputa, Haddad tem desempenho mais fraco

Sem Lula na disputa, o DataFolha aponta que Fernando Haddad (PT), atual ministro da Fazenda, perderia por 45% a 40% para o ex-presidente Jair Bolsonaro. No primeiro turno, o petista aparece com 23%, bem atrás do ex-presidente, que lidera com 37%.

Em termos de rejeição, Lula é rejeitado por 46% dos eleitores, enquanto Bolsonaro tem 43% de rejeição. Entre os nomes da família Bolsonaro, Michelle é rejeitada por 30%, Eduardo por 32% e Flávio por 31%. Haddad aparece com 29%, seguido por Ratinho Jr. (19%), Zema (18%), Caiado (15%) e Tarcísio (15%).

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 11 de junho, com 2.004 entrevistados em 136 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Aliados veem Bolsonaro condenado

Num ambiente político marcado por incertezas e tensão crescente, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro já trabalham com a possibilidade concreta de sua condenação no Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que apura sua participação na tentativa de golpe de Estado. Embora esperem algum tipo de abrandamento na pena, líderes do PL e figuras próximas ao ex-presidente começam a se organizar em torno de um novo projeto eleitoral para 2026 — um projeto que, inevitavelmente, continuará orbitando em torno da figura de Bolsonaro, seja como cabo eleitoral ou símbolo político.

O cenário não é mais de dúvida. “A ficha caiu”, reconhece, sob reserva, um parlamentar bolsonarista ouvido pelo jornalista Josias de Souza, do UOL. Para ele, a prioridade agora é garantir a força eleitoral do campo bolsonarista em 2026, independentemente da condição jurídica do ex-presidente. Nesse contexto, ganha força dentro do partido a construção de uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). A leitura é pragmática: Tarcísio representa a imagem de gestor técnico, enquanto Michelle fala diretamente à base ideológica, especialmente ao eleitorado evangélico e conservador nos costumes.

Aposta na vitimização e nas ruas

Enquanto o xadrez eleitoral se movimenta, o discurso dentro do PL também começa a se alinhar. Se a condenação vier, a estratégia será reforçar a narrativa do “preso político”, buscando mobilização popular, tensionamento institucional e fortalecimento de projetos legislativos como o PL da Anistia, que poderia reverter punições a envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

“Isso poderia gerar reações populares e mobilizações”, afirmou o deputado Capitão Augusto (PL-SP), vice-presidente da legenda. Segundo ele, uma eventual prisão de Bolsonaro “impactaria todas as tentativas de pacificação”. A fala evidencia o abandono do discurso de apaziguamento que, em determinado momento, chegou a circular entre setores moderados do partido.

A ilusão de influência externa

Entre bolsonaristas, circula uma teoria — ainda sem comprovação factual — de que pressões internacionais, sobretudo dos Estados Unidos, poderiam suavizar a pena imposta a Bolsonaro. Eles se apoiam na Lei Global Magnitsky, legislação americana que permite sanções contra agentes públicos de outros países acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. A crença é que, sob esse risco, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF, poderia adotar uma postura mais cautelosa.

Essa aposta, no entanto, carece de lastro. Especialistas em direito internacional e diplomacia, como o professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, são céticos. “Não existe precedente que justifique uma influência direta da Lei Magnitsky sobre ministros do Supremo no Brasil. Essa é uma leitura mais política do que jurídica da situação”, afirmou Stuenkel em entrevista à BBC Brasil.

Fux: a esperança inesperada

Curiosamente, parte do otimismo no núcleo bolsonarista migrou para outro nome dentro do STF: o ministro Luiz Fux. Durante os interrogatórios, Fux surpreendeu ao questionar diretamente o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, sobre a ausência de assinatura do então presidente na chamada “minuta do golpe”.

“O senhor tinha a função de pressionar o presidente para assinar a minuta do estado de defesa, do estado de sítio, etc. Esse documento foi assinado?”, perguntou Fux. Cid respondeu: “Em nenhum momento foi assinado.”

A interação foi imediatamente celebrada por aliados como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que não tardou a elogiar publicamente o ministro, visto tradicionalmente como distante do campo bolsonarista.

Uma performance calculada

O próprio Jair Bolsonaro adotou no depoimento uma postura descrita como surpreendentemente moderada. Começou nervoso, segundo relatos, mas logo recorreu a piadas, afagos verbais e até ironias direcionadas ao próprio Moraes, a quem perguntou: “O senhor quer ser meu vice em 2026?”.

A piada, que viralizou nas redes, é interpretada como um sinal de que Bolsonaro ainda trabalha com o cenário — improvável, mas politicamente mobilizador — de disputar a Presidência, mesmo sob risco de inelegibilidade.

Segundo interlocutores, o ex-presidente não dormiu na véspera do interrogatório e, na manhã seguinte, disparava mensagens às 5h40, ansioso, buscando avaliar seu próprio desempenho. Para a cúpula do PL, a performance foi considerada “madura” e “estratégica”, com Bolsonaro temporariamente “descendo do palanque”.

“O presidente agiu com a responsabilidade que o cargo que ocupou exige. Isso demonstra maturidade política e inteligência estratégica. Foi uma manifestação de respeito às regras do jogo”, disse Capitão Augusto.

Tensão na base mais radical

No entanto, o tom adotado gerou incômodo na ala mais radical do bolsonarismo. Para esse grupo, a postura “simpática” e conciliadora de Bolsonaro fragiliza a narrativa de perseguição e de resistência contra um “sistema autoritário”, pilar central do discurso bolsonarista nas ruas.

“Ele humanizou Moraes”, reclamou, em reservado, um parlamentar ligado à base mais ideológica. O receio é de que, ao suavizar o embate com o STF, Bolsonaro enfraqueça sua capacidade de mobilizar protestos e pressionar as instituições, sobretudo o Congresso.

2026: o tabuleiro já está armado

O PL sabe que, com ou sem Bolsonaro, a máquina eleitoral precisa seguir funcionando. A chapa Tarcísio-Michelle surge como a principal aposta para manter o bolsonarismo competitivo, unindo a gestão técnica — que agrada setores empresariais e o eleitorado moderado — com o discurso conservador de costumes, fundamental para a base evangélica e militar.

Como observa o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas, em entrevista ao El País Brasil: “O bolsonarismo não é mais apenas Jair Bolsonaro. É um fenômeno social e político que transbordou o próprio líder. Ele pode ser inelegível, mas sua influência vai estruturar a eleição de 2026.”

Por ora, o país segue suspenso entre o impasse jurídico e a inevitável disputa pelo futuro político. O julgamento de Bolsonaro não decidirá apenas seu destino pessoal, mas também testará os limites da democracia brasileira — e da resiliência das instituições frente à mais grave crise institucional desde o fim da ditadura.

LULA DERRETE


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