Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Lula diz que relação com Trump será de reciprocidade

Se houver aumento de taxas pelos EUA, Brasil fará o mesmo

Publicado em 31/01/2025 10:33 - Semana On

Divulgação José Cruz - Abr

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

As primeiras semanas do novo mandato de Donald Trump à frente da Casa Branca já deixaram um rastro de preocupação entre os países da América Latina. Com medidas protecionistas e retórica agressiva, o presidente norte-americano iniciou uma escalada de tensões econômicas, anunciando tarifas de 25% sobre produtos importados do México e do Canadá, além de ameaças diretas à China e, indiretamente, ao Brasil. Em meio ao cenário de incertezas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu: se os EUA avançarem com taxações, o Brasil retaliará de forma proporcional.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

Durante entrevista no Palácio do Planalto, Lula foi firme ao afirmar que o Brasil não aceitará uma relação de subserviência. “Eu já governei o Brasil com presidente republicano, já governei com presidente democrata. A minha relação é sempre a mesma: de um Estado soberano com outro Estado soberano”, disse. No entanto, ele foi categórico ao sinalizar a reação brasileira caso Trump concretize suas ameaças: “Se ele taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade do Brasil em taxar os produtos americanos. É simples, não tem nenhuma dificuldade.”

América Latina na mira das sanções comerciais

A postura protecionista de Trump não é novidade, mas o retorno abrupto da política de tarifas elevadas e da pressão sobre países vizinhos como o México e a Colômbia foi suficiente para gerar reações imediatas na região. O México, principal alvo inicial das novas tarifas, enfrenta uma barreira de 25% nas exportações para os EUA, afetando setores estratégicos como o de automóveis e eletrônicos. Enquanto isso, a Colômbia cedeu às pressões norte-americanas para aceitar a deportação massiva de imigrantes ilegais, após resistir inicialmente.

No Brasil, as preocupações vão além das tarifas. Trump também anunciou que está considerando impor taxas sobre produtos químicos usados na produção de fentanil, citando a China como principal responsável pelo envio da substância aos EUA. Apesar de o Brasil não ser diretamente citado, analistas acreditam que a postura americana pode afetar a cadeia de exportações de químicos da América Latina.

Além disso, há o risco de que o Brasil seja afetado pelo aumento do custo do petróleo e de outros insumos. Trump afirmou que os EUA não dependem mais das importações de petróleo do Canadá e do México, o que pode elevar a volatilidade dos preços globais. A valorização do dólar, impulsionada pelas decisões da Casa Branca, também afeta negativamente economias emergentes como a brasileira, aumentando o custo das importações e pressionando a inflação.

OMS e Acordo de Paris: embates que vão além do comércio

Lula aproveitou a oportunidade para criticar a decisão de Trump de retirar o apoio financeiro dos EUA à Organização Mundial da Saúde (OMS) e abandonar o Acordo de Paris, principal pacto internacional para combater o aquecimento global. “É uma regressão à civilização humana”, declarou o presidente brasileiro.

Os sinais de divergência entre Lula e Trump não se limitam ao campo econômico, mas evidenciam um abismo político entre as duas lideranças. Enquanto Trump aposta na desintegração de pactos multilaterais e na pressão direta sobre países vizinhos, Lula reforça a necessidade de cooperação internacional e de fortalecimento de blocos regionais, como o Mercosul e a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

A tentativa de diálogo latino-americano, no entanto, já sofreu um revés com o cancelamento de uma reunião da Celac, originalmente agendada para discutir uma resposta conjunta às políticas de Trump. O cancelamento ocorreu após a Colômbia, sob pressão americana, recuar na proposta de um posicionamento regional unificado.

Reciprocidade como tática: lições do passado

Lula não escondeu que a defesa do Brasil em eventuais embates comerciais com os EUA será baseada na reciprocidade. “Essa é uma tática que já adotamos no passado e que funcionou bem em várias situações”, destacou um assessor próximo ao presidente. Durante seu primeiro governo (2003-2010), Lula enfrentou disputas comerciais com os EUA, especialmente no setor agrícola, mas apostou na articulação internacional e no fortalecimento de blocos econômicos para se contrapor ao poderio americano.

Ainda assim, o cenário atual é mais complexo. A economia global, afetada por crises sucessivas e pela guerra comercial entre EUA e China, está mais frágil e interdependente. As medidas de Trump têm potencial de provocar uma reação em cadeia, elevando os custos globais de insumos estratégicos e reduzindo a competitividade dos produtos latino-americanos.

“Se Trump continuar nessa linha, ele pode causar uma crise global de proporções ainda maiores do que vimos na última década”, avalia a economista Laura Gomes, especialista em comércio internacional. “O protecionismo dele é uma faca de dois gumes: ele prejudica os parceiros comerciais, mas também pode aumentar o custo de vida nos EUA, alimentando inflação.”

O desafio de Lula: liderar a resistência regional

A reação do presidente brasileiro não é apenas uma defesa econômica, mas também um movimento político. Ao adotar uma postura firme, Lula tenta se posicionar como uma liderança regional capaz de enfrentar os excessos de Trump e promover a integração latino-americana. No entanto, ele enfrentará desafios internos, como a necessidade de manter o apoio do Congresso, especialmente com a definição das novas lideranças na Câmara e no Senado.

“Eu não me meto nisso”, disse Lula sobre as eleições das mesas diretoras, destacando que a governabilidade dependerá de diálogo e disposição para negociações. Com o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) despontando como favorito na Câmara e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado, Lula precisará de articulação política para garantir que suas medidas econômicas e sua postura no cenário internacional não sofram resistência interna.

Trump joga duro, mas Lula não ficará na defensiva

O cenário é tenso, mas o Brasil não pretende recuar. Enquanto Trump impõe tarifas e deportações, Lula aposta no diálogo internacional e na reciprocidade como forma de proteger a soberania econômica. Se as ameaças comerciais americanas se concretizarem, a resposta brasileira não será passiva. A disputa promete ser longa e intensa, com impacto direto não apenas nas economias dos dois países, mas também na estabilidade da América Latina como um todo.

“Estamos preparados”, concluiu Lula. “O Brasil já enfrentou desafios maiores e sairá disso ainda mais forte.”

Encarceramento de ilegais em Guantánamo é mais um passo rumo à barbárie


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *