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Poder
Na indonésia, presidente abre novos mercados e aperta o bolsonarismo contra as cordas
Publicado em 23/10/2025 3:49 - Semana On
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O presidente Lula confirmou nesta quinta-feira (23), em Jacarta, na Indonésia, que será candidato à reeleição em 2026. Durante discurso ao lado do presidente do país asiático, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, Lula afirmou estar preparado para disputar um novo mandato. “Eu vou disputar um quarto mandato no Brasil. Ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Mesmo aos 80 anos, estou com a mesma energia de quando tinha 30”, declarou.
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Esta é a primeira vez que o petista confirma publicamente sua intenção de concorrer novamente. Até então, ele afirmava que não pensava em reeleição e que só levaria a ideia adiante se estivesse bem de saúde.
Lula já tem percorrido o pais discursando como candidato. Na semana passada, estrelou a abertura de um congresso do aliado PCdoB, em Brasília. Perguntou a certa altura: “Qual é o projeto que vamos apresentar a esse país?”
A menos de um ano da sucessão, Lula escorou sua candidatura no mesmo mote que inspirou sua vitória de 2022: “Não temos o direito de permitir que a extrema-direita volte a sonhar em governar esse país.”
Enumerou os erros da esquerda: não sabe se comunicar, não fala o idioma dos evangélicos, leva surras nas redes sociais… Súbito, fez mais uma pergunta: “Como é que se explica uma figura politicamente chucra como Bolsonaro virar presidente desse país?”
Uma criança de cinco anos responderia: Bolsonaro chegou ao Planalto impulsionado pela maior força política de 2018: o antipetismo. Continua existindo. Mas foi superado por um sentimento ainda mais pujante: o antibolsonarismo.
No campo oposicionista, Eduardo Bolsonaro joga como aliado. Escanteado por Trump, dedica-se a tramar contra a direita. Dinamitou Tarcísio de Freitas, espinafrou Valdemar Costa Neto e comprou briga com os senadores Ciro Nogueira e Tereza Cristina. Parece obcecado pela ideia de se tornar cabo eleitoral de Lula.
STF impõe contagem regressiva e reduz margem de manobra de Bolsonaro
A contagem regressiva iniciada pelo Supremo Tribunal Federal para o prazo final de apresentação de recurso da defesa de Jair Bolsonaro, no caso que investiga a tentativa de golpe de Estado, marca um novo momento de pressão sobre o ex-presidente. O prazo se encerra na próxima segunda-feira (28), e a expectativa nos bastidores é que uma eventual ordem de prisão em regime fechado possa ser expedida ainda neste ano.
Com o avanço do processo, o horizonte jurídico de Bolsonaro se encurta, e sua margem de articulação política também diminui. Propostas como a anistia a envolvidos nos atos antidemocráticos perderam força no Congresso. Já o projeto de redução de penas foi temporariamente retirado da pauta. Dentro do centrão, cresce a percepção de que o favoritismo do presidente Lula nas pesquisas esvazia o capital político de Bolsonaro, gerando impaciência entre antigos aliados.
No campo internacional, as sinalizações de aproximação entre Donald Trump e o governo Lula acentuam o isolamento do ex-presidente brasileiro. Internamente, figuras próximas, como o deputado Eduardo Bolsonaro, têm tensionado a relação com aliados ao adotar uma retórica mais radical.
Apesar de manter uma postura pública de liderança, Bolsonaro hoje atua mais como refém das forças políticas à direita do que como seu condutor. Com a direita fragmentada e disputando o espólio político do ex-presidente, Bolsonaro parece concentrar esforços em dois objetivos principais: evitar a transferência da prisão domiciliar para o presídio da Papuda e manter a imagem de que ainda exerce algum comando sobre seu campo político.
Abrindo mercados
Enquanto isso, na viagem à Indonésia, primeira de um chefe de Estado brasileiro ao país desde 2008, Lula marcou o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países. Lula e Subianto assinaram uma série de acordos de cooperação nas áreas de agricultura, energia, mineração, ciência e tecnologia, estatística e promoção comercial. Participaram da cerimônia os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Carlos Fávaro (Agricultura), além dos presidentes do IBGE, Marcio Pochmann, e da Apex, Jorge Vianna.
Ao destacar que o comércio bilateral triplicou nas últimas duas décadas, de US$ 2 bilhões para US$ 6,5 bilhões, Lula afirmou que o potencial conjunto ainda é subaproveitado. “É pouco para a Indonésia, é pouco para o Brasil”, disse. Ele defendeu uma relação econômica mais intensa e equilibrada: “Queremos multilateralismo e não unilateralismo. Queremos democracia comercial e não protecionismo. Queremos crescer e gerar empregos de qualidade”.
O presidente indonésio elogiou a visita de Lula, classificando-a como “uma grande honra”, e afirmou que Brasil e Indonésia formam uma força estratégica no Sul Global. Subianto também manifestou interesse em incentivar o ensino da língua portuguesa para aproximar os dois países.
Mercado de meio bilhão de pessoas
“É quase inexplicável, para as nossas sociedades, como é que dois países importantes no mundo, como Indonésia e Brasil, com quase 500 milhões de habitantes, só tenham um comércio de US$ 6 bilhões. É pouco”, disse Lula.
“Por isso, vamos fazer um esforço muito grande para trabalhar muito para que Indonésia e Brasil se transformem em dois parceiros fundamentais na geografia econômica do mundo”, acrescentou ao afirmar que os dois países são “nações determinadas a assumir o lugar que nos corresponde em uma ordem em profunda transformação”.
De acordo com o Planalto, a Indonésia foi o quinto destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2024. Segundo Lula, “são valores ainda tímidos” diante do potencial desses mercados consumidores.
Em seu discurso, Prabowo disse que Brasil e Indonésia são duas forças econômicas cada vez maiores, que fortalecem o sul global. Segundo ele trata-se de uma “parceria estratégica e sinergética entre países complementares”, entre dois membros do Brics e do G20, grupo formado pelas 20 maiores economias do planeta.
“Hoje assinamos acordos significantes”, afirmou o presidente indonésio. Segundo ele, o comércio entre os dois países tem potencial para chegar a US$ 20 bilhões nos próximos anos.
A fim de “cultivar essa relação”, Prabowo disse que incluirá o português entre as línguas prioritárias do sistema educacional de seu país.
Após a visita à Indonésia, Lula segue para Kuala Lumpur, na Malásia, onde participará da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) entre os dias 26 e 28 de outubro. No domingo (26), ele deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar de tarifas comerciais e questões diplomáticas.
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