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Poder

Lula à frente em todos os cenários de 1º e 2º turno, mostra Meio/Ideia

No segundo turno, apesar de liderar, presidente tem empate técnico com Flávio e Tarcísio

Publicado em 11/03/2026 9:32 - Semana On

Divulgação Arte: Metrópoles

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Uma nova pesquisa eleitoral sobre a disputa pela presidência da República reforça o que levantamentos anteriores mostram nos últimos meses: a disputa, neste momento, está polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento, feito pelo instituto Ideia, foi encomendado pelo Canal Meio e publicado nesta quarta-feira 11.

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A pesquisa mostra Lula numericamente à frente dos adversários em todos os cenários de primeiro turno testados. Flávio, quando apresentado como opção, sempre aparece na segunda posição. Os demais pré-candidatos ficam muito atrás do petista e do filho de Jair Bolsonaro.

Primeiro Turno

Cenário 1

Lula (PT) – 40%

Flávio Bolsonaro (PL) – 34,7%

Ratinho Junior (PSD) – 9%

Romeu Zema (Novo) – 4,5%

Renan Santos (Missão) – 1,2%

Aldo Rebelo (DC) – 1%

Ninguém/branco/nulo – 4,2%

Não sabe – 5,3%

Cenário 2

Lula (PT) – 40,3%

Flávio Bolsonaro (PL) – 35%

Ronaldo Caiado (PSD) – 5,5%

Romeu Zema (Novo) – 5%

Renan Santos (Missão) – 1,6%

Aldo Rebelo (DC) – 0,8%

Ninguém/branco/nulo – 4,7%

Não sabe – 7,2%

Cenário 3

Lula (PT) – 39,6%

Flávio Bolsonaro (PL) – 36,3%

Romeu Zema (Novo) – 5,8%

Eduardo Leite (PSD) – 4,4%

Renan Santos (Missão) – 1,1%

Aldo Rebelo (DC) – 0,8%

Ninguém/branco/nulo – 4,7%

Não sabe – 7,3%

Apesar de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) ter reafirmado sua posição de concorrer à reeleição e de ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro para a presidência, a pesquisa voltou a testar o nome dele como possível candidato. Neste caso, Tarcísio desponta como rival mais próximo de Lula.

Cenário 4

Lula (PT) – 40,3%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 35,9%

Romeu Zema (Novo) – 5,1%

Renan Santos (Missão) – 1,4%

Aldo Rebelo (DC) – 0,5%

Ninguém/branco/nulo – 7,3%

Não sabe – 9,5%

 

Segundo turno

Foram testados diferentes cenários para o segundo turno. A disputa entre Lula e Flávio está acirrada, assim como o improvável embate com Tarcísio. Nos dois casos há empate técnico, considerando a margem de erro. Entre os possíveis candidatos do PSD, Ratinho Junior é quem se mostra mais competitivo contra o petista.

Confira os percentuais:

Cenário 5

Lula (PT) – 47,4%

Flávio Bolsonaro (PL) – 45,3%

Branco/nulo – 4,1%

Não sabe – 3,2%

Cenário 6

Lula (PT) – 46,5%

Ratinho Junior (PSD) – 40,7%

Branco/nulo – 8,5%

Não sabe – 4,2%

Cenário 7

Lula (PT) – 46,4%

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 44,8%

Branco/nulo – 5,5%

Não sabe – 3,3%

Cenário 8

Lula (PT) – 46,1%

Romeu Zema (Novo) – 38%

Branco/nulo – 10,7%

Não sabe – 5,3%

Cenário 9

Lula (PT) – 46,5%

Ronaldo Caiado (PSD) – 37,5%

Branco/nulo – 11,1%

Não sabe – 5%

Cenário 10

Lula (PT) – 46,9%

Eduardo Leite (PSD) – 29%

Branco/nulo – 12,1%

Não sabe – 12%

Cenário 11

Lula (PT) – 47%

Renan Santos (Missão) – 24,8%

Branco/nulo – 18,5%

Não sabe – 9,7%

Cenário 12

Lula (PT) – 47,4%

Aldo Rebelo (DC) – 19%

Branco/nulo – 23,5%

Não sabe – 10,1%

Foram feitas 1.500 entrevistas telefônicas entre os dias 6 e 10 de março. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00386/2026.

Pesquisa Datafolha

A pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo no sábado (7) também apontou cenários de forte equilíbrio em uma eventual disputa presidencial de segundo turno. Se a eleição fosse hoje, segundo esta pesquisa, o presidente Lula teria 46% das intenções de voto contra 43% do senador Flávio Bolsonaro. Em outro cenário testado, Lula aparece com 45% diante de 41% do governador do Paraná, Ratinho Jr..

O levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre os dias 3 e 5 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A sondagem também simulou um confronto entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Nesse caso, o petista registra 45% das intenções de voto, contra 42% do adversário — diferença também dentro da margem de erro. Apesar disso, Tarcísio já sinalizou que não pretende disputar a Presidência no próximo pleito.

Mais do que os números isolados, o resultado reforça uma leitura política recorrente: no campo da direita radical, a viabilidade eleitoral continua concentrada na órbita da família Bolsonaro. A hipótese de substituição do grupo por outro nome competitivo enfrenta, ao menos no cenário atual, obstáculos políticos e simbólicos.

Liderança familiar e controle do campo bolsonarista

A dinâmica interna do bolsonarismo tem sido marcada por disputas sobre a sucessão presidencial no campo conservador. Em diferentes momentos, analistas políticos e setores do mercado apostaram na possibilidade de uma candidatura alternativa capaz de representar uma “direita sem Bolsonaro”. O governador paulista Tarcísio de Freitas frequentemente apareceu como principal aposta nesse sentido.

Entretanto, a própria lógica de liderança do movimento tende a limitar esse tipo de substituição. O bolsonarismo consolidou-se como um fenômeno político fortemente personalista, estruturado em torno da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sua família. Nesse contexto, eventuais candidatos competitivos dependeriam diretamente do aval do ex-presidente e de seu capital político.

Declarações públicas de integrantes do próprio grupo reforçam essa estratégia. Em novembro do ano passado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, em entrevista ao podcast Market Makers, que a manutenção do campo conservador mobilizado seria, por si só, uma vitória política, independentemente do resultado eleitoral.

No mesmo episódio, o parlamentar criticou abertamente o que classificou como tentativa do “establishment” de substituir o bolsonarismo por uma direita mais moderada. A referência implícita incluía nomes bem recebidos por setores do mercado financeiro, como Tarcísio de Freitas.

O peso do sobrenome Bolsonaro

A pesquisa do Datafolha também ilustra outro aspecto estrutural da política brasileira recente: a força eleitoral associada ao sobrenome Bolsonaro. Mesmo após o fim do mandato presidencial e diante de investigações e controvérsias envolvendo o grupo, candidatos vinculados diretamente à família permanecem competitivos.

Esse fenômeno ajuda a explicar por que figuras do clã continuam sendo consideradas opções eleitorais viáveis para liderar a direita em futuras disputas nacionais. A competitividade não decorre apenas de estruturas partidárias ou alianças institucionais, mas de uma base eleitoral mobilizada por identidade política e ideológica.

Nesse cenário, qualquer candidatura que conte com o apoio explícito do ex-presidente tende a herdar parte significativa desse eleitorado.

Candidatos alternativos e limites eleitorais

Ainda que nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Jr. sejam frequentemente citados como possíveis alternativas dentro do campo conservador, esses projetos enfrentam desafios distintos.

Ratinho Jr., por exemplo, precisaria primeiro consolidar viabilidade no primeiro turno para chegar a uma disputa final contra Lula — etapa que, segundo analistas, ainda não se mostra garantida no atual cenário político.

Já Tarcísio reúne atributos frequentemente apontados por observadores políticos: boa interlocução com o empresariado, trânsito em setores da mídia e menor exposição a controvérsias pessoais em comparação com integrantes do núcleo familiar de Bolsonaro. Mesmo assim, sua eventual projeção nacional dependeria, em grande medida, da posição assumida pelo ex-presidente.

Estrutura política e cenário em aberto

Os resultados do Datafolha indicam que a disputa presidencial de 2026 tende a permanecer polarizada entre o campo progressista, liderado por Lula, e a direita vinculada ao bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, o levantamento sugere que a competição não seria trivial para nenhum dos lados. Mesmo candidatos com menor experiência eleitoral nacional, quando associados ao capital político do ex-presidente, aparecem com níveis relevantes de apoio.

A pesquisa também aponta para um cenário político ainda em formação, no qual fatores conjunturais — desempenho econômico, decisões judiciais, alianças partidárias e mobilização social — poderão alterar significativamente o equilíbrio atual.

Em contextos desse tipo, reconhecer as tendências estruturais costuma ser o primeiro passo para compreender a dinâmica eleitoral. Ignorá-las, por outro lado, pode levar a avaliações equivocadas sobre a real correlação de forças no sistema político brasileiro.

DE CABO A RABO


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