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Poder

Laudo da PF afasta urgência médica e mantém Bolsonaro na Papudinha

Perícia aponta comorbidades controladas, pede melhorias no acompanhamento de saúde e subsidia análise do STF

Publicado em 06/02/2026 1:38 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Um laudo médico da Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro reúne condições clínicas para permanecer detido na chamada Papudinha, ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O documento, tornado público nesta quinta-feira por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, descarta, no momento, a necessidade de internação hospitalar, embora recomende aprimoramentos no atendimento de saúde prestado ao ex-presidente no ambiente prisional.

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Segundo a perícia, “as comorbidades identificadas não ensejam, neste momento, transferência para cuidados em nível hospitalar”. Ainda assim, os peritos ressaltam que, apesar do controle clínico e da existência de protocolos de resposta a urgências, é “necessária a otimização de tratamentos e medidas preventivas”, sobretudo diante do risco de eventos cardiovasculares.

Moraes encaminhou o laudo à Procuradoria-Geral da República e à defesa de Bolsonaro, fixando prazo de cinco dias para manifestações e eventual solicitação de complementações. O parecer técnico integra a análise do pedido de prisão domiciliar apresentado pelos advogados do ex-presidente.

Doenças confirmadas e diagnósticos descartados

A avaliação médica foi realizada por três peritos da PF que visitaram Bolsonaro na Papudinha em 20 de janeiro e examinaram exames e procedimentos recentes. O laudo lista sete condições clínicas: hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.

Ao mesmo tempo, a perícia descartou outros diagnósticos alegados pela defesa, como depressão, pneumonia bacteriana não especificada, anemia por deficiência de ferro e sarcopenia. Os médicos também apontaram sinais neurológicos que elevam o risco de quedas — um dado relevante após um episódio registrado no fim do ano passado, quando Bolsonaro caiu enquanto estava detido na sede da PF. Na ocasião, exames hospitalares não identificaram lesões, e a alta ocorreu no mesmo dia. Médicos particulares atribuíram o incidente, em parte, às altas doses de medicamentos usados para controlar crises de soluços.

Recomendações no cárcere

Além de sugerir investigação clínica do quadro neurológico, o laudo traz recomendações práticas para reduzir riscos e melhorar a assistência no local de detenção: instalação de grades de apoio em corredores e banheiros; ampliação de dispositivos de emergência e monitoramento; acompanhamento contínuo nas áreas comuns; avaliação nutricional com dieta ajustada às comorbidades; prática regular de atividade física, conforme tolerância; e fisioterapia contínua, com foco em força muscular e equilíbrio postural.

Pedido de domiciliar e contexto

A defesa sustenta que a idade — Bolsonaro tem 70 anos — e o conjunto de problemas de saúde tornariam o ambiente prisional inadequado. Familiares e aliados intensificaram a mobilização pelo benefício, incluindo reuniões com ministros do STF. Após uma dessas agendas, Moraes autorizou a transferência do ex-presidente para uma cela especial de cerca de 65 m² na Papudinha, destinada a presos com prerrogativas específicas.

Os advogados anexaram exames e laudos ao pedido de domiciliar, mencionando refluxo com esofagite, hipertensão, apneia do sono grave, câncer de pele e sequelas da facada sofrida em 2018. Alegam necessidade de acompanhamento médico contínuo e medicações específicas. A perícia oficial, porém, registra que Bolsonaro conta com equipe médica disponível 24 horas, espaço para banho de sol e atividades físicas.

Além do laudo da PF, Moraes requisitou relatório à Polícia Militar do Distrito Federal, que descreve rotina de atendimentos e exercícios. O documento informa ao menos três avaliações médicas diárias por profissionais da Secretaria de Saúde do DF, além de caminhadas e sessões de fisioterapia. Entre 15 e 27 de janeiro, não houve registro de intercorrências graves.

Situação prisional

Bolsonaro está detido na chamada Sala de Estado-Maior da Papudinha desde 15 de janeiro. O espaço inclui área externa, banheiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala, em ala mais reservada do complexo. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses, em regime fechado, por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Em síntese, o laudo técnico desloca o debate do terreno retórico para o factual: reconhece a necessidade de cuidados e ajustes, mas não identifica impedimento médico imediato para a permanência de Bolsonaro no regime fechado, deixando ao STF a decisão final sobre o pedido de prisão domiciliar.

PENDURICALHOS


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