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Poder

Governo, entidades da indústria e do comércio criticam alta na taxa de juros

Naco do mercado torce contra saúde de Lula e para que Alckmin vire um Temer

Publicado em 12/12/2024 11:00 - Semana On, Josias de Souza e Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Abr

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Entidades ligadas a setores da economia criticaram a decisão do BC (Banco Central) nesta 4ª feira (11) de elevar a Selic em 1 ponto percentual. A taxa básica de juros passou de 11,25% para 12,25% ao ano.

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Este foi o 3º aumento no indicador em 2024, que se intensificou nesta reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). A alta em novembro havia sido de meio ponto percentual –metade do incremento atual. Eis a íntegra (PDF – 36 kB) do comunicado.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia diretamente as alíquotas cobradas de empréstimos, financiamentos e investimentos. No mercado financeiro, impacta o rendimento de aplicações.

As expectativas dos agentes financeiros até o fim de semana sinalizavam uma alta de 0,75 ponto percentual, mas as apostas por um incremento maior cresceram às vésperas do encontro desta 4ª feira.

O motivo para o movimento do Copom é o controle da inflação. As perspectivas a longo prazo para os índices de preço pioraram no decorrer de 2024. A ferramenta disponível para frear o indicador é aumentar os juros, pelo modelo brasileiro de política monetária.

As taxas mais elevadas encarecem o crédito, o que desacelera o consumo e a produção. Como consequência, os preços tendem a não aumentar de forma tão rápida.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) aprovou uma “moção crítica” à decisão do Copom. Presidido pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, o CNDI tem representantes de 20 ministérios, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de 21 entidades da sociedade civil.

Pasta comandada por Alckmin, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não divulgou o conteúdo completo da moção. Apenas informou que a decisão do BC “prejudica a continuidade do crescimento econômico, o investimento produtivo e a geração de emprego e renda no país”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou de “surpresa” a alta de 1 ponto nos juros básicos. No entanto, disse que a decisão estava prevista por parte do mercado financeiro.

Em comunicado, o Copom atribuiu a elevação acima do previsto às incertezas externas e aos ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo. O órgão informou que elevará a taxa Selic em 1 ponto percentual nas próximas duas reuniões, em janeiro e março, caso os cenários se confirmem. Os próximos encontros serão comandados pelo futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Nesta quinta-feira (12), Alckmin presidirá a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, órgão composto por representantes da sociedade civil, responsável pelo assessoramento do presidente da República na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo. O encontro terá foco em desenvolvimento sustentável, indústria e transição energética.

Leia abaixo o que falou cada entidade: 

FecomercioSP – afirmou que o aumento da taxa Selic reflete “problemas graves da política fiscal”, responsáveis por criar incertezas e uma inflação persistente. Segundo a entidade, essa inflação é resultado do desequilíbrio fiscal do Brasil, que se prolonga e ainda não tem solução à vista. A federação classificou o pacote de cortes de gastos anunciado pelo governo como uma medida paliativa;

Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) – o presidente da entidade, Flávio Roscoe, disse que a alta taxa de juros no Brasil prejudica a competitividade da indústria nacional tanto no mercado interno quanto no externo. Ele também afirmou que o aumento da Selic deve limitar os investimentos em 2025, com impactos negativos sobre a renda. Roscoe classificou como “insustentável” o ritmo acelerado de elevação da taxa básica de juros;

CNI (Confederação Nacional da Indústria) – classificou como “incompreensível e totalmente injustificada” a decisão do Copom de elevar a taxa básica de juros em 1 ponto percentual. Segundo a confederação, manter o ciclo de elevação iniciado em setembro já seria um erro por parte do Banco Central. Assim, intensificar esse ritmo é, para a CNI, ainda mais inadequado no atual cenário econômico.

Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) – avaliou o aumento da Selic como “excessivo”, agravando ainda mais a “baixa competitividade” da economia brasileira. Considerou, porém, que o patamar elevado da taxa de juros reflete o cenário atual de desconfiança com relação à trajetória da dívida pública.

Paulada nos juros põe Galípolo na contramão de Lula e do PT

A partir de janeiro, o Banco Central estará sob nova administração. Sai Roberto Campos Neto, entra Gabriel Galípolo. O Planalto mandou pregar na parede, atrás do balcão da política monetária, um cartaz com um aviso: “Não elevamos juros”. Por descuido, pendurou-se do lado uma folhinha tapando o “Não”. Nela, a quitanda anuncia a mercadoria que será oferecida à freguesia depois do réveillon: juros lunares.

Na quarta-feira a diretoria do BC deu uma paulada nos juros. O calombo foi de um ponto percentual. A taxa anual subiu de 11,25% para 12,25%. Informou-se em comunicado oficial que vêm por aí pelo menos mais duas pancadas com a mesma intensidade. Em 19 de março, os juros do Ano Novo estarão rodando na casa dos 14,25%.

Lula insinuou há quatro meses que as coisas mudariam no BC em 2025. Vinte dias atrás, com a cotação do dólar virando a esquina dos R$ 6, o chefão da Casa Civil Rui Costa atribuiu os maus bofes do mercado à ação “deliberada” de Campos Neto. Festejou a “contagem regressiva” que leva a Galípolo. No final de semana, a direção do PT concedeu a Campos Neto o título de “serviçal do mercado financeiro”.

Ironicamente, a mudança de patamar do ciclo de alta dos juros foi decidida pelo voto unânime dos nove diretores do BC, entre eles Galípolo. O mercado que mais espanta os votantes é o supermercado, pois a inflação furou o teto da meta, batendo em 4,87% no acumulado de doze meses.

Em janeiro e março, quando vierem as novas altas da taxa de juros, Campos Neto estará desfrutando do ócio de uma quarentena remunerada. Dos nove diretores do Banco Central, sete terão sido indicados por Lula. O que fará da contramão que Galípolo terá que trilhar uma via ainda mais constrangedora.

Deve doer nos membros do alto-comando do governo e do PT a ideia de desempenhar o papel de figurantes obscuros num enredo confuso, em que o protagonista é um pacote de cortes em programas sociais. E cujo epílogo depende do resgate a ser pago aos prontuários do centrão que mantém o Orçamento da República em cativeiro.

Naco do mercado torce contra saúde de Lula e para que Alckmin vire um Temer

O comportamento de uma parte dos operadores do mercado diante das notícias sobre a saúde de Lula leva a crer que há uma torcida pelo afastamento definitivo do presidente ou mesmo por seu passamento. É a mesma turma que, silenciosamente, queria que o golpe de Estado de Bolsonaro tivesse dado certo e que, secretamente, mantém um pôster de nu frontal do general Pinochet, aquele que casou tortura com neoliberalismo, no seu quarto.

O mais interessante é que esse pessoal se desdobra para defender que suas decisões são puramente técnicas quando, durante a gastança irresponsável que a gestão passada fez para tentar se reeleger, não houve surto. Ou que viu com tranquilidade quando 17 setores conseguiram prorrogar seus benefícios fiscais, mas rangem os dentes diante do pagamento de seguro-desemprego. São tão ideológicos quanto o cidadão que, no outro extremo, diz o governo não precisa se preocupar com as contas públicas e é só imprimir mais dinheiro.

Ninguém precisa torcer pela saúde de ninguém, a questão aqui não é moral. Gostando ou não, Lula representa um projeto e uma visão de mundo que venceram as eleições. Isso inclui políticas para incluir os trabalhadores no orçamento nacional e os ricos no imposto de renda — o que significa gerar despesas para beneficiar quem não tem e aumenta impostos para tirar dos que têm muito.

Torcer para que Lula morra ou se torne incapacitado e o governo seja assumido por Geraldo Alckmin, na expectativa de que ele seja um Michel Temer 2, é o recibo de que esse pessoal passa sobre seu caráter golpista. Pois significa que reconhecem que não têm voto para que suas propostas vençam pela via eleitoral. Só um governo não eleito seria capaz da Reforma Trabalhista tal qual passou sob Temer, quando a massa levou chicotada em nome do seu próprio bem.

Mas também é apostar que Alckmin e Haddad dariam as costas ao programa pelos quais seu grupo político foi eleito tal qual fez o sucessor de Dilma Rousseff.

A função de Lula não é formular contrapontos às propostas de sua área econômica, mas arbitrar soluções considerando as ponderações de outros membros de sua equipe — que lembram que o ajuste é importante, mas a qualidade de vida da classe trabalhadora também é (e sim, isso tem efeitos eleitorais).

Para mediar os conflitos da sociedade é que a política não pode ser sequestrada pela economia e as decisões que tratam da vida de milhões não podem ser tomadas em uma quadra de beach tênis perto da Faria Lima.

A saúde de Lula é assunto relevante e sim, não adianta seguidores fanáticos ignorarem que isso diz respeito à sua capacidade de conduzir o país ou de sua reeleição. Ela pode se deteriorar, o que forçaria ao atual grupo político no poder buscar uma alternativa. Lembrando que Lula não teria, em 2026, a mesma capacidade de transferir popularidade – o que elegeu Dilma presidente, em 2010, e Haddad prefeito de São Paulo, em 2012.

Mas a saúde pode permanecer estável, o que o manteria como favorito – considerando que, mesmo com a inflação dos alimentos que rouba pontos de sua aprovação, o PIB cresce, o desemprego desaba e a renda sobe. Se os juros altos não roubarem o humor dos consumidores, o país terá mais qualidade de vida daqui a dois anos do que teve há dois anos, o que fará diferença nas urnas.

Lula vai ter que monitorar pelo resto da vida as consequências da queda que teve no banheiro, com consultas e exames, porque intercorrências podem ocorrer. Da mesma forma que Jair Bolsonaro vai ter que monitorar pelo resto da vida as consequências da facada que recebeu e que o levam periodicamente ao hospital.

Mas, hoje, com o seu quadro clínico atual, o petista está longe de ser um Joe Biden, e conta com a totalidade de suas funções mentais. Então, seria de bom que desejos não contaminassem a capacidade de análise de uma turma que se gaba de ser técnica, mas, não raro, vê a democracia como um detalhe incômodo.

‘Neurologicamente perfeito’, Lula deve ter alta semana que vem, diz médico

O presidente Lula evolui bem após ser submetido a um procedimento médico complementar na manhã desta quinta-feira (12) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com a equipe médica, a intervenção foi realizada para evitar novos sangramentos no cérebro, consequência de uma queda que o presidente sofreu no dia 19 de outubro no Palácio da Alvorada. A previsão de alta é para o início da próxima semana, entre segunda (16) e terça-feira (17), segundo os médicos.

“Foi um sucesso. O presidente está acordado, na UTI”, afirmou o médico Roberto Kalil, responsável pelo acompanhamento de Lula. “Ele está superestável e deve ter alta no começo da semana. A evolução foi muito boa, e nos dois dias após a cirurgia foi discutido esse procedimento complementar.”

A equipe médica reforçou que Lula está “neurologicamente perfeito” e “cognitivamente íntegro”. O médico neurocirurgião Marcos Stavale acrescentou que o procedimento de hoje foi preventivo, justamente para evitar a ocorrência de novos sangramentos cerebrais. “Ele fez o procedimento de hoje para não ter novos sangramentos”, afirmou.

O que foi feito?

O presidente foi submetido a uma embolização de artéria meníngea média, uma técnica de mínima invasão, realizada em uma sala de cateterismo – e não em um centro cirúrgico tradicional. O objetivo da intervenção é bloquear o fluxo de sangue no cérebro para impedir o surgimento de novos hematomas.

A médica Ana Helena Germoglio explicou que o procedimento durou menos de uma hora e que Lula permanecerá na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por mais algumas horas. “O presidente vai permanecer no mesmo espaço físico, o que vai mudar serão os cuidados de monitorização contínua”, disse Germoglio. Segundo ela, o dreno utilizado durante o procedimento será retirado ainda nesta quinta-feira (12).

Recuperação e cuidados

A orientação médica é de repouso relativo, mas o presidente já está conversando, comendo e se movimentando pelo quarto. As visitas permanecem restritas, sendo autorizadas apenas para familiares.

“Ele está comendo e conversando. Quem trabalha com a mente nunca para. A orientação é evitar qualquer tipo de estresse, o que é impossível na posição dele. Ele está sentado, conversando e andando para lá e para cá”, afirmou Roberto Kalil, destacando que Lula poderá voltar a Brasília após a alta hospitalar. No entanto, ele ainda não terá alta médica, ou seja, o presidente precisará continuar em acompanhamento e sob recomendação de repouso.

Embora não haja previsão de licença temporária, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem assumido as funções presidenciais de forma interina, especialmente nas negociações do pacote fiscal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Congresso Nacional.

Fontes próximas ao presidente afirmaram ao UOL que a possibilidade de Lula se afastar formalmente do cargo é considerada remota. Desde o início da internação, a orientação da equipe médica é de que o presidente não exerça atividades de trabalho enquanto estiver hospitalizado, mas os médicos destacam que ele está “apto a exercer qualquer atividade”.

De onde vem o problema?

A necessidade do procedimento complementar surgiu após o sangramento intracraniano detectado na última segunda-feira (9). Na ocasião, Lula relatou dores de cabeça depois de participar de uma reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele foi levado ao Hospital Sírio-Libanês de Brasília, onde exames detectaram o hematoma, motivando a transferência para São Paulo e a realização de uma cirurgia de emergência.

A primeira intervenção, realizada na madrugada de terça-feira (10), foi uma trepanação – procedimento em que é feita uma pequena perfuração no crânio para drenar o sangue acumulado. O procedimento durou cerca de duas horas e foi considerado um sucesso pela equipe médica.

A origem do problema foi um acidente doméstico sofrido pelo presidente no Palácio da Alvorada, no dia 19 de outubro. Lula escorregou no banheiro e bateu a nuca, o que causou o hematoma intracraniano. Segundo os médicos, o hematoma não migrou para outras partes do cérebro, afastando riscos de novas complicações.

Informação antecipada e especulações

Na quarta-feira (11), surgiram especulações sobre o estado de saúde de Lula e a necessidade de um novo procedimento. Em coletiva de imprensa, a equipe médica explicou que a embolização já era uma possibilidade prevista no protocolo de tratamento, mas que a decisão foi confirmada apenas nesta quarta.

Segundo o médico Roberto Kalil, a própria primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o presidente Lula decidiram antecipar a informação à imprensa para evitar ruídos na comunicação. A movimentação foi vista como uma forma de dar mais transparência sobre o estado de saúde do presidente, principalmente após boatos de que a situação poderia ser mais grave do que o divulgado inicialmente.

Quadro de gripe e outras condições

Além do hematoma, o presidente também apresentou sintomas de gripe durante a internação, o que chegou a gerar febre. Segundo Ana Helena Germoglio, os exames apontaram um “quadro viral”, mas sem gravidade. “Pode ter sido uma concomitância de fatores que precipitaram o quadro inflamatório. Não conseguimos identificar o vírus”, disse a médica.

Os médicos asseguram que os exames de Lula já estão normalizados e que o quadro viral foi superado. Desde então, ele tem se alimentado normalmente e não apresentou qualquer tipo de sintoma que demandasse atenção especial.

E agora?

Lula seguirá na UTI nesta quinta-feira (12), mas, segundo os médicos, a partir da retirada do dreno e da melhora do quadro, ele será transferido para uma unidade semi-intensiva ou apartamento, onde permanecerá até receber alta.

Mesmo após sair do hospital, ele continuará em repouso relativo e sob acompanhamento da equipe médica. O retorno a Brasília, onde Lula reassumirá sua rotina presidencial, está previsto para a próxima semana. Até lá, o vice-presidente Geraldo Alckmin continuará assumindo as funções essenciais do cargo e acompanhando a tramitação de medidas econômicas no Congresso.

A equipe médica é unânime ao afirmar que o presidente está “neurologicamente perfeito” e que o risco de novos sangramentos foi completamente controlado com o procedimento realizado hoje. “Foi feito tudo o que tinha que ser feito”, garantiu Kalil.


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Uma resposta para “Governo, entidades da indústria e do comércio criticam alta na taxa de juros”

  1. Silvano Marques Sarmento disse:

    Porque o lula não se cadastrou na central de vagas, para atendimento pelo SUS , ele não quer igualdades para todos

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