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Poder

Flávio usa vídeo de fome da época do governo Bolsonaro para atacar Lula

Cenário revela resiliência de Lula sob pressão e levanta dúvidas sobre consistência da extrema direita

Publicado em 13/04/2026 9:11 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Mesmo antes do início oficial da campanha presidencial, o ambiente digital já se tornou palco de estratégias controversas e potencialmente ilegais. Publicações recentes associadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) evidenciam o uso de desinformação e de recursos tecnológicos avançados como ferramentas de disputa política, acirrando o debate sobre os limites éticos da comunicação eleitoral.

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Na última sexta-feira (10), o portal ICL Notícias revelou a circulação de um vídeo produzido com inteligência artificial que simula, de maneira realista, pastores evangélicos agredindo mulheres vestindo camisetas do Partido dos Trabalhadores (PT). O material, amplamente disseminado em redes sociais, constrói uma narrativa fictícia com forte apelo emocional e potencial de incitação à violência política.

Dois dias depois, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em que critica a condução da política econômica do atual governo. Para sustentar a narrativa de agravamento da fome no país, a peça utiliza imagens de pessoas recolhendo restos de comida de um caminhão de lixo. As cenas, no entanto, foram originalmente registradas em outubro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, em reportagem que abordava o aumento da insegurança alimentar naquele período.

A reutilização de imagens fora de seu contexto original gerou reação imediata. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a publicação como enganosa, acusando-a de contribuir para a disseminação de desinformação. O episódio também reacende o debate sobre o uso seletivo de registros audiovisuais como instrumento de manipulação da opinião pública.

Especialistas apontam que o fenômeno não deve se restringir às campanhas oficiais. Para o analista de redes Pedro Barciela, a disseminação de conteúdos manipulados tende a envolver múltiplos atores no ecossistema digital. “Esse tipo de ferramenta será utilizado por diversas frentes do debate público, não apenas por equipes de campanha”, avalia. Ainda assim, ele pondera que o aumento da conscientização pública sobre os riscos dessas práticas pode mitigar seus efeitos.

A reação institucional foi rápida. O PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar a circulação de vídeos gerados por inteligência artificial com cenas de agressão contra mulheres identificadas com o partido. No sábado (11), o perfil responsável pela publicação original no TikTok foi removido, embora o conteúdo tenha continuado a circular em outras plataformas, como Facebook e Instagram.

Dirigentes e parlamentares classificaram o episódio como um ataque direto à democracia. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o caso revela um “nível de degradação” no debate público, marcado pelo uso deliberado da tecnologia para “fabricar ódio” e distorcer a realidade. Já o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, destacou os riscos à integridade institucional e à segurança de indivíduos e organizações.

A deputada federal Duda Salabert informou ter acionado o Ministério Público e a Polícia Federal para apurar responsabilidades, classificando os vídeos como conteúdo criminoso, com potencial de estimular violência política. A denúncia inicial partiu do jornalista Leandro Demori, que criticou o emprego de inteligência artificial para simular situações e falas inexistentes, criando narrativas artificiais com forte impacto social.

O pano de fundo dessas disputas remete a dados recentes sobre a insegurança alimentar no país. Em 2021, o Brasil voltou ao Mapa da Fome após cinco anos fora da lista, com mais de 33 milhões de pessoas em situação de fome — um aumento de 7,2% em relação ao ano anterior, durante o governo Bolsonaro. Esses números ajudam a contextualizar o uso político de imagens relacionadas à pobreza e à escassez.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de vigilância informacional por parte do eleitorado. Barciela recomenda que os usuários adotem práticas semelhantes às utilizadas para evitar golpes digitais, como a verificação de fontes, a consulta a terceiros e a busca por informações em veículos confiáveis. Segundo ele, a dinâmica da desinformação também envolve o chamado viés de confirmação, em que conteúdos falsos encontram terreno fértil entre aqueles dispostos a acreditar — ou a disseminar — determinadas narrativas.

A antecipação desse tipo de estratégia na pré-campanha indica que o embate eleitoral tende a ser marcado não apenas por propostas e debates, mas também por disputas intensas no campo da informação — e da desinformação.

Flávio e Eduardo exploram brechas simbólicas em restrições impostas ao pai

A estratégia de comunicação adotada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro volta a tensionar os limites impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente no que diz respeito às restrições judiciais que envolvem o uso de meios digitais. Em mais um episódio que combina gesto político e provocação institucional, o senador Flávio Bolsonaro reproduziu uma prática já utilizada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, ao gravar uma mensagem direcionada ao pai, mesmo diante das limitações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.

A gravação ocorreu durante a passagem de Flávio pela Expogrande, tradicional feira agropecuária, onde o parlamentar esteve no camarim do cantor Zezé Di Camargo. No vídeo, o senador se dirige diretamente ao ex-presidente, sugerindo que a mensagem poderia ser assistida posteriormente, apesar da proibição de acesso a dispositivos eletrônicos e redes sociais. A iniciativa, embora indireta, é interpretada como uma forma de contornar — ou ao menos tensionar — as determinações judiciais em vigor.

Na sequência, o cantor também envia uma mensagem de apoio, destacando a relevância política de Bolsonaro e afirmando perceber, em suas viagens pelo país, manifestações de apoio ao ex-presidente. A fala ignora, na prática, as restrições legais que impedem a comunicação digital com o ex-mandatário, reforçando o caráter simbólico — e potencialmente provocativo — do episódio.

O gesto de Flávio não é isolado. Duas semanas antes, Eduardo Bolsonaro já havia adotado expediente semelhante ao divulgar um vídeo gravado durante sua participação na CPAC, conferência conservadora realizada nos Estados Unidos. O material, igualmente direcionado ao pai, levou o ministro Alexandre de Moraes a solicitar esclarecimentos à defesa do ex-presidente. Os advogados afirmaram que o conteúdo não chegou ao destinatário, versão posteriormente reforçada por Michelle Bolsonaro, que declarou publicamente que o vídeo não seria exibido.

A repetição desse tipo de linha discursiva sugere uma estratégia deliberada de exploração dos limites entre o cumprimento formal das decisões judiciais e a construção de narrativas políticas. Ao evitar o contato direto, mas produzir conteúdos ostensivamente destinados ao ex-presidente, aliados mantêm a mobilização de sua base e, ao mesmo tempo, testam a reação das instituições.

Nos bastidores, a avaliação de que decisões recentes do STF poderiam indicar uma postura menos rigorosa também parece influenciar esse comportamento. Ao publicar o vídeo em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro sinaliza acreditar em uma possível redução da capacidade de reação do Judiciário — leitura que, na prática, pode contribuir para a escalada de novos episódios de confronto simbólico.

O caso evidencia como a disputa política ultrapassa o campo eleitoral e se projeta sobre o terreno institucional, onde gestos aparentemente pontuais ganham dimensão estratégica. Nesse cenário, a comunicação indireta se consolida como instrumento de pressão e engajamento, ainda que sob o risco de ampliar o desgaste entre atores políticos e o sistema de Justiça.

Empate nas pesquisas expõe disputa aberta e desafia narrativas consolidadas na corrida presidencial

Os dados mais recentes de intenção de voto introduzem um elemento novo na disputa presidencial: o empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), conforme levantamento do Datafolha divulgado no fim de semana. O resultado, que indica 46% para o parlamentar e 45% para o atual mandatário em um eventual segundo turno, sinaliza uma inflexão em relação ao mês anterior, quando o petista aparecia numericamente à frente.

A leitura imediata dos números alimenta expectativas distintas entre os campos políticos. De um lado, aliados do pré-candidato do PL veem consolidação de crescimento. De outro, a manutenção da competitividade de Lula, mesmo sob ambiente adverso, sugere resiliência eleitoral. Isso porque o governo federal permanece sob escrutínio constante, com maior visibilidade para erros e menor reconhecimento de acertos — dinâmica que, ainda assim, não impede o presidente de se manter no centro da disputa.

O cenário se complexifica quando se observam simulações com outros nomes. Embora improváveis como protagonistas no segundo turno, governadores como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também aparecem em empate técnico com Lula, o que evidencia a persistência de um sentimento difuso de rejeição ao petismo — fenômeno que, sob diferentes denominações, continua a influenciar o comportamento do eleitorado.

Esse dado, no entanto, não se traduz automaticamente em viabilidade eleitoral para alternativas fora do eixo principal. A ausência de candidaturas competitivas fora da polarização reforça a centralidade do embate entre os dois polos já consolidados, contrariando análises que apostavam em fadiga desse modelo. Na prática, o sistema político segue orbitando em torno dessa dicotomia.

No campo estratégico, a ascensão de Flávio Bolsonaro reflete uma definição interna no grupo político ligado ao ex-presidente. A escolha do senador como principal nome da disputa indica a prevalência de uma linha mais ideologicamente estruturada, articulada por setores que combinam mobilização política com discurso doutrinário. Trata-se de uma construção que, embora por vezes marcada por declarações controversas, demonstra coesão interna e capacidade de engajamento.

Ainda assim, há sinais de que a imagem pública do pré-candidato passa por um processo de contenção e recalibragem. Desde que foi alçado à condição de postulante, sua exposição tem privilegiado um tom moderado, contrastando com posicionamentos mais incisivos manifestados em ambientes alinhados ideologicamente. Esse descompasso levanta questionamentos sobre a consistência programática da candidatura e sobre como ela se ներկայացará diante do eleitorado mais amplo.

Declarações recentes reforçam essas dúvidas. Em eventos e entrevistas, o senador defendeu propostas de forte impacto institucional, como anistia a envolvidos em atos antidemocráticos e confrontos com o Supremo Tribunal Federal, além de acenar com alinhamentos internacionais que poderiam afetar interesses estratégicos do país. Em outro contexto, tais posições tenderiam a provocar maior repercussão pública, mas têm recebido atenção limitada no debate corrente.

Enquanto isso, o presidente Lula aposta na comparação entre gestões como eixo de sua estratégia. A defesa de um balanço entre resultados de governos passados e atuais busca deslocar o debate para o campo da gestão concreta, onde indicadores econômicos e sociais podem ser mobilizados como argumento. Ainda assim, o histórico eleitoral demonstra que desempenho administrativo nem sempre se converte automaticamente em vantagem política.

Os índices de avaliação do governo ajudam a dimensionar esse desafio. Apesar de registrar mais desaprovação (51%) do que aprovação (45%), o presidente mantém um patamar compatível com sua performance eleitoral, o que sugere uma base consolidada, ainda que pressionada. A existência de um contingente significativo que avalia a gestão como “regular” também indica margem de disputa narrativa.

No fundo, o que se desenha é uma eleição em que o presente ainda não definiu completamente o futuro. As candidaturas carregam consigo trajetórias e legados que inevitavelmente serão revisitados ao longo da campanha. Nesse processo, não se trata apenas de avaliar o que foi feito, mas de projetar o que cada projeto político representa como possibilidade concreta de governo.

A disputa, portanto, permanece em aberto — e longe de qualquer desfecho previsível.

Empate nas pesquisas expõe disputa

Os dados mais recentes de intenção de voto introduzem um elemento novo na disputa presidencial: o empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, conforme levantamento do Datafolha divulgado no fim de semana. O resultado, que indica 46% para o parlamentar e 45% para o atual mandatário em um eventual segundo turno, sinaliza uma inflexão em relação ao mês anterior, quando o petista aparecia numericamente à frente.

A leitura imediata dos números alimenta expectativas distintas entre os campos políticos. De um lado, aliados do pré-candidato do PL veem consolidação de crescimento. De outro, a manutenção da competitividade de Lula, mesmo sob ambiente adverso, sugere resiliência eleitoral. Isso porque o governo federal permanece sob escrutínio constante, com maior visibilidade para erros e menor reconhecimento de acertos — dinâmica que, ainda assim, não impede o presidente de se manter no centro da disputa.

O cenário se complexifica quando se observam simulações com outros nomes. Embora improváveis como protagonistas no segundo turno, governadores como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também aparecem em empate técnico com Lula, o que evidencia a persistência de um sentimento difuso de rejeição ao petismo — fenômeno que, sob diferentes denominações, continua a influenciar o comportamento do eleitorado.

Esse dado, no entanto, não se traduz automaticamente em viabilidade eleitoral para alternativas fora do eixo principal. A ausência de candidaturas competitivas fora da polarização reforça a centralidade do embate entre os dois polos já consolidados, contrariando análises que apostavam em fadiga desse modelo. Na prática, o sistema político segue orbitando em torno dessa dicotomia.

No campo estratégico, a ascensão de Flávio Bolsonaro reflete uma definição interna no grupo político ligado ao ex-presidente. A escolha do senador como principal nome da disputa indica a prevalência de uma linha mais ideologicamente estruturada, articulada por setores que combinam mobilização política com discurso doutrinário. Trata-se de uma construção que, embora por vezes marcada por declarações controversas, demonstra coesão interna e capacidade de engajamento.

Ainda assim, há sinais de que a imagem pública do pré-candidato passa por um processo de contenção e recalibragem. Desde que foi alçado à condição de postulante, sua exposição tem privilegiado um tom moderado, contrastando com posicionamentos mais incisivos manifestados em ambientes alinhados ideologicamente. Esse descompasso levanta questionamentos sobre a consistência programática da candidatura e sobre como ela se ներկայացará diante do eleitorado mais amplo.

Declarações recentes reforçam essas dúvidas. Em eventos e entrevistas, o senador defendeu propostas de forte impacto institucional, como anistia a envolvidos em atos antidemocráticos e confrontos com o Supremo Tribunal Federal, além de acenar com alinhamentos internacionais que poderiam afetar interesses estratégicos do país. Em outro contexto, tais posições tenderiam a provocar maior repercussão pública, mas têm recebido atenção limitada no debate corrente.

Enquanto isso, o presidente Lula aposta na comparação entre gestões como eixo de sua estratégia. A defesa de um balanço entre resultados de governos passados e atuais busca deslocar o debate para o campo da gestão concreta, onde indicadores econômicos e sociais podem ser mobilizados como argumento. Ainda assim, o histórico eleitoral demonstra que desempenho administrativo nem sempre se converte automaticamente em vantagem política.

Os índices de avaliação do governo ajudam a dimensionar esse desafio. Apesar de registrar mais desaprovação (51%) do que aprovação (45%), o presidente mantém um patamar compatível com sua performance eleitoral, o que sugere uma base consolidada, ainda que pressionada. A existência de um contingente significativo que avalia a gestão como “regular” também indica margem de disputa narrativa.

No fundo, o que se desenha é uma eleição em que o presente ainda não definiu completamente o futuro. As candidaturas carregam consigo trajetórias e legados que inevitavelmente serão revisitados ao longo da campanha. Nesse processo, não se trata apenas de avaliar o que foi feito, mas de projetar o que cada projeto político representa como possibilidade concreta de governo.

A disputa, portanto, permanece em aberto — e longe de qualquer desfecho previsível.

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