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Poder
Grande mídia esconde envolvimento do Master com o bolsonarismo e o Centrão
Publicado em 16/03/2026 9:35 - Semana On
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de ocupar o papel de adversário considerado administrável por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a ser tratado como um risco político concreto para a estratégia eleitoral do governo. Monitoramentos internos de redes sociais e levantamentos de opinião indicam avanço do parlamentar, cenário que levou integrantes do PT e do Planalto a revisar planos para a disputa de 2026.
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Há poucos meses, auxiliares de Lula avaliavam que Flávio poderia representar um oponente mais fácil em eventual confronto eleitoral. Essa percepção, porém, começou a mudar à medida que pesquisas recentes passaram a registrar crescimento do senador — em alguns cenários, aproximando-se do presidente.
Diante desse movimento, integrantes da base governista admitem a necessidade de mobilização para conter o avanço do bolsonarismo. A estratégia inclui intensificar a presença digital e explorar o peso da máquina pública e dos programas governamentais para reforçar a imagem do governo.
Estratégias opostas nas redes e na campanha
Enquanto o campo governista discute uma ofensiva política e comunicacional, a equipe de Flávio Bolsonaro afirma ter identificado aumento de ataques ao senador nas redes sociais nas últimas semanas. Segundo integrantes da pré-campanha, a orientação por ora é evitar confrontos diretos com Lula ou aliados petistas.
No PT, por outro lado, cresce a expectativa de que a intensificação das críticas possa reduzir o desempenho do senador nas pesquisas. O presidente do partido, Edinho Silva, chegou a defender publicamente uma mobilização maior da militância digital e da estrutura partidária para enfrentar o avanço da oposição.
Apesar dessa reação, um diagnóstico persiste dentro do governo: a dificuldade histórica de competir no ambiente das redes sociais. A avaliação interna é de que, desde a eleição anterior, o PT enfrenta desvantagem frente ao ecossistema digital associado ao bolsonarismo.
Quatro anos depois, mesmo com Lula na Presidência, a percepção é de que essa lacuna ainda não foi plenamente superada. Integrantes do governo reconhecem que a direita mantém uma rede mais organizada e eficiente na disputa por narrativas online.
A virada após o início da pré-campanha
A mudança de patamar na candidatura de Flávio Bolsonaro teria ocorrido quando o senador assumiu publicamente o papel de pré-candidato e iniciou viagens pelo país. O gesto veio acompanhado da leitura de uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, em que o filho se apresenta formalmente como nome para a disputa.
Desde então, levantamentos internos do PL apontam crescimento do senador. Em alguns cenários projetados pelo partido, pesquisas indicariam empate técnico com Lula e até vantagem de alguns pontos a partir de abril.
Esse movimento alterou o cálculo político tanto na oposição quanto no governo, transformando o que era visto como candidatura provisória em um projeto eleitoral mais consistente.
Governo teria subestimado bolsonarismo, diz pesquisadora
Para a antropóloga Isabela Kalil, professora e pesquisadora do bolsonarismo, o governo federal cometeu um erro estratégico ao subestimar a capacidade de reorganização da direita.
Segundo ela, havia no Planalto a expectativa de um cenário eleitoral mais favorável, no qual o principal adversário seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
“Eu nunca achei que tivesse esse ‘céu azul’. Houve uma tendência a subestimar a força do bolsonarismo”, afirmou Kalil.
A pesquisadora lembra que, durante meses, a hipótese dominante era a de que a candidatura de Flávio Bolsonaro teria caráter apenas tático — uma espécie de “tampão” político ou instrumento de pressão em debates como o da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Outra possibilidade considerada era a de que sua campanha teria um “voo de galinha”, expressão usada na política para descrever candidaturas que crescem rapidamente, mas não conseguem sustentar desempenho eleitoral.
As pesquisas mais recentes, contudo, indicam um cenário diferente.
“O que os levantamentos mostram é o Flávio Bolsonaro consolidado no campo da oposição como um todo”, avaliou a antropóloga.
Mudança no tabuleiro eleitoral
Na leitura de Kalil, o avanço do senador reorganiza o tabuleiro político ao revelar que o bolsonarismo mantém força eleitoral mesmo após o fim do mandato de Jair Bolsonaro.
Além disso, o cenário coloca pressão sobre o cálculo estratégico do governo, especialmente em relação a São Paulo — maior colégio eleitoral do país.
A pesquisadora avalia que havia uma tentativa indireta de neutralizar o peso político de Tarcísio no estado para facilitar a reeleição de Lula. O crescimento de Flávio Bolsonaro, no entanto, indica que a disputa pode se tornar mais complexa do que o previsto inicialmente.
Em síntese, o cenário eleitoral começa a se redesenhar: o que antes era tratado como candidatura improvável ou transitória passou a ocupar lugar central na disputa política que se projeta para 2026.
Flávio tenta avançar sobre eleitorado de centro e reduzir resistências
Consolidado como principal herdeiro do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro passou a concentrar esforços em ampliar sua base para além do eleitorado tradicional da direita. A avaliação predominante entre integrantes de sua pré-campanha é que a transferência de votos do núcleo bolsonarista já se encontra praticamente concluída — e que o próximo desafio é conquistar o eleitorado moderado.
Um dos indícios desse movimento aparece na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira. O levantamento aponta que 92% dos eleitores que se declaram bolsonaristas afirmam hoje intenção de votar em Flávio Bolsonaro, um salto expressivo em relação aos 76% registrados em dezembro.
Com essa base praticamente consolidada, a estratégia agora se volta para o chamado eleitor independente — parcela do eleitorado que não se identifica diretamente com nenhum dos polos da atual polarização política.
Discurso moderado e tentativa de diferenciação
Nos últimos dias, o senador intensificou viagens pelo país adotando um discurso mais voltado ao centro político. O objetivo é dialogar com eleitores que não se reconhecem integralmente nem no campo lulista nem no bolsonarista.
Nesse movimento, aliados procuram enfatizar diferenças de estilo entre pai e filho. A narrativa construída por interlocutores do parlamentar sustenta que, embora compartilhe valores conservadores com Jair Bolsonaro, Flávio pertence a uma geração política posterior e apresentaria um perfil mais pragmático e atualizado.
A expectativa dentro do PL é que a chegada de uma equipe profissional de marketing reforce esse reposicionamento. Segundo o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a comunicação da pré-campanha deverá concentrar esforços na conquista de eleitores independentes.
Ainda assim, dirigentes do partido insistem que a estratégia não pode negligenciar o eleitorado mais fiel da direita. Para Cavalcante, o objetivo ideal seria consolidar praticamente a totalidade dos votos que foram destinados a Jair Bolsonaro, considerando a expectativa de uma disputa presidencial apertada.
Resistência entre eleitores moderados
Se a consolidação entre bolsonaristas é vista como um avanço, os dados também indicam obstáculos relevantes na tentativa de expansão para o centro político.
O mesmo levantamento da Quaest revela que uma maioria de eleitores independentes ainda associa Flávio Bolsonaro a um perfil radical. Segundo a pesquisa:
– 53% avaliam que o senador é tão radical quanto o restante da família Bolsonaro;
– 28% o consideram mais moderado.
Entre os independentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém vantagem no potencial de voto: 29%, contra 26% atribuídos ao senador.
Apesar desse cenário, aliados do pré-candidato acreditam que o quadro pode evoluir com o avanço da campanha. Na avaliação do entorno de Flávio, o senador já parte de uma posição confortável no eleitorado conservador e, portanto, teria maior margem para trabalhar a imagem de moderação sem perder sua base.
Ruídos internos preocupam dirigentes do PL
O esforço para suavizar a imagem pública, porém, convive com preocupações dentro do próprio campo bolsonarista. Dirigentes do PL temem que declarações mais inflamadas de figuras da direita possam comprometer a tentativa de ampliar o alcance eleitoral do senador.
Um episódio recente envolvendo Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, acendeu alerta entre caciques partidários. O ex-deputado celebrou publicamente sanções impostas ao Brasil pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, gesto que acabou sendo interpretado por adversários como alinhamento com medidas prejudiciais ao país.
Nos bastidores do partido, alguns dirigentes recordam o impacto político de episódios controversos na eleição de 2022. Um dos exemplos frequentemente mencionados é o caso da deputada Carla Zambelli, que perseguiu um homem armado nas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno, fato amplamente explorado pelos adversários.
Diante de uma disputa que muitos analistas projetam como extremamente equilibrada, dirigentes da direita avaliam que qualquer erro de comunicação pode ter peso decisivo.
Rejeição feminina entra no radar da campanha
Outro desafio identificado pela equipe de Flávio Bolsonaro envolve a relação com o eleitorado feminino. Internamente, a campanha classifica o tema como um “ponto de atenção”, reconhecendo que há resistência relevante entre mulheres.
A estratégia para tentar reduzir essa rejeição começou a ser estruturada meses antes do início formal da corrida eleitoral. Parte central da abordagem tem sido a produção de conteúdos direcionados para diferentes segmentos do público feminino, sobretudo nas redes sociais.
Durante o mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, a equipe intensificou publicações voltadas ao tema. Uma das linhas adotadas foi destacar declarações consideradas machistas feitas por Lula ao longo da trajetória política.
Em outra frente, a comunicação buscou abordar temas ligados à rotina de mães trabalhadoras, como a falta de vagas em creches. Em vídeos publicados nas redes, o senador defendeu políticas públicas que permitam às mulheres conciliar estudo, trabalho e cuidados com os filhos.
Segundo integrantes da pré-campanha, um desses conteúdos ultrapassou 1,7 milhão de visualizações no Instagram, com milhões de interações somando curtidas, comentários e compartilhamentos.
Tentativa de diálogo com diferentes perfis femininos
A estratégia digital também inclui conteúdos direcionados a mulheres que criticam o machismo na sociedade, mas não se identificam com pautas feministas associadas à esquerda.
Uma das peças divulgadas nas redes apresenta uma linha do tempo destacando mulheres pioneiras na história brasileira, como Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica. O material também menciona figuras associadas à direita, como Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
A participação da própria família do senador também passou a integrar a comunicação da campanha. Fernanda Bolsonaro, esposa do parlamentar, aparece com frequência crescente nas redes sociais, em publicações que destacam a dimensão familiar da vida do pré-candidato.
Apesar disso, integrantes do PL reconhecem que o engajamento público de Michelle Bolsonaro poderia ter impacto relevante na redução da rejeição feminina — apoio que, até o momento, não foi formalizado.
Novos focos: jovens e idosos
Além do eleitorado feminino, a equipe de Flávio Bolsonaro também estuda estratégias voltadas a dois grupos considerados decisivos: jovens e idosos.
Pesquisas internas indicam que a esquerda mantém desempenho mais forte entre eleitores da terceira idade, o que levou a campanha a iniciar estudos sobre demandas específicas desse público.
Entre os jovens, o cenário apresenta nuances distintas. Embora pesquisas indiquem simpatia maior da juventude por pautas liberais e conservadoras, esse apoio nem sempre se traduz automaticamente em voto.
Uma das hipóteses analisadas pela equipe é o possível impacto de programas sociais do governo federal — como o Pé-de-Meia — sobre o comportamento eleitoral de jovens eleitores.
O objetivo, segundo interlocutores da pré-campanha, é identificar as razões dessa possível migração e elaborar propostas capazes de ampliar o apoio nesse segmento do eleitorado.
Grande mídia esconde envolvimento do Master com Flávio e Centrão
O avanço das investigações sobre o chamado escândalo do Banco Master tem revelado conexões políticas relevantes em Brasília. Apesar disso, parte do debate público tem se concentrado sobretudo nas relações do banqueiro Daniel Vorcaro com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto as articulações políticas no Congresso aparecem com menor destaque em grande parte da cobertura jornalística.
A narrativa predominante de que o caso envolve atores de diferentes espectros políticos — e, portanto, seria “suprapartidário” — é contestada por analistas que apontam a presença marcante de lideranças do Centrão entre os interlocutores políticos mais próximos do banqueiro.
Entre os nomes frequentemente citados nas investigações e nos bastidores políticos estão Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, e Antônio Rueda, dirigente nacional do União Brasil. Ambos comandam partidos que hoje integram a federação União Progressista, a maior força parlamentar do Congresso Nacional.
Lideranças do Congresso sob escrutínio
Nos bastidores da política, os dois dirigentes são apontados como importantes interlocutores políticos de Vorcaro. Investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que parlamentares ligados a esse grupo teriam atuado politicamente em temas de interesse do Banco Master.
Um dos episódios mencionados envolve a tentativa de viabilizar a aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal. Segundo apurações preliminares, interlocutores políticos teriam aproximado o banqueiro do governador Ibaneis Rocha, abrindo caminho para negociações que buscavam evitar o colapso da instituição privada.
A proximidade entre figuras políticas e Vorcaro também se manifestou em episódios públicos. Registros mostram encontros sociais e políticos entre o banqueiro e lideranças partidárias, incluindo eventos privados e viagens compartilhadas.
Em fevereiro, quando o ministro Dias Toffoli decidiu se afastar da relatoria do caso, Nogueira e Rueda divulgaram uma nota conjunta em defesa do magistrado, criticando o que classificaram como tentativas de deslegitimar sua atuação no tribunal.
Cobertura concentrada no Judiciário
Embora as relações entre integrantes do STF e o banqueiro também tenham sido alvo de críticas — sobretudo no campo ético —, analistas políticos observam que o debate público se concentrou de forma mais intensa nessa dimensão do caso.
A aproximação entre ministros da Suprema Corte e um empresário investigado levanta questionamentos sobre limites institucionais e conflitos de interesse. Ainda que não haja comprovação de irregularidades penais envolvendo magistrados, especialistas apontam que a exposição pública do relacionamento pode gerar desgaste institucional.
Por outro lado, críticos da cobertura argumentam que as conexões políticas no Congresso, especialmente envolvendo lideranças partidárias influentes, têm recebido menor destaque relativo no noticiário.
Peso político da federação União Progressista
A relevância política dos partidos liderados por Nogueira e Rueda ajuda a explicar o impacto potencial do caso. A federação União Progressista, formada por Progressistas e União Brasil, reúne atualmente uma das maiores estruturas partidárias do país.
No Congresso Nacional, a federação soma 109 deputados federais e 15 senadores, o que lhe confere peso decisivo na definição da agenda legislativa e na negociação do orçamento federal. Além disso, controla parcela significativa do Fundo Eleitoral, responsável pelo financiamento público das campanhas.
Esse poder institucional torna a federação um ator central nas articulações políticas em Brasília, influenciando votações estratégicas e negociações entre governo e oposição.
Impacto político e narrativa pública
Apesar das suspeitas envolvendo atores políticos relevantes, o escândalo ainda não provocou impacto direto visível na disputa presidencial em formação. Um dos exemplos apontados por observadores políticos é a relativa ausência de questionamentos diretos à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro em relação às conexões políticas investigadas.
Ao mesmo tempo, pesquisas de percepção pública indicam que parte significativa da população associa o caso sobretudo ao Judiciário. Levantamento do instituto Meio/Idea aponta que 35% dos entrevistados relacionam o escândalo ao STF, enquanto 21% mencionam o governo federal e 18% o Congresso Nacional.
Especialistas em comunicação política observam que a forma como escândalos são enquadrados no debate público pode influenciar diretamente a percepção do eleitorado. Quando a responsabilidade é percebida como difusa — distribuída entre diferentes instituições —, tende a se fortalecer um sentimento mais amplo de desconfiança em relação à política.
Nesse cenário, as investigações seguem em andamento enquanto o caso continua a produzir efeitos no debate político nacional, com potenciais desdobramentos tanto no campo institucional quanto no eleitoral.
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