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Poder

Flávio empata com Lula no 2º turno, mostra Datafolha

Levantamento indica consolidação do senador do PL como principal nome da oposição

Publicado em 07/03/2026 1:34 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A mais recente pesquisa do Datafolha sugere uma consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. O levantamento aponta aproximação entre os dois nas simulações de primeiro turno e indica empate técnico no segundo turno, com Lula registrando 46% das intenções de voto contra 43% do senador.

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No campo da centro-direita, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), aparece como o nome mais competitivo entre os três pré-candidatos lançados pelo partido presidido por Gilberto Kassab, mas permanece distante do grupo que lidera a corrida eleitoral.

Esta é a primeira rodada da pesquisa realizada após o ex-presidente Jair Bolsonaro indicar o filho como pré-candidato, gesto feito enquanto cumpre pena. Inicialmente recebida com desconfiança — sobretudo devido à preferência de setores do centrão pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) — a candidatura de Flávio ganhou consistência nas medições do instituto.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

Um dos sinais mais claros do avanço do senador aparece na intenção de voto espontânea, quando o entrevistado responde sem receber uma lista de nomes. Flávio, que não havia sido citado na rodada anterior, realizada em dezembro, surge agora com 12% das menções. Lula oscilou de 24% para 25%, enquanto Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, aparece com 3%.

Cenários de primeiro turno

O instituto testou cinco cenários de primeiro turno e sete de segundo turno. Em todos os cenários iniciais, Lula permanece na liderança, mas com vantagem menor do que nas pesquisas anteriores.

Nos cenários principais, o presidente registra entre 38% e 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro oscila de 32% a 34% nas simulações em que enfrenta diretamente o petista.

Há ainda um cenário considerado improvável, em que o candidato do PT seria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Nesse caso, Haddad aparece com 21%, enquanto Flávio alcança 33%.

Na simulação considerada mais plausível atualmente, Lula tem 38%, seguido por Flávio com 32%. Ratinho Junior aparece com 7%, enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), registra 4%. Na sequência surgem Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Entre os entrevistados, 11% dizem rejeitar todos os candidatos, e 3% afirmam não saber em quem votar.

A estratégia do PSD de apresentar três possíveis candidatos para posteriormente unificar a escolha ainda não produziu impacto relevante na disputa. Ratinho Junior, porém, aparece melhor posicionado do que outros nomes cogitados pela centro-direita, como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Eduardo Leite (PSDB).

Segundo turno mais apertado

A principal mudança identificada pela pesquisa ocorre na projeção de segundo turno. Em dezembro, Lula mantinha vantagem de 15 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. Agora, a distância caiu para três pontos, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

Quando o adversário do presidente é Ratinho Junior, Lula vence por 45% a 41%, cenário que permanece praticamente estável em relação à rodada anterior.

Perfil do eleitorado mantém polarização

O perfil dos eleitores dos principais candidatos reproduz, em grande medida, a divisão observada nas eleições presidenciais desde 2018.

Lula apresenta distribuição relativamente homogênea entre diferentes faixas socioeconômicas, mantendo desempenho mais forte entre eleitores do Nordeste, católicos e pessoas com menor renda e escolaridade. Entre os que ganham até dois salários mínimos, o presidente alcança 42% das intenções de voto.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra apoio entre evangélicos, moradores do Sul e das regiões Norte e Centro-Oeste, redutos que historicamente apoiaram seu pai. Seu melhor desempenho ocorre justamente entre evangélicos: 48% desse grupo declaram intenção de votar no senador.

Rejeição elevada

A disputa também é marcada por níveis elevados de rejeição. Após quase três mandatos presidenciais somados, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de forma alguma.

Flávio Bolsonaro, estreante em disputas presidenciais, enfrenta rejeição semelhante: 45% dizem que não votariam no senador.

Ambos são amplamente conhecidos do eleitorado. Apenas 1% dos entrevistados dizem nunca ter ouvido falar de Lula, enquanto 7% afirmam desconhecer Flávio.

Nesse aspecto, Ratinho Junior apresenta um cenário distinto: 19% de rejeição e 38% de desconhecimento, números que indicam maior espaço potencial de crescimento caso sua candidatura avance.

Governadores relativizam pesquisas

Enquanto as pesquisas mais recentes indicam consolidação da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os governadores que disputam a indicação presidencial no Partido Social Democrático (PSD) procuram minimizar o peso dos levantamentos eleitorais realizados a poucos meses do pleito.

Durante debate realizado em São Paulo, Eduardo Leite (RS), Ratinho Junior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) afirmaram que o cenário atual ainda está distante da dinâmica que marcará efetivamente a campanha.

Caiado foi o mais enfático ao relativizar os números. Segundo ele, o eleitor ainda não está mobilizado para a disputa presidencial. “Eleição não existe neste momento para a população. Pesquisa agora não é referência”, afirmou. O governador acrescentou que o verdadeiro teste de força ocorrerá durante a campanha e os debates entre candidatos.

Leite também minimizou os levantamentos, lembrando que sua trajetória eleitoral não costuma refletir o desempenho inicial nas sondagens. O governador gaúcho observou que já disputou eleições nas quais começou distante da liderança e terminou avançando para o segundo turno na primeira colocação. Para ele, mais relevante que os números atuais é perceber o “humor” do eleitorado — que, na sua avaliação, demonstra desgaste com a polarização e abertura para novos nomes.

Ratinho Junior seguiu linha semelhante. O governador do Paraná afirmou que pesquisas realizadas neste momento têm “relevância limitada”, pois grande parte da população ainda não está conectada com o debate eleitoral. Em levantamentos recentes, ele aparece próximo de 10% das intenções de voto, enquanto Caiado alcança cerca de 15% e Leite permanece em patamar mais baixo.

PSD mantém estratégia de lançar candidato próprio

Apesar do desempenho modesto nas pesquisas, a direção nacional do PSD mantém o plano de apresentar um candidato competitivo ao Planalto. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, reiterou que o partido deve definir até meados de abril qual dos três governadores será o escolhido para representar a sigla.

Segundo Kassab, qualquer que seja o nome selecionado, contará com o apoio dos demais postulantes. Ele também afirmou que ainda é prematuro definir se a chapa presidencial será composta exclusivamente por filiados ao PSD ou se haverá alianças externas, mas descartou a hipótese de o partido abrir mão da candidatura própria.

Debate incluiu temas institucionais e econômicos

O encontro também abordou temas institucionais e econômicos. Questionados sobre investigações envolvendo o Banco Master, os governadores afirmaram que o esclarecimento das suspeitas deve depender das apurações oficiais.

Ratinho destacou que cabe às investigações determinar responsabilidades e eventuais irregularidades. Caiado, por sua vez, comentou discussões sobre um eventual afastamento do ministro Alexandre de Moraes, ressaltando que qualquer medida dessa natureza deve seguir os procedimentos previstos na Constituição e nas prerrogativas do Senado.

No campo econômico, Ratinho Junior também manifestou posição contrária à privatização de instituições financeiras estatais como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. O governador argumentou que os bancos públicos desempenharam papel relevante na oferta de crédito durante a pandemia de COVID-19.

Movimentações partidárias e pré-campanha

No plano partidário, Caiado anunciou que oficializará sua filiação ao PSD no próximo dia 14, em evento programado para a cidade de Jaraguá, em Goiás. Segundo ele, o ato deverá reunir a maior parte dos prefeitos e centenas de vereadores do estado.

Já Leite formalizou sua pré-candidatura à Presidência por meio de um manifesto divulgado nas redes sociais, no qual defende reformas estruturais e critica a polarização política. Ratinho Junior, por sua vez, afirmou estar atuando internamente para viabilizar seu nome como opção do partido.

O PSD trabalha com o calendário eleitoral como fator decisivo para a definição. Governadores que pretendem disputar o Planalto precisam deixar seus cargos dentro do prazo estabelecido pela legislação — o que pressiona a legenda a resolver a disputa interna nas próximas semanas.

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