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Poder
Mendonça proíbe acesso da CPMI a informações
Publicado em 17/03/2026 9:14 - Semana On
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Novos documentos encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ampliaram o alcance político e empresarial das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e preso em 4 de março. Entre os contatos registrados em seu telefone celular aparecem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
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A existência desses registros foi revelada pela jornalista Mônica Bergamo, em coluna publicada no jornal Folha de S. Paulo. Procurados, ambos os parlamentares negaram qualquer relação direta com o banqueiro. Flávio Bolsonaro afirmou que nunca manteve contato com Vorcaro e sugeriu que seu número possa ter sido compartilhado por terceiros. Já Nikolas Ferreira declarou que jamais se encontrou com o empresário nem trocou mensagens ou telefonemas com ele.
O deputado mineiro, no entanto, esteve a bordo de um jato particular pertencente a Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, quando viajou para encontrar o então presidente Jair Bolsonaro. Segundo Ferreira, à época ele não sabia quem era o proprietário da aeronave.
A lista de contatos atribuída ao banqueiro também inclui nomes relevantes do mundo político e empresarial. Entre eles estão os empresários Joesley Batista, do grupo JBS, e Nelson Tanure, ligado a companhias como Light e Gafisa; o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL); o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil); e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), já mencionado em etapas anteriores da investigação.
O registro telefônico ainda menciona o ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e o apresentador Luciano Huck. Também aparecem na lista dois ministros do Supremo Tribunal Federal: Alexandre de Moraes e Kássio Nunes Marques.
Enquanto a investigação parlamentar tenta avançar sobre o conteúdo apreendido, uma decisão do Supremo Tribunal Federal impôs novas restrições ao trabalho da comissão. Na noite de segunda-feira, o ministro André Mendonça determinou que a CPMI do INSS não poderá acessar novos dados provenientes das quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro.
Pela decisão, todo o material atualmente armazenado em uma sala-cofre da CPMI, instalada no Senado, deverá ser devolvido à Polícia Federal. Mendonça também proibiu que os integrantes da comissão tenham acesso a informações relacionadas à vida privada do banqueiro.
Caberá agora à Polícia Federal realizar uma triagem do material apreendido e definir quais dados poderão ser compartilhados com os parlamentares. No despacho, o ministro ordenou ainda a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de conversas privadas entre Vorcaro e sua ex-namorada, a influenciadora e empresária Martha Graeff.
“A Polícia Federal deverá, em colaboração interinstitucional com a presidência da CPMI-INSS, retirar todos os equipamentos que estão armazenados no referido local para realizar uma nova e detida separação dos dados existentes”, escreveu Mendonça na decisão.
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