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Poder

Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro se estabiliza após meses de oscilação

Conflitos internos no bolsonarismo expõem fissuras e tensionam estratégia do grupo

Publicado em 29/04/2026 9:12 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A mais recente pesquisa do instituto AtlasIntel sugere que a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro entrou em uma fase de estabilidade após meses de movimentações significativas. Desde dezembro, cinco rodadas do levantamento registraram mudanças relevantes: Lula acumulou uma queda de 5,5 pontos percentuais no principal cenário de segundo turno, enquanto Flávio avançou 6,8 pontos no mesmo período. Como resultado, a diferença que anteriormente favorecia Lula em 12 pontos foi reduzida a um empate técnico — quadro que vem se repetindo há cerca de três meses.

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Os dados divulgados nesta quarta-feira reforçam esse cenário de equilíbrio. Embora Flávio ainda apareça numericamente à frente, a vantagem encolheu em relação ao mês anterior: passou de um ponto percentual para apenas três décimos, com 47,8% contra 47,5%. O movimento indica uma desaceleração no crescimento do candidato associado ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que Lula interrompe a trajetória de perda de apoio, sem, contudo, recuperar o terreno já cedido.

Nesse contexto, observa-se uma reconfiguração da dinâmica eleitoral. Lula mantém sua base tradicional, enquanto Flávio consolida a transferência de votos ligados ao capital político do pai. Com isso, a disputa tende a se deslocar para um estágio mais disputado, em que o eleitorado independente de centro ganha protagonismo como possível fiel da balança.

A margem para o surgimento de uma alternativa competitiva permanece restrita. Testado em simulações diretas contra Lula, Romeu Zema aparece em empate técnico, com diferença inferior a um ponto percentual. Ainda assim, enfrenta obstáculos significativos para alcançar o segundo turno. No cenário de primeiro turno, Zema surge apenas na quarta colocação, empatado com Ronaldo Caiado, e atrás até mesmo de nomes com menor projeção, como Renan Santos, evidenciando a dificuldade de consolidação de uma terceira via no atual quadro eleitoral.

A Atlas/Bloomberg entrevistou 5.008 eleitores por recrutamento digital aleatório de 22 a 27 de abril. A margem de erro é de 1 ponto percentual, e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-07992/2026.

1º turno – cenário 1 (abr/2026)

Lula (PT) – 46,6%

Flávio Bolsonaro (PL) – 39,7%

Renan Santos (Missão) – 5,3%

Ronaldo Caiado (PSD) – 3,3%

Romeu Zema (Novo) – 3,1%

Augusto Cury (Avante) – 1,1%

Aldo Rebelo (DC) – 0,3%

Branco e nulos – 0,5%

Não sabem – 0,1%

1º turno – cenário 2 (abr/26)

Lula (PT) – 44,2%

Flávio Bolsonaro (PL) – 39,3%

Renan Santos (Missão) – 5,1%

Romeu Zema (Novo) – 3,5%

Ronaldo Caiado (PSD) – 3%

Samara Martins (UP) – 2%

Ciro Gomes (PSDB) – 1,3%

Aldo Rebelo (DC) – 0,4%

Augusto Cury (Avante) – 0,4%

Edmilson Costa (PCB) – 0,2%

Branco e nulos – 0,2%

Não sabem – 0,2%

Cabo Daciolo (Mobiliza) – não pontuou

Hertz Dias (PSTU) – não pontuou

Rui Costa Pimenta (PCO) – não pontuou

2º turno – cenário 1 (abr/26): Lula x Flávio Bolsonaro (empate na margem de erro)

Flávio Bolsonaro (PL) – 47,8%

Lula (PT) – 47,5%

Branco/nulo/não sabe – 4,7%

2º turno – cenário 2 (abr/26): Lula x Jair Bolsonaro

Lula (PT) – 48%

Jair Bolsonaro* (PL) – 46,8%

Branco/nulo/não sabe – 5,2%

*Jair Bolsonaro está inelegível

2º turno – cenário 3 (abr/26): Lula x Romeu Zema (empate na margem de erro)

Lula (PT) – 47,4%

Romeu Zema (Novo) – 46,5%

Branco/nulo/não sabe – 6,1%

2º turno – cenário 4 (abr/26): Lula x Ronaldo Caiado

Lula (PT) – 46,8%

Ronaldo Caiado (PSD) – 42,2%

Branco/nulo/não sabe – 11%

2º turno – cenário 5 (abr/26): Lula x Renan Santos

Lula (PT) – 47,1%

Renan Santos (Missão) – 29,5%

Branco/nulo/não sabe – 23,5%

Desaprovação de Lula é de 52,5%, e 46,8% o aprovam

A pesquisa aponta que 52,5% desaprovam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 46,8% aprovam.

Aprovação de Lula (Atlas/Bloomberg – abr/2026)

Desaprovam – 52,5%

Aprovam – 46,8%

Não sabem – 0,7%

Aprovação de Lula (Atlas/Bloomberg) – série de dez/2025 a abr/2026

Dez – desaprovam 51%; aprovam 49%; não sabem 0%

Jan – desaprovam 51%; aprovam 49%; não sabem 1%

Fev – desaprovam 52%; aprovam 47%; não sabem 2%

Mar – desaprovam 54%; aprovam 46%; não sabem 1%

Abr – desaprovam 52,5%; aprovam 46,8%; não sabem 0,7%

Avaliação do governo Lula (Atlas/Bloomberg – abr/2026)

Ruim/Péssimo – 51,3%

Ótimo/Bom – 42%

Regular – 6,8%

Avaliação do governo Lula (Atlas/Bloomberg) – série de dez/2025 a abr/2026

Dez – ruim/péssimo 49%; ótimo/bom 47%; regular 5%

Fev – ruim/péssimo 48%; ótimo/bom 43%; regular 9%

Abr – ruim/péssimo 51,3%; ótimo/bom 42%; regular 6,8%

Conflitos internos no bolsonarismo expõem fissuras e tensionam estratégia de Flávio

A escalada de conflitos dentro do próprio núcleo bolsonarista passou a interferir diretamente na construção da imagem pública de Flávio Bolsonaro como alternativa presidencial. Em meio à pré-disputa eleitoral, integrantes da família intensificaram críticas a aliados considerados pouco engajados na promoção de sua candidatura, criando um ambiente de atrito que desafia o discurso de unidade.

Um dos episódios mais recentes envolveu o vereador Jair Renan Bolsonaro, que, ao lado do influenciador Junior Japa, direcionou ataques ao deputado Nikolas Ferreira nas redes sociais. A reação veio em tom igualmente agressivo, elevando o nível do embate público entre figuras que, em tese, orbitam o mesmo campo político.

Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro tentou conter o desgaste ao publicar uma mensagem defendendo coesão entre aliados. Sem citar diretamente os familiares, o senador afirmou que não há necessidade de pressões ou de confrontos com apoiadores que compartilham o objetivo de recolocar um Bolsonaro no Palácio do Planalto, sugerindo que diferentes formas de engajamento devem ser respeitadas.

O apelo ocorre após uma sequência de episódios que evidenciam a fragmentação interna. Carlos Bolsonaro chegou a anunciar a intenção de mapear integrantes do partido que não promovem ativamente a candidatura do irmão. Já Eduardo Bolsonaro protagonizou ataques reiterados a Nikolas Ferreira e também à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, aprofundando divergências públicas. As reações vieram em tom de irritação, com insinuações sobre o comportamento de Eduardo e críticas ao ambiente de hostilidade crescente.

Em resposta ao novo chamado por união, Nikolas Ferreira expôs o desconforto de parte da base aliada. Segundo ele, apoiadores históricos têm sido alvo de cobranças e até de uma espécie de vigilância informal quanto ao nível de engajamento nas redes, o que estaria gerando um clima de desgaste generalizado.

O paradoxo desse cenário é que as tensões internas se intensificam justamente no momento em que Flávio Bolsonaro tenta ampliar seu alcance político. Com desempenho competitivo em simulações eleitorais, o senador busca agora conquistar o eleitorado independente — segmento considerado decisivo em disputas nacionais. No entanto, a instabilidade dentro do próprio grupo político surge como obstáculo adicional nessa estratégia.

A recorrência de disputas públicas entre membros da família e aliados fragiliza a narrativa de moderação que Flávio procura consolidar. Enquanto o senador tenta se apresentar como uma versão mais equilibrada do bolsonarismo, episódios sucessivos de confronto oferecem sinais contraditórios ao eleitorado.

Nesse contexto, até mesmo figuras alinhadas ao campo mais radical expressam incômodo com o ambiente interno. A percepção de desorganização e conflito pode influenciar a avaliação de setores conservadores, especialmente aqueles que buscam maior previsibilidade e coesão política em seus representantes.

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