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Publicado em 09/04/2026 10:03 - Semana On
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A pouco mais de seis meses das eleições presidenciais de 2026, o cenário político brasileiro já apresenta contornos definidos, com ao menos 11 pré-candidaturas formalizadas — número que ainda pode variar até o prazo final de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 15 de agosto. Embora a disputa siga ancorada na polarização entre governo e oposição, a multiplicidade de candidaturas evidencia tentativas — ainda incertas — de construção de alternativas fora desse eixo.
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT): entre o ineditismo histórico e a rejeição elevada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra na disputa em busca de um quarto mandato — algo inédito na história política brasileira. Após sugerir, em 2022, que exerceria apenas um mandato, Lula passou a sinalizar mudança de posição ao longo do governo, consolidando a candidatura em 2025.
Aos 80 anos, será o candidato mais velho a disputar a Presidência, além de acumular sua sétima candidatura ao cargo. A chapa será novamente formada com Geraldo Alckmin como vice.
Apesar da liderança nas pesquisas de primeiro turno — com índices próximos de 46% —, Lula enfrenta um obstáculo central: a rejeição de 52% do eleitorado, o que torna o segundo turno altamente competitivo.
Flávio Bolsonaro (PL): herdeiro político e aposta da direita organizada
O senador Flávio Bolsonaro foi escolhido como candidato do PL após disputas internas no campo conservador. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua candidatura representa a tentativa de transferência de capital político dentro da família.
Com trajetória iniciada em 2002, Flávio consolidou sua carreira no Legislativo estadual e federal até chegar ao Senado. Sua candidatura foi oficializada em dezembro de 2025.
Nas pesquisas, aparece em segundo lugar, com até 42,4% das intenções de voto, e chega a superar Lula em cenários de segundo turno. Ainda assim, carrega rejeição significativa, de 46,1%.
Ronaldo Caiado (PSD): experiência política e discurso de pacificação
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado foi lançado pelo PSD após uma disputa interna que expôs fissuras no partido. Com mais de três décadas de trajetória política, tenta se apresentar como alternativa moderada.
Seu discurso combina críticas ao PT com a defesa de medidas controversas, como anistia ampla a envolvidos em crises institucionais recentes.
Apesar da experiência e da ligação com o agronegócio, Caiado ainda aparece com desempenho modesto nas pesquisas, na faixa de 3,7%.
Romeu Zema (Novo): liberalismo econômico e retórica antipetista
O empresário e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema aposta em uma plataforma liberal com forte discurso antipetista. Sua pré-candidatura foi lançada em 2025, com críticas diretas ao governo Lula.
Zema construiu capital político ao vencer as eleições estaduais de 2018 e se reeleger em 2022. Antes disso, atuou por décadas no setor privado.
Apesar de afinidade com o bolsonarismo, sua candidatura não conta com apoio formal do grupo. Nas pesquisas, oscila entre 3,1% e 3,7%.
Aldo Rebelo (DC): trajetória à esquerda e inflexão conservadora
Ex-ministro e figura histórica do PCdoB, Aldo Rebelo tenta reposicionar sua carreira ao lançar candidatura pelo Democracia Cristã.
Após décadas vinculado à esquerda e aos governos petistas, Rebelo passou a adotar um discurso crítico ao PT e ao Supremo Tribunal Federal, aproximando-se de setores conservadores.
Seu desempenho nas pesquisas ainda é limitado, variando entre 0,6% e 0,8%.
Renan Santos (Missão): ativismo digital e tentativa de institucionalização
Cofundador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos busca converter capital de mobilização digital em viabilidade eleitoral.
O MBL ganhou projeção durante o impeachment de Dilma Rousseff e teve papel ativo nas mobilizações de rua da década passada.
Com intenção de votos entre 4,4% e 4,6%, Santos aparece como um dos candidatos fora da polarização com maior desempenho inicial.
Samara Martins (UP): militância social e representação de base
A dentista Samara Martins representa a Unidade Popular e movimentos sociais ligados à esquerda popular.
Atuante em organizações como o Movimento de Mulheres Olga Benário, sua candidatura tem caráter mais programático do que competitivo, sem presença nas pesquisas até o momento.
Hertz Dias (PSTU): candidatura ideológica e foco na classe trabalhadora
Professor de História da rede pública, Hertz Dias é o nome do PSTU na disputa.
Com trajetória ligada ao sindicalismo e à educação, sua candidatura reforça a tradição do partido de lançar nomes com perfil ideológico e baixa expectativa eleitoral.
Edmilson Costa (PCB): discurso acadêmico e crítica estrutural ao sistema
Doutor em Economia pela Unicamp, Edmilson Costa representa o PCB com uma candidatura de caráter teórico e programático.
Sem presença relevante nas pesquisas, sua participação se insere mais no campo do debate ideológico do que na disputa competitiva.
Augusto Cury (Avante): outsider aposta em discurso antipolarização
O escritor Augusto Cury entra na política sem experiência eleitoral, defendendo uma ruptura com a polarização.
Autor de best-sellers e conhecido no campo da psicologia, Cury afirma que sua candidatura decorre justamente da ausência de interesse pelo poder — uma narrativa que busca diferenciá-lo no cenário político.
Cabo Daciolo (Mobiliza): retorno de figura disruptiva com base religiosa
O ex-deputado Cabo Daciolo retorna à disputa presidencial após desempenho surpreendente em 2018, quando superou nomes tradicionais.
Com forte apelo religioso e discurso heterodoxo, mantém base fiel, embora com limitações de crescimento eleitoral.
Um cenário ainda em construção
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e possibilidade de segundo turno no dia 25, o cenário permanece aberto. Novas candidaturas podem surgir, e alianças devem redesenhar o quadro até agosto.
A questão central, por ora, permanece: haverá espaço real para uma alternativa fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo — ou o eleitorado seguirá orbitando os mesmos polos que marcaram a última década?
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