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Poder

Datafolha: Lula lidera no 1º e 2º turnos após “escândalo Dark Horse”

Relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro eleva rejeição do senador e expõe fragilidade de Michelle

Publicado em 22/05/2026 6:28 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A divulgação do caso Dark Horse provocou uma inflexão no cenário da disputa presidencial de 2026 e ampliou a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo nova pesquisa Datafolha. O levantamento indica que o impacto político do episódio ultrapassou a figura do senador e passou a atingir o conjunto da família Bolsonaro, abalando inclusive tentativas de construção de uma candidatura alternativa no campo da extrema direita.

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No principal cenário de primeiro turno testado pelo instituto, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%. Na rodada anterior da pesquisa, realizada uma semana antes, o petista marcava 38% e o senador, 35%, resultado que configurava empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A mudança ocorreu após a ampla repercussão do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira. Áudios e mensagens revelaram que o senador teria solicitado R$ 134 milhões ao empresário sob a justificativa de financiar um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. O material também trouxe à tona promessas de alinhamento político e fidelidade ao financiador.

A nova rodada da pesquisa foi realizada entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21), período em que o caso já dominava o noticiário. Segundo o Datafolha, 64% dos 2.004 entrevistados em 139 municípios afirmaram ter tomado conhecimento do episódio. O mesmo percentual declarou considerar inadequada a conduta do senador.

O reflexo apareceu também na simulação de segundo turno. O empate anterior de 45% entre Lula e Flávio deu lugar a uma vantagem numérica do presidente: 47% contra 43%, resultado ainda no limite da margem de erro, mas que indica deterioração do desempenho do senador após a crise.

Além da queda nas intenções de voto, Flávio Bolsonaro viu crescer sua rejeição eleitoral. O índice passou de 43% para 46% em apenas uma semana. Lula, por outro lado, registrou oscilação positiva: sua rejeição caiu de 47% para 45%.

Os números reforçam a percepção de que o desgaste provocado pelo caso não ficou restrito ao senador. Nos bastidores do bolsonarismo, parte dos aliados passou a defender a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como possível substituta caso a candidatura de Flávio se torne inviável. O Datafolha então testou o nome dela em um cenário alternativo.

O resultado, porém, frustrou expectativas do grupo. Michelle apareceu com 22% das intenções de voto no primeiro turno, distante dos 41% atribuídos a Lula. Na pesquisa espontânea —quando o eleitor cita nomes sem acesso a uma lista prévia—, a ex-primeira-dama sequer foi mencionada em volume estatisticamente relevante.

No segundo turno, o desempenho dela também ficou abaixo do registrado por Flávio Bolsonaro. Lula aparece com 48%, enquanto Michelle soma 43%.

Os dados reforçam uma avaliação que começa a ganhar espaço entre analistas e setores da própria direita: o desgaste pode ter atingido não apenas um integrante específico da família Bolsonaro, mas a própria marca política construída ao longo dos últimos anos. Durante esse período, os filhos do ex-presidente funcionaram como extensões de um mesmo capital simbólico, fortalecendo mutuamente suas imagens públicas. Agora, a dinâmica parece operar no sentido inverso.

A hipótese considerada por interlocutores políticos é que o escândalo tenha aprofundado um cansaço mais amplo do eleitorado em relação ao núcleo familiar bolsonarista, sobretudo entre eleitores independentes e menos ideologizados —grupo considerado decisivo para a eleição presidencial.

Nesse contexto, Michelle Bolsonaro enfrenta um problema estrutural: apesar da visibilidade nacional acumulada durante o governo Jair Bolsonaro, ela ainda não demonstrou capacidade de se afirmar como liderança autônoma perante o eleitorado. Sua força política segue fortemente vinculada ao sobrenome que carrega. Com isso, o desgaste do clã tende a contaminá-la diretamente.

Enquanto isso, Lula mantém vantagem consistente também contra outros possíveis adversários. Em simulações de segundo turno, o presidente alcança 48% contra 39% do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Diante do governador mineiro Romeu Zema (Novo), Lula repete os 48%, enquanto o adversário aparece com 39%.

No primeiro turno, Caiado registra 4%, seguido por Zema com 3%. Também com 3% aparecem Renan Santos, da Missão, e Samara Martins, da UP. Em patamar semelhante surgem Augusto Cury (Avante), com 2%, Rui Costa Pimenta (PCO), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Aldo Rebelo (DC), todos com 1%.

Aldo, no entanto, já foi retirado da disputa pelo próprio partido após o registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral, sob o código BR-07489/2026. A legenda passou a discutir a possibilidade de lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como alternativa presidencial.

Os resultados do Datafolha indicam, portanto, que o caso Dark Horse produziu efeitos políticos imediatos e abriu uma nova fase na corrida presidencial. Mais do que atingir a candidatura de Flávio Bolsonaro, o episódio colocou em xeque a capacidade do bolsonarismo de preservar sua força eleitoral diante de um escândalo que atingiu o núcleo simbólico da família.

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