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Poder
Estados Unidos ameaçam a democracia brasileira estimulados pela extrema direita
Publicado em 11/08/2025 11:24 - Semana On
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A cada nova aparição pública, Eduardo Bolsonaro confirma que não sofre da “insanidade” que seus adversários ironicamente lhe atribuem. Ao contrário, parece ter se apaixonado por ela — e é correspondido. Suas postagens nas redes funcionam como mísseis direcionados contra a institucionalidade brasileira.
No penúltimo episódio, o deputado assumiu o papel de tradutor político de uma ameaça feita por Christopher Landau, vice-secretário de Estado dos EUA. Em declarações repercutidas pela embaixada norte-americana no Brasil, Landau acusou um único ministro do STF — numa referência velada a Alexandre de Moraes — de “usurpar poder ditatorial ao ameaçar líderes de outros poderes, ou suas famílias, com prisão, encarceramento ou outras penalidades”.
A embaixada publicou a declaração em português. Eduardo fez a “tradução” para o bolsonarismo: segundo ele, era um recado de que “os Estados Unidos não estão para brincadeira” e de que estariam dispostos a ir “às últimas consequências” para remover “obstáculos à harmonia entre os poderes”. Embora não tenha explicado o que seriam essas “últimas consequências”, deixou no ar que poderiam atingir ministros do STF contrários a Bolsonaro, parlamentares contra a anistia do ex-presidente e defensores do impeachment de Moraes.
A mensagem implícita: a eventual condenação de Jair Bolsonaro provocaria uma reação americana — ou trumpista — devastadora. Para Eduardo, seria “para o bem do Brasil”.
O golpismo reorganizado
Entre o fim de 2022 e o início de 2023, o Brasil esteve à beira de uma ruptura institucional. O sistema democrático reagiu, e a maioria do eleitorado recusou um novo mandato ao então presidente. O resultado levou à prisão ou iminência de prisão de figuras que se acreditavam intocáveis. Ainda assim, a resistência ao enfrentamento do golpismo permanece ativa — antes dissimulada, agora escancarada.
Uma nova frente se formou: o bolsonarismo radical, estimulado por interferências de Donald Trump, se uniu ao patrimonialismo cleptocrático, sustentado por verbas de emendas parlamentares. Juntos, tentam reverter o curso da história. Não se importam com a exposição pública de seus atos; preferem seguir nus na conjuntura a aproveitar as oportunidades de recomposição política.
O cenário é paradoxal: conspiram contra a democracia dentro do Congresso Nacional, símbolo da representação popular. Na semana passada, conseguiram paralisar Câmara e Senado por 30 horas. É a negação explícita da pluralidade, essencial a qualquer sistema democrático.
O mito como ativo político e o pântano como projeto
Bolsonaro, antes apenas símbolo do golpismo, virou também oportunidade para o fisiologismo. Eduardo, por sua vez, atua como porta-voz dessa aliança, chegando a pedir que a Casa Branca imponha sanções ao Brasil para evitar a prisão do pai. Não se contenta com o caos: deseja um “cenário de terra arrasada” que, segundo ele, o vingaria dos “ditadores de toga”.
O ex-presidente mantém a narrativa de que não houve tentativa de golpe. Mas, diante de provas abundantes — delações, testemunhos, minutas, planos confessados de fechar a Justiça Eleitoral, anular o resultado das urnas e assassinar eleitos —, resta-lhe apenas o protesto contra um processo que avança em etapas: apreensão do passaporte, tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar… até a cela final.
Pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros rejeita a anistia aos envolvidos. O país lembra, com desconforto, quão perto esteve de viver uma selvageria política inédita — pior até do que o pós-1964.
A ficção do “nada aconteceu”
Diante da proximidade das sentenças, o bolsonarismo tenta criar um “Brasil alternativo” no qual a tentativa de golpe é reescrita como um debate constitucional legítimo para barrar o “comunismo”. Até governadores com pretensões presidenciais engrossam a narrativa, de olho no espólio eleitoral da extrema direita.
O perigo dessa ficção é óbvio: transformar o golpe em “chacota” e, de chacota, em hábito; de hábito, em parâmetro. Nesse cenário, nada mais precisaria ser punido ou explicado.
A aliança entre golpistas e corruptos não se limita à busca por anistia ou mudanças no foro privilegiado. Ela rejeita a própria soberania popular e a honestidade como valores democráticos, testando a resiliência do regime.
O Brasil oferece um espectro político amplo — da esquerda à direita religiosa —, mas não há espaço legítimo para golpistas travestidos de patriotas.
A separação dos poderes de um Estado é a maior garantia de liberdade já concebida pela humanidade. Nenhum poder, nem mesmo uma pessoa, pode acumular autoridade excessiva se for controlada pelos demais. Mas uma separação formal não significa nada se um dos poderes tiver meios de… https://t.co/CjJolkmYxn
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) August 9, 2025
O articulista Reinaldo Azevedo respondeu, ponto a ponto, a diatribe de Landau e também as recentes postagens de Elon Musk contra a democracia brasileira. Reproduzimos a seguir, na íntegra, diante da contundência e importância do texto para esclarecer as inverdades e distorções promovidas pela extrema direita norte-americana sobre o Brasil
Segue o texto, em caixa alta, com comentários os comentários de Azevedo, em caixa baixa.
A SEPARAÇÃO DOS PODERES DE UM ESTADO É A MAIOR GARANTIA DE LIBERDADE JÁ CONCEBIDA PELA HUMANIDADE.
Trata-se de uma advertência dirigida a seu chefe, Donald Trump?
NENHUM PODER, NEM MESMO UMA PESSOA, PODE ACUMULAR AUTORIDADE EXCESSIVA SE FOR CONTROLADA PELOS DEMAIS.
A tradução é ruim. Na língua do país que pretendem colonizar, tem de ser assim: “Nenhum Poder, ou pessoa, acumula autoridade excessiva quando contida pelos demais Poderes.” Alguém precisa instigar a Suprema Corte dos EUA a pôr limites em Trump, o candidato a tirano.
MAS UMA SEPARAÇÃO FORMAL NÃO SIGNIFICA NADA SE UM DOS PODERES TIVER MEIOS DE INTIMIDAR OS DEMAIS A ABRIR MÃO DE SUAS PRERROGATIVAS CONSTITUCIONAIS.
Não se emprega por aqui o “intimidar alguém A alguma coisa”. Melhor teria sido usar “coagir” para dizer o pretendido. É verdade: quando se usurpam prerrogativas constitucionais, a exemplo do que faz Trump com as universidades norte-americanas, a separação formal de Poderes não garante a separação de fato.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO AGORA NO BRASIL RESSALTA ESSE PONTO: UM ÚNICO MINISTRO DO STF USURPOU PODER DITATORIAL AO AMEAÇAR LÍDERES DOS OUTROS PODERES, OU SUAS FAMÍLIAS, COM DETENÇÃO, PRISÃO OU OUTRAS PENALIDADES.
Trata-se de uma mentira flagrante. Todas as decisões de Alexandre de Moraes são submetidas ao pleno ou à Primeira Turma do Supremo, e assim será com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Alô, embaixada! Para que, em português, alguém pudesse “usurpar poder ditatorial”, necessário seria que o dito-cujo já pertencesse a alguém — e isso inexiste por aqui — e que Moraes o tivesse tomado para si de maneira ilegítima. Aliás, convenha-se, o “to usurp” está mal empregado também em inglês.
ESSA PESSOA DESTRUIU A RELAÇÃO HISTÓRICA DE PROXIMIDADE ENTRE BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS, AO TENTAR, ENTRE OUTRAS COISAS, APLICAR EXTRATERRITORIALMENTE A LEI BRASILEIRA PARA SILENCIAR INDIVÍDUOS E EMPRESAS EM SOLO AMERICANO.
A acusação é um despropósito. Extraterritorialidade, isto sim, reivindicam as redes sociais ao pretenderem operar no Brasil ao arrepio de suas leis, reivindicando a prerrogativa de desobedecer a Justiça. As decisões de Moraes valem, obviamente, para o território brasileiro. Ou as empresas que aqui operam devem ser regidas pela legislação americana, ignorada pelo próprio Trump quando lhe dá na telha?
A SITUAÇÃO É SEM PRECEDENTES E ANÔMALA, JUSTAMENTE PORQUE ESSA PESSOA VESTE UMA TOGA JUDICIAL. SEMPRE É POSSÍVEL NEGOCIAR COM LÍDERES DOS PODERES EXECUTIVOS OU LEGISLATIVOS DE UM PAÍS, MAS NÃO COM UM JUIZ, QUE DEVE MANTER A APARÊNCIA DE QUE TODAS AS SUAS AÇÕES SÃO DITADAS PELA LEI.
Tradução ruim. Escreveu Landau:
“And the situation is unprecedented and anomalous precisely because that person wears a judicial robe: whereas we can always negotiate with leaders of a country’s executive or legislative branches, there is no way to negotiate with a judge, who must maintain the pretense that all his actions are dictated by law.”
“Manter a aparência” não tem o sentido imaginado pela embaixada. Não se pode, nesse contexto, traduzir “pretense” por “aparência”, mas por “pretensão”, que também tem um sentido virtuoso em português: “aquilo que se pretende”. O vice-secretário quis dizer que é possível negociar com os demais Poderes, mas não com um juiz porque este tem de zelar — tem de pretender — para que todas as suas ações sejam ditadas pela lei.
Só para que a embaixada entenda: quando se diz por aqui que o governo dos EUA “mantém a aparência” de que se importa com a democracia brasileira, acusa-se um fingimento, uma farsa, uma falcatrua. Ou por outra: é claro que o governo americano não tem a “pretensão” — não pretende — zelar pelo nosso arcabouço legal.
ASSIM, NOS ENCONTRAMOS EM UM BECO SEM SAÍDA, O USURPADOR SE REVESTE DO ESTADO DE DIREITO, ENQUANTO OS DEMAIS PODERES AFIRMAM ESTAR IMPOTENTES PARA REAGIR.
Usurpador? Não é espantoso que um país estrangeiro se coloque como juiz de um magistrado brasileiro, acusando-o de ir além de sua competência, como se coubesse ao governo americano o papel de corte revisora do STF?
SE ALGUÉM CONHECER UM PRECEDENTE NA HISTÓRIA HUMANA EM QUE UM ÚNICO JUIZ, NÃO ELEITO, TENHA ASSUMIDO O CONTROLE DO DESTINO DE SUA NAÇÃO, POR FAVOR, AVISE.
Juízes, no Brasil, nunca são eleitos. E nem mesmo às autoridades que passam pelo crivo das urnas se concede o direito de desrespeitar a Constituição, como hoje acontece nos EUA, onde o chefe do Executivo se concede a licença de ameaçar professores, estudantes, juízes, promotores, governadores do Partido Democrata e o presidente do Banco Central.
QUEREMOS RESTAURAR NOSSA AMIZADE HISTÓRICA COM A GRANDE NAÇÃO DO BRASIL!
A afirmação vale por uma conclamação por um movimento para depor Alexandre de Moraes, o que não vai acontecer. Isso, sim, é inédito nas relações entre os dois países. De toda sorte, Landau e a embaixada sabem que conquistaram alguns frouxos e oportunistas por aqui, inclusive na imprensa. A campanha que se passou a mover por aqui contra o ministro alimenta o ataque escancarado à soberania brasileira.
ELON MUSK
Também o X, de Elon Musk, resolver atacar. Escreveu:
“O MINISTRO DA SUPREMA CORTE ALEXANDRE DE MORAES LIDEROU UMA CAMPANHA DE CENSURA E VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, INCLUINDO O BANIMENTO DO X, EM 2024, POR SE RECUSAR A CUMPRIR ORDENS SECRETAS PARA ‘DESPLATAFORMIZAR’ POLÍTICOS E JORNALISTAS, INCLUINDO AMERICANOS, QUE CRITICARAM MORAES E SEUS ALIADOS”.
É mentira. O X saiu do ar por se negar a cumprir decisão judicial, retirando, ademais, seu representante do Brasil, numa clara afronta a outra disposição legal.
Aí vem o inconformismo com a decisão do STF sobre responsabilização civil das redes em certos casos:
“MAIS RECENTEMENTE, O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) DECIDIU QUE O ARTIGO 19 DO MARCO CIVIL DA INTERNET (MARCO CIVIL DA INTERNET), QUE PREVIA PROTEÇÕES LIMITADAS À RESPONSABILIDADE DOS INTERMEDIÁRIOS, É INCONSTITUCIONAL. ESSA DECISÃO REMOVE UMA SALVAGUARDA FUNDAMENTAL PARA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO ONLINE E REFORÇA UM PADRÃO MAIS AMPLO DE PREOCUPAÇÃO.”
Outra falácia. As redes apenas terão de tomar alguns cuidados que já lhe são exigidos hoje em boa parte dos países europeus, por exemplo.
O governo americano e as “big techs” se juntaram para sequestrar a institucionalidade brasileira, sua economia e seus recursos naturais. Com a ajuda dos bate-paus nativos, disfarçados de amantes da liberdade.
Itamaraty e Gleisi rechaçam ataque
O Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria de Relações Institucionais rechaçaram os ataques de Christopher Landau. Segundo o Itamaraty, a postagem do vice-secretário representa um ataque frontal.
“Essa manifestação caracteriza novo ataque frontal à soberania brasileira e a uma democracia que recentemente derrotou uma tentativa de golpe de Estado e não se curvará a pressões, venham de onde vierem”, respondeu a pasta em nota sábado (9) à noite.
O Itamaraty mencionou que essa foi a segunda manifestação hostil do governo estadunidense em três dias. “O Governo brasileiro manifestou ontem [sexta-feira, 8] à embaixada dos Estados Unidos seu absoluto rechaço às reiteradas ingerências do governo norte-americano em assuntos internos do Brasil, e voltará a fazê-lo sempre que for atacado com falsidades como as da postagem de hoje [sábado, 9], disseminadas pelo subsecretário de Estado, Christopher Landau”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.
Gravíssima ofensa
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann também rechaçou as postagens do vice-secretário de Estado do governo de Donald Trump. Ela classificou de “arrogante” e de “gravíssima ofensa” as insinuações de interferência do Judiciário em outros Poderes.
“A postagem arrogante do subsecretário de Estado dos EUA é uma gravíssima ofensa ao Brasil, ao STF e à verdade. Quem tentou usurpar o poder em nosso país foi Jair Bolsonaro. Quem está tentando destruir a relação histórica entre os dois países é a família Bolsonaro estimulando Donald Trump, com o tarifaço e sua chantagem contra o Judiciário brasileiro”, rebateu Gleisi nas redes sociais.
A ministra reiterou que o Brasil cumpre a Constituição e que os Poderes estão unidos para rechaçar a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
“Nenhum poder constitucional brasileiro encontra-se impotente. Ao contrário: Executivo, Legislativo e Judiciário rechaçaram o golpe de 8 de janeiro, a chantagem de [Donald] Trump, o motim bolsonarista pela anistia e as sanções violentas contra o ministro Alexandre de Moraes e outros ministros do STF”, continuou.
“Se querem mesmo ‘restaurar uma amizade histórica’, comecem por respeitar a soberania do Brasil, de nossas leis e Justiça, e parem de apoiar o golpista que tentou destruir nossa democracia”, concluiu a ministra.
Relações destruídas
Sem citar diretamente o ministro do STF Alexandre de Moraes, Landau escreveu que um magistrado acumulou autoridade excessiva e “destruiu a relação histórica de proximidade entre o Brasil e os Estados Unidos”. “Sempre é possível negociar com líderes dos Poderes Executivos ou Legislativos de um país, mas não com um juiz”, disse o número dois do secretário Marco Rubio.
Originalmente em inglês, a publicação de Landau foi repostada pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, traduzida ao português.
Convocação
Na sexta-feira (8), o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, após ameaças ao Judiciário brasileiro. O secretário interino da Europa e América do Norte do Itamaraty, o embaixador Flavio Celio Goldman manifestou a indignação do governo brasileiro com o tom e o conteúdo das postagens recentes do Departamento de Estado e da embaixada nas redes sociais.
Na quinta-feira (7), a Embaixada dos EUA no Brasil traduziu comentário do secretário de diplomacia pública Darren Beattie, ameaçando autoridades do Judiciário brasileiro que contribuam com Moraes. “Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”, disse o comunicado do diplomata, acusando o ministro de “censura” e “perseguição” contra Bolsonaro.
Sanções
Os Estados Unidos aplicam sanções financeiras contra Moraes com base na Lei Magnitsky, sob o argumento de que o magistrado estaria violando os Direitos Humanos ou está relacionado a casos de corrupção ao redor do mundo. O tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos também foi justificado com base na atuação do STF.
O governo de Donald Trump critica Moraes e a Justiça brasileira pelo processo penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e por decisões de remoção de conteúdo e bloqueio de redes sociais e plataformas digitais estadunidenses.
Acadêmicos nos EUA denunciam ‘interferência indevida’ de Trump no Brasil
Cinquenta acadêmicos brasileiros que atuam em universidades de prestígio nos Estados Unidos — entre elas Harvard, Brown, Princeton e Columbia — enviaram ao presidente Donald Trump uma carta denunciando a interferência do governo americano em assuntos internos do Brasil. O motivo é a exigência feita por Trump para que sejam retiradas as acusações de sedição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A carta, assinada na última sexta-feira (8) e obtida com exclusividade pela coluna, foi patrocinada pela Rede EUA pela Democracia no Brasil (USNDB). No texto, o grupo afirma que “os esforços do atual governo americano para interferir indevidamente nos assuntos internos do Brasil são uma afronta à independência do sistema judiciário brasileiro e ao Estado de Direito”.
Os signatários se identificam como especialistas acadêmicos em Brasil e América Latina, trabalhadores culturais e profissionais de políticas públicas que atuam nos Estados Unidos. Eles também manifestam apoio a senadores americanos que demonstraram preocupação com as tarifas impostas ao Brasil “com o propósito político de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a retirar as acusações criminais decorrentes das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público contra Jair Bolsonaro e outros”.
O documento ressalta que os réus são acusados de participar de uma “tentativa de derrubar o governo democraticamente eleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de cometer outros crimes graves previstos na legislação e na Constituição brasileiras”.
O coordenador nacional do USNDB, James N. Green, lembrou episódios históricos para contextualizar a crítica: “Aqueles que conhecem a história das relações entre os EUA e o Brasil lamentam o fato de os Estados Unidos terem apoiado a derrubada do governo democraticamente eleito em 1964, o que levou a 21 anos de regime autoritário”.
Green destacou ainda que Bolsonaro, quando deputado federal, defendeu publicamente a ditadura militar e a prática de tortura. “Ele agora é acusado de tentar derrubar o atual governo em 2022/2023. Mais uma vez, o governo americano está interferindo erroneamente nos assuntos brasileiros”, afirmou.
Assinam a carta os seguintes acadêmicos:
James N. Green, Brown University
Gladys Mitchell-Walthour, North Carolina Central University
Sidney Chalhoub, Harvard University
Joel Wolfe, University of Massachusetts Amherst
Barbara Weinstein, New York University
Alvaro de Castro e Lima, Instituto Diáspora Brasil
Elizabeth Leeds, MIT
Melissa E. Gormley, UW-Platteville
Matías Vernengo, Bucknell University
Sidney M. Greenfield, University of Wisconsin-Milwaukee
Stanley A. Gacek, Washington Brazil Office
Misha Klein, University of Oklahoma
Myriam Marques, Defend Democracy in Brazil Committee – NY
Dale Graden, University of Idaho
Darlene J Sadlier, Indiana University-Bloomington
Christopher Dunn, Tulane University
Heloisa Maria Galvão, Brazilian Women’s Group e University of Miami
Carmen Alvaro Jarrín, College of the Holy Cross, University of California.
Sandra McGee Deutsch, University of Texas at El Paso
Pablo K. Valente, University of Connecticut
John L. Hammond, CUNY
Ronald H Chilcote, University of California
Severino J. Albuquerque, Univ. of Wisconsin-Madison
June E. Hahner, State University of New York at Albany
Eileen J. Findlay, American University
Amy Chazkel, Columbia University
Isis Barra Costa, The Ohio State University
Richard Parker, Columbia University
Rafael Ioris, University of Denver
Robert Wilcox, Northern Kentucky University
Chris Alley, NYU School of Global Public Health
Maxine L. Margolis, University of Florida
José Juan Pérez Meléndez, University of California,
Davis Krista Brune, Pennsylvania State University
Peter Evans, University of California, Berkeley
Sean T Mitchell, Rutgers University, Newark
Benjamin Cowan, University of California, San Diego
Margaret Power, Illinois Institute of Technology
James Woodard, Montclair State University
Janet Chernela, University of Maryland
Mary Karasch, Oakland University
Malcolm K. McNee, Smith College
Pedro Meira Monteiro, Princeton University
Marguerite I. Harrison, Smith College
Victoria Langland, University of Michigan
Kirsten Weld Professor of History, Harvard University
Tracy Devine Guzmán, University of Miami
Ralph S. Della Cava, Queens College, CUNY
Jeffrey D. Needell, University of Florida Samuel Novacich
Ana Alakija, pesquisadora independente
Jessica Graham, University of California, San Diego
Marc Hertzman, University of Illinois, Urbana-Champaign
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