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Poder
Condenação iminente de Eduardo surge como fator de desgaste para a estratégia eleitoral do PL
Publicado em 16/06/2026 3:03 - Semana On
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A mais recente pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira (16), aponta um cenário eleitoral mais favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026. O levantamento registra crescimento da vantagem do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tanto nas projeções de primeiro quanto de segundo turno, ao mesmo tempo em que indicadores políticos sugerem potenciais efeitos negativos para a candidatura do parlamentar em razão da situação judicial de seu irmão, Eduardo Bolsonaro.
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Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 49,3% das intenções de voto, contra 36,8% atribuídos a Flávio Bolsonaro. A diferença de 12,5 pontos percentuais representa um avanço expressivo em relação ao levantamento realizado em abril, quando o presidente registrava 44,9% e o senador alcançava 40,2%, configurando uma distância de apenas 4,7 pontos.
O desempenho do presidente também evoluiu na disputa de primeiro turno. Segundo a pesquisa, Lula reúne atualmente 41,8% das intenções de voto, acima dos 39,2% registrados há dois meses. Flávio Bolsonaro, por sua vez, recuou de 30,2% para 28,2%.
Além dos dois principais nomes testados, a CNT/MDA avaliou outros possíveis concorrentes. Entre eles, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece com 4% das intenções de voto. Na sequência figuram Romeu Zema (Novo), com 2,8%; Joaquim Barbosa (DC), com 2,3%; Renan Santos (Missão), com 2%; Michel Temer (MDB), com 1,9%; e Augusto Cury (Avante), com 1,8%.
Os cenários de segundo turno indicam que Lula derrotaria todos os demais pré-candidatos avaliados pelo instituto. Contra Ronaldo Caiado, o presidente alcança 48,4% das intenções de voto, enquanto o adversário soma 32,2%. Em eventual confronto com Romeu Zema, o placar seria de 48,8% a 31,6%. Diante de Renan Santos, liderança associada ao Movimento Brasil Livre (MBL), Lula aparece com 49,3%, contra 28%.
Nos cenários envolvendo Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Michel Temer, o presidente mantém vantagem confortável. Seus índices oscilam entre 47,5% e 49,5%, enquanto os adversários registram percentuais situados entre 24,9% e 28,9%.
A pesquisa também mediu os índices de rejeição dos possíveis candidatos. Michel Temer lidera nesse quesito, com 64,2% dos entrevistados afirmando que não votariam nele. Flávio Bolsonaro aparece em seguida, rejeitado por 56,5% do eleitorado. Lula registra índice de rejeição de 45,7%.
Entre os demais nomes avaliados, Romeu Zema é rejeitado por 35,8% dos entrevistados, enquanto Ronaldo Caiado soma 33,5%. Renan Santos registra 31%; Joaquim Barbosa, 30,5%; e Augusto Cury, 27,5%.
Os dados da CNT/MDA também apontam melhora na percepção da administração federal. Atualmente, 35,3% dos entrevistados classificam o governo Lula como bom ou ótimo. Outros 34,3% consideram a gestão ruim ou péssima, enquanto 29,2% a definem como regular. O percentual de entrevistados que não responderam alcançou 1,1%.
A comparação com a pesquisa de abril revela uma recuperação dos indicadores positivos. Na ocasião, a avaliação favorável do governo era de 32,1%, enquanto a negativa atingia 37,2%. O índice de avaliação regular correspondia a 29,4%, e os não respondentes somavam 1,2%.
O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 14 de junho e ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais. A pesquisa utilizou metodologia mista, combinando entrevistas presenciais em domicílios e em pontos de fluxo de pessoas. A margem de erro estimada é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-04256/2026.
Paralelamente aos números da disputa eleitoral, o ambiente político passou a ser influenciado pelo julgamento de Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a expectativa já não gira em torno da possibilidade de condenação do deputado licenciado pela Primeira Turma da Corte, mas da extensão da pena que poderá ser aplicada.
Dados divulgados pela Quaest na segunda-feira (15), véspera do início do julgamento, indicam que os desdobramentos do caso podem produzir efeitos indiretos sobre a campanha de Flávio Bolsonaro. O levantamento mostra aumento da percepção negativa dos brasileiros em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O índice passou de 39% para 45% em apenas um mês.
A pesquisa também aponta que 51% dos brasileiros demonstram preocupação com uma eventual intervenção ou interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil. O temor cresceu após a Casa Branca classificar as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas.
Eduardo Bolsonaro responde à acusação de coação à Justiça após atuar em defesa de medidas e sanções norte-americanas destinadas a pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal. O processo remete a episódios que ganharam repercussão política e diplomática, incluindo a revogação de vistos de ministros da Corte, as sanções vinculadas à Lei Magnitsky e o chamado tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras anunciado por Donald Trump e posteriormente revogado.
A avaliação de analistas políticos é que a condenação de Eduardo poderá gerar desgaste adicional para Flávio Bolsonaro em um momento em que a relação da família Bolsonaro com Trump volta ao centro do debate público. O tema ganhou novo impulso após o ex-presidente norte-americano voltar a ameaçar o Brasil com a imposição de tarifas comerciais, pouco tempo depois de receber o senador do PL na Casa Branca.
Nesse contexto, a associação entre a família Bolsonaro e a agenda política de Trump tende a permanecer como um dos elementos centrais da disputa eleitoral, especialmente diante do aumento da rejeição ao ex-presidente norte-americano entre os eleitores brasileiros e da crescente preocupação com possíveis interferências externas na política nacional.
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