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Poder

Caravana pró-Bolsonaro em 2022 usou jatinho ligado a sócio do Banco Master

Nikolas Ferreira confirma voos, nega relação com empresário e diz desconhecer propriedade da aeronave

Publicado em 03/03/2026 9:52 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou, durante a campanha presidencial de 2022, um jato executivo associado ao empresário Daniel Vorcaro, então CEO do Banco Master, para cumprir agendas eleitorais em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, em coluna publicada no jornal O Globo.

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Segundo a reportagem, a aeronave — um Embraer 505 Phenom 300 — foi empregada na caravana “Juventude pelo Brasil”, iniciativa liderada por Nikolas e pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha. A agenda ocorreu no segundo turno da disputa presidencial, quando Bolsonaro tentava reverter a vantagem obtida por Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno.

Rota eleitoral e monitoramento de voos

Registros de transponder analisados por plataformas especializadas indicam que o jato circulou, entre 20 e 28 de outubro de 2022, por ao menos nove estados e pelo Distrito Federal. O trajeto incluiu todas as capitais do Nordeste, além de cidades do Vale do Jequitinhonha, do Triângulo Mineiro e Brasília — localidades onde a campanha buscava ampliar a votação bolsonarista.

As datas dos deslocamentos coincidem com eventos públicos da caravana e com outras agendas pró-Bolsonaro, algumas com participação do então presidente. Em publicações nas redes sociais, Nikolas e integrantes do grupo apareceram em frente à aeronave celebrando a maratona de compromissos.

O avião pertence ao grupo Prime You, empresa que concentra aeronaves e outros bens ligados a Vorcaro. À época dos voos, o empresário era sócio da companhia ao lado de Maurício Quadrado. A sociedade foi encerrada em setembro de 2025, pouco antes da liquidação do Banco Master.

Versões e responsabilidades

Nikolas confirmou ter participado das viagens no Phenom 300, mas afirmou desconhecer a vinculação da aeronave ao banqueiro. Segundo o deputado, o convite partiu do pastor Guilherme Batista e ele não teve participação na logística nem no custeio dos voos.

“Nunca apertei a mão de Vorcaro, nunca estive com ele e não tenho nenhum tipo de negócio com ele ou com o Master”, declarou. Em nota, reiterou que não sabia quem era o proprietário do avião e que sua presença ocorreu exclusivamente em razão da agenda política.

A defesa de Vorcaro sustentou que a aeronave não pertence diretamente ao empresário, embora ele integrasse a sociedade da empresa proprietária à época. Já a Prime You afirmou que os voos foram fretamentos realizados dentro das práticas do mercado de táxi aéreo e disse não poder divulgar contratantes ou valores, citando normas do setor e a Lei Geral de Proteção de Dados.

Como as agendas da caravana não integravam formalmente a campanha registrada de Bolsonaro, o uso da aeronave não exigia declaração à Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Novo embate com o STF

O episódio volta ao debate público em um momento de intensificação do discurso de Nikolas contra o Supremo Tribunal Federal. No último domingo (1º), durante manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, o deputado afirmou que o “destino final” do ministro Alexandre de Moraes “é a cadeia”.

Do palanque, Nikolas também declarou que o país “não tem medo” do magistrado e criticou decisões judiciais envolvendo Bolsonaro e apoiadores presos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em tom de confronto, afirmou que a eventual queda de um ministro poderia atingir toda a Corte.

O parlamentar mencionou ainda o ministro Dias Toffoli e voltou a citar investigações relacionadas ao Banco Master, que é alvo de apurações por supostas irregularidades financeiras.

No mesmo ato, o pastor Silas Malafaia acusou Moraes de ter sido beneficiado por contratos ligados ao banco e defendeu a quebra de sigilo do ministro e de sua esposa.

As mobilizações ocorreram em mais de 20 cidades e incluíram, entre as pautas, a defesa da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, a revisão de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro e pedidos de impeachment contra Lula e ministros do STF, como Moraes, Toffoli e Gilmar Mendes.

Ao articular campanha eleitoral, estrutura aérea privada e embate institucional, o caso adiciona novos elementos ao ambiente de tensão política que se mantém desde o pleito de 2022 — agora com reflexos diretos no debate sobre financiamento, responsabilidade e limites do discurso político.

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