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Poder
Prisão não é 'colônia de férias', diz Moraes: Bolsonaristas detidos estão descobrindo para que servem os direitos humanos
Publicado em 10/01/2023 1:18 - Felipe Pereira, Lola Ferreira e Jamil Chade (UOL) – Edição Semana On
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O ministro da Justiça disse hoje que as investigações chegaram a empresários desses setores que financiaram os atos golpistas a partir do aluguel de ônibus que levaram bolsonaristas radicais a Brasília —as caravanas ofereciam viagens gratuitas ao DF nas redes sociais.
“Nós temos uma investigação em curso, que vai ter vários desdobramentos. Nestes investimentos, já foram identificados os primeiros financiadores, sobretudo aqueles relativos aos ônibus, aqueles que organizaram o transporte, que contrataram os ônibus. Estas pessoas estão todas identificadas”, afirmou o ministro da Justiça.
Sem revelar a identidade dos empresários identificados, Dino apontou a origem e os ramos de atuação:
– Os financiadores são de estados do Sul e Centro-Oeste, regiões em que Bolsonaro venceu Lula;
– Eles são empresários do comércio local, agronegócio e CACs (colecionadores de armas, atiradores desportivos e caçadores) –que também compõem a base de apoio do ex-presidente;
Segundo Dino, os próximos passos da investigação são:
– Indenização pelos danos;
– Abrir ação penal;
– Apontar outros financiadores.
Cerca de 1.500 pessoas já se encontram detidas em Brasília —elas estavam nas invasões às sedes dos três Poderes e no acampamento golpista em frente ao Quartel-General do Exército, na capital federal.
Quais crimes foram supostamente cometidos
Na posse do novo diretor-geral da PF, o delegado Andrei Passos, o ministro declarou que houve agrupamento de pessoas para cometer crimes e a possibilidade de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Por esse motivo, o acampados no QG do Exército podem responder por:
Associação criminosa
– Associarem-se três ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes;
– Pena: reclusão de um a três anos;
Crime contra Estado Democrático
– Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais;
– Pena: reclusão, de quatro a oito anos, além da pena correspondente a violência;
Golpe de Estado
Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído;
Pena: reclusão, de quatro a 12 anos, além da pena correspondente a violência.
Todas as pessoas que ali estavam, sem exceção, estavam com este propósito. De invadir, de depredar, de sitiar, de depor o governo. Basta ver qual era o slogan da manifestação.”
Prisão não é ‘colônia de férias’, diz Moraes
Dois dias após os atos terroristas em Brasília, Alexandre de Moraes fez um discurso duro em que promete que as instituições punirão os golpistas que invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília.
Veja os principais pontos da fala do ministro do STF na posse do diretor-geral da PF, Andrei Passos:
– Moraes disse que a operação que prendeu cerca de 1.500 pessoas em Brasília é necessária para garantir a democracia;
– “Não há ‘apaziguamento’ nas instituições brasileiras”;
– Defendeu combate firme ao terrorismo e “pessoas antidemocráticas”;
– Rebateu reclamações de bolsonaristas radicais presos sobre o tratamento após a prisão;
– Prometeu que todos os envolvidos nos ataques às sedes dos três Poderes serão punidos –“aqueles que praticaram os atos, que planejaram, que financiaram e incentivaram por ação ou omissão”;
“Nós temos que combater firmemente o terrorismo. Temos que combater firmemente as pessoas antidemocráticas, pessoas que querem dar o golpe, pessoas que querem o regime de exceção. Não é possível conversar com essas pessoas de forma civilizada. Elas não são civilizadas. Basta ver o que fizeram no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e com muito mais raiva e ódio no Supremo Tribunal Federal”, disse Alexandre de Moraes.
“Essas pessoas que, até domingo, faziam baderna e crimes e agora reclamam que estão presas, querendo que a prisão seja uma colônia de férias, não achem que as instituições irão fraquejar”, reforçou.
Bolsonaristas detidos estão descobrindo para que servem os direitos humanos
Detidos por tentar promover um golpe de Estado e destruir o patrimônio público, 1,5 mil bolsonaristas que desprezavam o “povo dos direitos humanos” estão descobrindo para que servem esses mecanismos.
Seu “mito” tem repetido ao longo de sua carreira política que “bandido bom é bandido morto” e que quem não quer ser estuprado ou morto numa prisão, então que não cometa crimes.
Hoje, os criminosos descobrem que, se essas máximas de seu líder fossem usadas pelas forças de ordem e pela Justiça contra eles, teriam sérios problemas.
Não há como negar que balas de borracha ou “perdidas”, golpes, execuções sumárias, sufocamento e tortura estão reservados em nosso país apenas a outro segmento da população.
Mas não é o momento de desejar a esses criminosos bolsonaristas o mesmo destino. O que precisamos é que todos tenham direitos, mesmo detidos.
Eles incluem:
– a garantia da dignidade
– a garantia de acesso à Justiça
– a garantia de um processo justo
Os direitos humanos não são apenas para uma parcela da população. São para todos e infraestrutura fundamental para a construção de uma democracia. Não se trata de um luxo.
O contrário de uma sociedade pobre não é uma sociedade rica. Mas, sim, um país justo. E sem as garantias de direitos humanos, isso é apenas uma utopia.
É preciso punir todos os envolvidos,para que as instituições possa ser respeitada e a paz reinar no Brasil, Gratidão a Deus pela sabedoria que deu pra Alexandre de Moraes conduzir esses atos golpista sem se contaminar .
Parabéns