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Poder
CPI é protocolada na Câmara Federal com 201 assinaturas
Publicado em 02/02/2026 1:50 - Semana On
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A revelação de que o Banco Master realizou R$ 2,8 bilhões em operações de câmbio para uma empresa investigada por lavar dinheiro para o PCC lança luz sobre um problema que vai além de um banco específico. O episódio evidencia como, em determinados segmentos do mercado financeiro, a busca por lucro pode se sobrepor a controles básicos, transformando o risco criminal em um “custo do negócio”.
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De acordo com investigação da Polícia Federal, a One World Services (OWS), empresa de criptoativos apontada como intermediária de operações ligadas ao PCC e sob suspeita de conexões internacionais, utilizou contas no então Banco Máxima — posteriormente rebatizado como Master — para realizar compras bilionárias de bitcoins destinadas a condenados por lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. As informações foram divulgadas em reportagem de Pedro S. Teixeira, da Folha de S.Paulo.
Segundo a PF, o banco teria ignorado deliberadamente regras elementares de compliance: aceitou explicações frágeis para operações atípicas, deixou de exigir documentação obrigatória e não reagiu a inconsistências evidentes. Em termos diretos, optou por não aprofundar questionamentos para não perder um cliente altamente rentável.
O caso não surge no vácuo. A trajetória recente do Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro, já vinha sendo acompanhada com atenção por analistas do mercado e órgãos de controle. A instituição construiu expansão acelerada amparada em relações políticas amplas e em produtos financeiros de alto risco, que afetaram fundos de previdência e investidores institucionais. A investigação atual adiciona um componente ainda mais sensível: a possível conexão entre o sistema financeiro formal e o crime organizado.
Mais do que um problema isolado, o episódio expõe um ambiente em que conceitos como “inovação” e “desburocratização” são, por vezes, utilizados para justificar o afrouxamento de controles sobre fluxos bilionários. Enquanto instituições mais cautelosas preferem encerrar relações comerciais diante de sinais de irregularidade — por avaliação de risco, não por altruísmo —, outras parecem dispostas a assumir riscos sistêmicos e até criminais em troca de comissões elevadas.
Nesse contexto, ganha força a leitura de que crimes financeiros no Brasil tendem a receber tratamento distinto conforme o perfil econômico e político de seus autores. Reduzir o caso a uma falha técnica de compliance, supostamente resolvida em âmbito administrativo, ignora a recorrência do padrão e enfraquece a mensagem dissuasória que o sistema de fiscalização deveria transmitir.
A gravidade do episódio impulsionou reação no Congresso. Um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master foi protocolado na Câmara dos Deputados pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB**), com 201 assinaturas — número superior ao mínimo regimental. Segundo o parlamentar, não há atualmente CPI em funcionamento, o que elimina obstáculos formais à instalação.
Rollemberg, no entanto, aponta resistência política. Para ele, a comissão contraria interesses de setores do Legislativo e se insere em um cenário mais amplo de tentativas de enfraquecimento de mecanismos de controle. O deputado citou, por exemplo, propostas legislativas que buscariam pressionar o Banco Central durante a análise da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), além de iniciativas que afetariam a autonomia da Polícia Federal.
Entre os pontos que, segundo ele, merecem investigação está a aquisição, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em títulos que teriam se revelado inexistentes, além de declarações de Vorcaro indicando negociações diretas com autoridades do Distrito Federal.
Embora exista também um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Senado, a ausência de sessão do Congresso para leitura do requerimento torna a CPI da Câmara, na avaliação de Rollemberg, o caminho mais imediato. A decisão final depende do presidente da Casa, Hugo Motta, e dos líderes partidários.
Ao classificar o episódio como o maior escândalo do gênero no país, o deputado defendeu a mobilização da sociedade para pressionar pela apuração. Citou ainda declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que descreveu o caso como a maior fraude bancária da história brasileira.
Mais do que um escândalo policial, o caso Master funciona como alerta institucional. Ele revela os riscos de um sistema financeiro que, quando orientado pela lógica do ganho a qualquer custo, tolera zonas cinzentas enquanto sustenta um discurso de eficiência e modernidade. A conta, como de costume, tende a não recair sobre quem assinou os contratos.
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